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segunda-feira, 30 de maio de 2016
por que maltratamos tanto os animais?
De longe avistei o caminhão. Pensei em virar o rosto. Fingir que nada via. Já fiz isso outras vezes. Sempre vejo um cavalo preso em uma esquina do litoral paulista. Faça frio. Faça sol. Ou debaixo de chuva. Inevitavelmente, está lá. Amarrado. Com a cabeça baixa. O que passa dentro dela, nunca saberemos. Quando chego perto desse lugar, muitas vezes, fecho os olhos. Não é porque não vejo que não acontece. Poupo minha dor sem poupar a dele. Volto ao caminhão. Tratava-se de um veículo que transportava frangos em caixas, como aquelas dos supermercados. Cada uma deveria ter vários deles. Amontados. Encarei. E vi os olhos dos animais. Algumas asas saindo para fora das grades. Estavam quietos. Apáticos sob o sol escaldante que fazia naquele dia em São Paulo.
Odeio cruzar com este tipo de ‘carga’. Sinto um aperto no peito. Mas isso não salva nenhuma vida. Não diminui a dor de quem não escolheu e não merece ser carregado de um lado para outro desta forma. Não vai impedir que esses animais sejam levados para outro lugar para serem submetido a luzes fortes para que fiquem confusos em relação aos dias e às noites. Por que fazemos isso com eles?
No ano passado um fato chocou os internautas e ganhou repercussão na mídia tradicional. Um caminhão que transportava porcos tombou no Rodoanel. Fotos e vídeos dos animais agonizando circularam pela rede. Protestos, indignação correram por comentários e posts. Mas cessaram. Outros porcos continuam sendo transportados com a mesma falta de segurança. Tratamos os animais como se fossem objetos. Mais que isso, como objetos que nem mesmo merecem o adesivo ‘frágil’.
Vi uma reportagem que diz que agora podemos nos voluntariar para passear com os cães nos fins de semana no Centro de Zoonose de São Paulo. É pouco. Mas é o mínimo, talvez. Se estão lá é porque nós causamos isso. Comprando. Abandonando. Ignorando. Bichos são escolhidos como se fossem uma bolsa, um brinquedo. E descartados quando o interesse diminui. Quando não são atropelados na rua, são capturados. Em que condições? Não sabemos, pois nossos olhos estão sempre fechados. Alguns porque não querem ver: “não aguentam ver isso, vão sofrer”. Outros, porque simplesmente não enxergam mesmo. Há ainda os que, de fato, não se importam. Mas até quando?
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
patinhas
Patinhas unidas, juntinhas. Elas, desta forma, representavam o esforço para se livrar do engasgo. Assim estava meu cachorro e toda vez que olho para suas patinhas, volto àquele dia em que ele estava com elas apertadas, tossindo. Ofegante e sufocado, tentava se recuperar. Não pedia ajuda. Apenas foi para um canto da casa e as apertava cada vez mais enquanto tentava ‘desengasgar’, enquanto tentava sair daquele desconforto.
Mesmo agora, que só relembro aquele momento, sinto um aperto no peito. Pela angústia que passou.
A imagem ficou. A atitude de quem está em apuros, e que não espera ajuda. Sozinho e com suas forças. Dizem que os animais se afastam quando estão velhos e doentes.
Pela experiência, sei que é verdade. Eles se escondem.
Não preciso de nenhum estudo científico para acreditar que, mais que os seres humanos, eles sentem. Só que ao contrário de nós, que nunca estamos plenamente satisfeitos e que o mínimo de infortúnio é motivo para culparmos o outro. Eles, não. Apenas unem as patinhas. E esperam passar.
Mesmo agora, que só relembro aquele momento, sinto um aperto no peito. Pela angústia que passou.
A imagem ficou. A atitude de quem está em apuros, e que não espera ajuda. Sozinho e com suas forças. Dizem que os animais se afastam quando estão velhos e doentes.
Pela experiência, sei que é verdade. Eles se escondem.
Não preciso de nenhum estudo científico para acreditar que, mais que os seres humanos, eles sentem. Só que ao contrário de nós, que nunca estamos plenamente satisfeitos e que o mínimo de infortúnio é motivo para culparmos o outro. Eles, não. Apenas unem as patinhas. E esperam passar.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
para ver inglês
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| Cotswolds |
Comecei a ler “Os catadores de conchas”, de Rosamunde Pilcher. O romance é ambientado na Inglaterra e nas primeiras páginas deparo-me com o nome de uma região: Cotswolds. Apaixonada pelas paisagens desse país, fiz a busca na internet. Quando vi as imagens, suspirei. Interessante como há lugares com os quais nos identificamos. Campos verdes, construções antigas, ruas estreitas. Exatamente a imagem que tenho do Reino Unido. Desde criança, sempre tive o sonho de conhecer a Inglaterra. Tanto que quando me formei, esse foi o meu presente: um intercâmbio em Brighton. A cidade foi escolhida sobretudo por não ser Londres. Não que eu não goste dessa capital, muito pelo contrário. Mas eu sempre me vi viajando pelas estradas que levam ao interior ou litoral inglês. E ainda hoje, depois de tanto tempo, ainda lembro exatamente a sensação que senti. Tudo era do jeitinho que eu havia pensado. Da janela do ônibus, com mesas, que peguei naquele primeiro dia em solo britânico, entre uma conversa e outra que ouvia e não conseguia entender pelo sotaque carregado, eu apreciava os campos, os carros na direção contrária. Era dezembro, o dia estava ensolarado, mas muito frio. Ideal. Perfeito. Melhor que isso, só ter chegado ao destino: uma casa linda, com papel de parede, escada, sótão e muitos, muitos detalhes que a tornavam aconchegante e muito parecida com uma casinha de boneca. Como não suspirar diante das lembranças que a literatura proporciona?
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| Eu facilmente me imagino morando aqui |
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Meu contato com o inglês começou por meio de uma série de LP´s antigos que havia na casa dos meus pais: Curso Pop Music de Inglês, da editora Abril com consultoria da Cultura Inglesa. Eu tinha doze, treze anos quando me interessei por eles, na época já eram velhos. As aulas consistiam em acompanhar a letra das músicas, ler algumas dicas sobre gramática, treinar a pronúncia e fazer os exercícios. Tudo estava no encarte do disco. Uma delícia. Lá conheci "Lucy in the sky with diamonds", "Hello, goodbye", entre outras canções dos Beatles e de muitas bandas e cantores das décadas de 60 e 70. Os intérpretes não eram os originais, mas só descobri depois. E eu fazia tudo direitinho. Tanto que pedi para meus pais os Cursos de Idiomas Globo, que vinham com um fascículo e uma fita cassete. Compraram kits de inglês e alemão. Os de inglês eram todos ambientados na Inglaterra, o que contribuiu para meu apego ao sotaque britânico, aos campos verdes e à boa música. Ainda hoje me lembro dos diálogos que havia nesses cursos. Fecho os olhos e ouço as personagens falando: "- Why didn´t you consult me? - I didn´t want to waste your time, it was a very straightforward decision." Este é apenas o começo de um deles, que continua completo na minha cabeça. Incrível como guardamos certas coisas. Nada como aproveitar tudo o que está à nossa disposição. Saudades de uma época frutífera e que o compromisso era unicamente ser movida pela curiosidade e pela imaginação. Mas será que não podemos sempre seguir assim? ;-)
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
sonho #3
Eu tenho que ir para algum lugar, mas não consigo me
arrumar. Esta noite o problema era tomar banho e dar um jeito no cabelo. O
estranho é que ora eu já estava, mesmo ‘incompleta’, no local em que deveria
estar. Ora ainda estava tentando me ajeitar: a casa estava cheia, o cabelo
estava sujo, quando conseguia entrar no banheiro, faltava algo, como shampoo ou
sabonete. Desesperador. Principalmente, porque não queria perder o compromisso.
Sempre tinha alguém querendo me acompanhar, o que me deixava ainda mais atrasada. E quando estou no local em que deveria estar, parece que lá tudo dá errado. Teve
até um carro dando ré dentro da casa. Tirando a preocupação de que o motorista poderia
bater em algum lugar, o resto parecia normal. Adoro sonhar. Gosto mais ainda
quando desperto, desse tipo de sonho que é bem frequente, e vejo que tudo pertence ao universo onírico. Ufa!
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
o mundo real é muito menor que o mundo da imaginação
Hoje acordei pensando: “Cadê meu box ‘Sex and the city’ e o meu ‘O mágico de Oz' em blu-ray”.
Fiquei tensa. Levantei da cama e, mesmo atrasada, comecei a busca. Felizmente, tive sucesso e já estão em lugar conhecido. Às vezes, acontece. Do nada lembro de algo e não sossego até que encontre tal objeto, mesmo que eu tenha passado anos sem pensar nele.
Isso veio à tona, sobretudo, porque acabei de comprar um aparelho blu-ray, que ainda não tinha. E também porque coloquei algumas metas para o ano que se inicia: ver mais filmes, rever as séries favoritas, conhecer novas. Mergulhar na ficção.
Como diz o título do post, frase atribuída ao filósofo alemão Nietzsche, viva a imaginação. Sempre gostei de me desligar por alguns minutos do mundo, pensar e imaginar situações, diálogos, cenas. Ontem mesmo, durante o relaxamento do yoga (momento em que deveríamos esvaziar a mente), resolvi viajar por lugares que já estive. Reviver momentos e sensações já sentidas. E quem disse que não pode ser tudo tão real quanto antes, de alguma forma? Feliz 2016.
------
Encontrei o aforismo em um artigo sobre “Nietzsche para estressados”, livro que compila 99 máximas do pensador. Não gosto dessas coletâneas, mas não deixam de trazer certa inspiração.
Fiquei tensa. Levantei da cama e, mesmo atrasada, comecei a busca. Felizmente, tive sucesso e já estão em lugar conhecido. Às vezes, acontece. Do nada lembro de algo e não sossego até que encontre tal objeto, mesmo que eu tenha passado anos sem pensar nele.
Isso veio à tona, sobretudo, porque acabei de comprar um aparelho blu-ray, que ainda não tinha. E também porque coloquei algumas metas para o ano que se inicia: ver mais filmes, rever as séries favoritas, conhecer novas. Mergulhar na ficção.
Como diz o título do post, frase atribuída ao filósofo alemão Nietzsche, viva a imaginação. Sempre gostei de me desligar por alguns minutos do mundo, pensar e imaginar situações, diálogos, cenas. Ontem mesmo, durante o relaxamento do yoga (momento em que deveríamos esvaziar a mente), resolvi viajar por lugares que já estive. Reviver momentos e sensações já sentidas. E quem disse que não pode ser tudo tão real quanto antes, de alguma forma? Feliz 2016.
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Encontrei o aforismo em um artigo sobre “Nietzsche para estressados”, livro que compila 99 máximas do pensador. Não gosto dessas coletâneas, mas não deixam de trazer certa inspiração.
domingo, 20 de setembro de 2015
jimmy´s hall (e o cavalo invisível que o acompanha)
Já faz algumas semanas que assisti a um filme bem bacana: “Jimmy´s Hall”, de Ken Loach. Conta a história real do irlandês James Gralton, revolucionário socialista que entra em conflito com a igreja católica por conta do estabelecimento que abre, um salão no qual as pessoas podem ler, cantar, dançar e discutir assuntos além dos que são permitidos pelo padre. Resultado: por duas vezes é expulso do país. Na primeira ainda é ‘perdoado’ e retorna, o que não acontece da segunda vez, quando é mandado definitivamente para os Estados Unidos.
Enfim, o filme é bem produzido, bem interpretado. Eu consegui ter uma boa ideia da época em que é retratado, por volta de 1930. Vale sobretudo pela trilha sonora, que mescla canções tradicionais irlandesas com o jazz, que Jimmy trouxe de sua primeira viagem ao exterior.
Mas o que me motivou a escrever sobre o filme não foi nada disso. Foi o cavalo que aparece em praticamente todas as cenas. Para mim o paradoxo da liberdade que os personagens ativistas tanto pedem. Quem tem o direito de manter quem preso a rédeas, afinal? No filme e na época tratada, a igreja católica parece ter este direito ao limitar o acesso cultural da população local. Ao impedir que as pessoas possam ir e vir de acordo com seus desejos. Ao mesmo tempo, todos utilizam o animal para seus interesses pessoais.
Jimmy retorna à sua casa depois de um longo tempo em uma carruagem. Quando chega, percebemos a dificuldade com que o amigo que o acompanha tem para descarregar sua bagagem. Eu mal consegui acompanhar a passagem, pois estava a imaginar o esforço do cavalo ao subir as ladeiras irlandesas com a carroça, os dois homens e todos os seus pertences. Baseado em fatos reais, lembram?
Mais adiante, uma família é desabrigada. E todos se unem para fazer com que a propriedade seja devolvida. Para isso, mais uma vez está lá o cavalo com sua carroça repleta de móveis.
E assim em praticamente todos os momentos. Onde tem um homem reivindicando seus direitos ou chorando por suas perdas ou comemorando vitórias, o animal o acompanha. Invisível para todos, já que em nenhum momento é mencionado, embora esteja sempre presente. Cabisbaixo, pois mesmo sendo tudo cenas, sabe que está preso. Pior, sabe que lá representa o que muitos ainda vivem. E sem nenhum partido ao qual se afiliar ou recorrer. Políticas do homem.
Cenas iniciais com Jimmy retornando à Irlanda após dez anos nos Estados Unidos
Cenas iniciais com Jimmy retornando à Irlanda após dez anos nos Estados Unidos
O salão de Jimmy
A carga que carrega
Devolvendo a uma família sua casa
Cenas finais. Todos se despendido de Jimmy.
Há outros animais na filmagem. Abaixo, um burro de carga e bois.
sábado, 12 de setembro de 2015
dias nublados
E hoje eu era a única na praia. Corri por toda a orla tendo como companhia apenas os pássaros e um ou outro cachorro. Chuvisco. Nuvens.
Enquanto corria, lembrava de alguns livros em que as personagens correm. Como "Para sempre Alice" e "O lado bom da vida". De alguma forma, sempre associo a corrida a dias assim. Frios. Quando não posso estar nesse clima, fico feliz em me imaginar em tal cenário. Por meio da literatura. Por meio dos livros.
Mas hoje eu estava lá. Sozinha.
Algumas ideias surgiram. Pistas para o doutorado. Ainda estou entre duas áreas. Formas distintas de abordar os animais. Suas representações. Mas o vento me trouxe títulos, autores, possibilidades.
Tempo fechado para mim é sempre inspirador :-)
domingo, 13 de abril de 2014
o que revela a neblina
Paisagem encoberta pela neblina é, para mim, única. Fico quieta a contemplar toda vez que me deparo com tal vista. Lembro-me de quando ia à escola, ainda criança, e ela envolvia o caminho. Hoje são raros os momentos em que aparece.
Recordo ainda de minhas passagens pela Inglaterra. O fog londrino e a exposição do impressionista J. M. William Turner. Passeio que sempre estará no meu presente.
Ouço o Boléro de Maurice Ravel, melodia repetitiva, mas que surpreende. E que foi lindamente interpretada pelo argentino Jorge Donn. Pode ser apreciada também em Retratos da Vida (Les uns et les autres), filme de 1980.
E, na última semana, encontro mais uma referência para o repertório esfumaçado: "A cinza das horas", primeiro livro de Manuel Bandeira. Na capa, trilha no bosque ofuscado pela névoa. Embora os poemas caminhem para o fúnebre, nos conforta. Serenidade dada pelos versos do poeta, na época, enfermo.
Paisagem encoberta pela neblina é, para mim, única. Fico quieta a contemplar toda vez que me deparo com tal vista. Lembro-me de quando ia à escola, ainda criança, e ela envolvia o caminho. Hoje são raros os momentos em que aparece.
Recordo ainda de minhas passagens pela Inglaterra. O fog londrino e a exposição do impressionista J. M. William Turner. Passeio que sempre estará no meu presente.
E, na última semana, encontro mais uma referência para o repertório esfumaçado: "A cinza das horas", primeiro livro de Manuel Bandeira. Na capa, trilha no bosque ofuscado pela névoa. Embora os poemas caminhem para o fúnebre, nos conforta. Serenidade dada pelos versos do poeta, na época, enfermo.
domingo, 23 de março de 2014
outono e poesia
Hoje senti o outono tal e qual sua descrição. O calor se esvaiu. O parque está mais vazio. É muito bom correr com o vento gelado no rosto. Com o cheiro das plantas úmidas. Com o barulho das folhas secas sob os pés. Que venham mais manhãs assim :-)
...
Ao procurar imagens que traduzissem a leitura no outono, encontrei a foto de uma pessoa que caminha e lê, rodeada pelo dourado típico da estação. Ela ilustra matéria de 2009 no The Guardian. Especificamente, o poema "Antiquities", da britânica Veronica Forrest-Thomson (1947-1975). Escrito na década de setenta, faz parte de sua coleção "Language-Games" ou jogos de linguagens, uma homenagem à obra do austríaco Wittgenstein. Para ela, o tratado do filósofo sugere que o que fazemos com nossas palavras é o que fazemos com nossa experiência de vida, a linguagem descreve nossa realidade. O outono é sempre excelente pretexto para novas leituras e novas sensações. E vocês, o que descobriram nesse início da nova estação?
Trecho do poema
"Autumn leaves turn like
pages, black on white. For green
and gold must be as parenthetical
as walks through sharpening air
and clamant colour, smoky light
along the Backs, from typewriter
to Library."
("As folhas de outono viram-se como
páginas, preto no branco. Para o verde
e o dourado, parênteses
como as caminhadas através do ar cortante
...

Ao procurar imagens que traduzissem a leitura no outono, encontrei a foto de uma pessoa que caminha e lê, rodeada pelo dourado típico da estação. Ela ilustra matéria de 2009 no The Guardian. Especificamente, o poema "Antiquities", da britânica Veronica Forrest-Thomson (1947-1975). Escrito na década de setenta, faz parte de sua coleção "Language-Games" ou jogos de linguagens, uma homenagem à obra do austríaco Wittgenstein. Para ela, o tratado do filósofo sugere que o que fazemos com nossas palavras é o que fazemos com nossa experiência de vida, a linguagem descreve nossa realidade. O outono é sempre excelente pretexto para novas leituras e novas sensações. E vocês, o que descobriram nesse início da nova estação?
Trecho do poema
"Autumn leaves turn like
pages, black on white. For green
and gold must be as parenthetical
as walks through sharpening air
and clamant colour, smoky light
along the Backs, from typewriter
to Library."
("As folhas de outono viram-se como
páginas, preto no branco. Para o verde
e o dourado, parênteses
e das cores suplicantes, luz esfumaçante
por entre a costa, da máquina de escrever
até a livraria." - tradução livre)
Outro texto sobre as delícias do outono: www.livrosemotivos.com.br/2012/06/outono.html
Outro texto sobre as delícias do outono: www.livrosemotivos.com.br/2012/06/outono.html
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
as imagens de livros e motivos
A maioria das fotos e
ilustrações que coloco aqui no blog e na página no Facebook são garimpadas em
bancos gratuitos. Utilizo o Stock.XCHNG
e o Everystockphoto.com, ferramenta que busca imagens que podem ser divulgadas livremente.
Há muita coisa tosca, mas no geral a qualidade é boa e sempre encontro o que quero para ilustrar textos e
pensamentos. Ou algo realmente inspirador, como a sala abaixo.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
sonho #2
Estava em Kyoto, no Japão. Diante de mim, a pintura que mostrava um coral natalino. Trazia traços simples, muito parecidos com os utilizados no sumi-ê. Eis que a imagem ganha vida. O plano vai se abrindo e estou diante dos coristas. Todos paralisados. Não se deram conta que agora são reais, que estão fora da moldura. Mas nada é estranho nesta sequência. Saio da grande sala que estou, que parece um museu, um templo ou um grande galpão. Agora vejo o coral de outro ângulo. E neve para todos os lados. Fofa, afundava com meus passos. Ao meu lado a fachada deste local: lindo contraste vermelho envolto pela neve. Tal e qual nas imagens abaixo. Isso. Sonhei e fui conferir o que vi no sonho. Rápida pesquisa com kyoto, snow, temple. O local existe. Chama-se Kamigamo-Shrine. O coral não achei. Detalhes oníricos.
![]() |
| Kamigamo Shrine in Snow, Kyoto, Japan |
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
15 livros e 15 viagens pelo mundo
Que tal viajar por meio dos livros? Aqui está uma relação de romances que, além de serem ótimos, ainda nos dão detalhes de lugares que merecem ser visitados. Enjoy :-)
Portugal

Trem noturno para Lisboa, de Pascal Mercier
Verdadeiro passeio pelas vielas de Lisboa junto com Gregorius, professor suíço que larga a aula pela metade e parte para Portugal, logo após ser seduzido pela beleza do sotaque lusitano.
As pequenas memórias, de José Saramago
A ideia que tenho das aldeias portuguesas foi reforçada (e confirmada) com a leitura da autobiografia da infância e adolescência de Saramago.
Estados Unidos

O sofá laranja, de Fania Szydlow Benchimol
O livro traz cartas, confusas e nostálgicas, de uma mulher ao marido. Elas foram encontradas no outono de Nova York, em algum banco do Central Park.
Garota exemplar, de Gillian Flynn
O casal sai de Nova York para morar na cidade natal do marido, no centro-oeste norte-americano. Daí, a esposa desaparece e quem é o suspeito? Suspense e surpresas às margens do rio Mississipi.
Itália

Mil dias em Veneza e Mil dias na Toscana, de Marlena de Blasi
Os textos narram as aventuras da autora por essas duas regiões italianas. Na primeira encontra o marido que será o companheiro da segunda jornada. Dá vontade de se perder por lá. Com muito pão, azeite, alecrim e vinho.
Os textos narram as aventuras da autora por essas duas regiões italianas. Na primeira encontra o marido que será o companheiro da segunda jornada. Dá vontade de se perder por lá. Com muito pão, azeite, alecrim e vinho.
Inglaterra
Charlotte Street, de Danny Wallace
É na famosa rua londrina que o personagem principal ajuda uma moça a entrar num taxi. Na empolgação, acaba ficando com a máquina fotográfica dela. O livro tem sabor de seriado. Poderia muito bem ser desmembrado em vários episódios na bela Londres.
A casa das orquídeas, de Lucinda Riley
Aqui a viagem é pelo interior inglês, seus condados e jardins bem cuidados. Aliás, foi isso que eu mais gostei no livro, que deve ser lido com uma taça de vinho rosé, a exemplo dos personagens.
Brasil

Nihonjin, Oscar Nakasato
Lindo romance que trata da imigração dos japoneses no Brasil. A história começa pelo interior de São Paulo e termina no bairro da Liberdade, na capital paulista. Comovente.
Relato de um certo oriente, Milton Hatoum
Primeiro romance de Hatoum. Tal qual os que vieram depois, traz imigrantes libaneses e como se adaptaram a Manaus e à floresta. A partir de várias vozes, acompanhamos a construção do passado da protagonista.
Japão
Japão

1q84, de Haruki Murakami
São três volumes aqui no Brasil. O último foi lançado há pouco tempo. O romance tem várias dimensões e nos instiga a pensar se realmente estamos aqui ou se aqui é ali (?). Acompanhamos os passos e devaneios de Tengo e Aomame em Tóquio. Ótimas referências literárias, musicais e históricas.
Chile

A contadora de filmes, de Hernán Rivera Letelier
O autor nos aproxima do deserto de Atacama, conhecido como o mais solitário do mundo. Fala sobre uma família apaixonada por cinema e como a carência de recursos fez com que eles assistissem aos filmes pela voz e gestos da caçula.
Pelo mundo

A viagem de théo, de Catherine Clément
Viagem pelas religiões e os países que melhor as representam. Excelente aula sobre história, cultura e, principalmente, sobre a origem das principais crenças. Passagens por Israel, Índia, Brasil, Itália, Egito, Japão etc.
O silêncio das montanhas, de Khaled Hosseini
Aqui passamos pelo Afeganistão, Grécia, França e Estados Unidos. Mostra pessoas que por algum motivo tiveram que sair de seus países, com tradições muito distintas, e que subitamente se viram em outra cultura.
Travessuras da menina má, de Mario Vargas Llosa
Por meio do romance cheio de idas e vindas de Ricardo Somocurcio com sua ‘Chilenita’, nós ganhamos uma brilhante viagem literária por Paris, Londres, Tóquio e pelo litoral peruano.
O tempo entre costuras, de María Dueñas
A narração é feita pela protagonista, Sira Quiroga, e passa pelos bastidores de dois grandes conflitos, a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial. Isso nos leva a passeios pela Espanha, Marrocos e Portugal. E com uma história fascinante que não dá para largar.
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