domingo, 28 de setembro de 2025

pachinko


"A história falhou conosco, mas não importa."
É assim que a coreana Min Jin Lee inicia sua saga, que percorre quatro gerações de uma família.

O ponto de partida é Yeongdo, ilha próxima à cidade portuária de Busan. Lá, um casal de idosos decide abrir uma pousada para complementar a renda. Com eles vive Hoonie, o único filho que sobreviveu, justamente o mais fraco. Nasceu com fenda palatina e um pé torto, e era uma das pessoas mais queridas da vila. Em um arranjo feito por uma casamenteira, casa-se com Yangjin, de origem extremamente pobre. Da união nasce Sunja.

A família segue administrando a pousada até a morte de Hoonie, deixando mãe e filha à mercê da invasão japonesa. A situação fica cada vez mais difícil, mas, ainda assim, elas encontram apoio na pequena comunidade e nos hóspedes habituais. Nunca sabem, porém, onde haverá um traidor. Todo cuidado é pouco. O romance retrata a ocupação japonesa da Coreia, a migração para o Japão e a discriminação sofrida pelos coreanos que passaram a viver no país.

Sunja cai na lábia de Koh Hansu, comerciante cheio de classe que se mostra totalmente apaixonado por ela. Ainda adolescente, acaba engravidando, o que deixa a mãe desnorteada. Mas descobre que Hansu é casado e não aceita a condição de amante. Resta-lhe, portanto, criar a criança sozinha.

Nesse meio-tempo, a pousada recebe outro hóspede: Isak, um pastor protestante que chega extremamente doente. Ao ouvir o que está acontecendo, decide se casar com Sunja e assumir a criança como seu filho. Juntos partem para Osaka, no Japão, para a casa do irmão dele. Lá passam a enfrentar dificuldades econômicas e, principalmente, o preconceito contra os imigrantes coreanos.

Ao longo das décadas, acompanhamos o crescimento dos filhos e netos de Sunja. Noa tenta desesperadamente integrar-se à sociedade japonesa. Já Mozasu, outro filho do casal, abandona os estudos e encontra prosperidade administrando casas de pachinko, jogo parecido com um caça-níquel. A atividade faz com que seja ainda mais desprezado pelos japoneses, mas é justamente ela que permite prosperar boa parte dos coreanos. Ele também encontra um grande amor, mas seu desfecho é deveras triste.

A narrativa expande-se para a geração seguinte, especialmente com Solomon, filho de Mozasu, que, apesar de formado em uma universidade dos Estados Unidos e fluente em inglês, japonês e coreano, sofre o racismo estrutural mesmo ocupando um cargo executivo em uma grande empresa.

Nos apegamos muito aos personagens. Sunja nunca desiste e está sempre cozinhando. Aliás, a comida é algo muito presente no romance. Chama a atenção o valor do arroz branco e o quanto ele era importante naquela época, tanto que foi o presente de casamento dado por Yangjin à filha. Também é com arroz branco que o novo casal é recebido ao chegar ao Japão. “Arroz branco. — Só por hoje, para a primeira noite de vocês aqui. Esta é a sua casa agora.”

Outro personagem que desperta curiosidade é Hansu. Nunca soube ao certo quais eram suas verdadeiras motivações. Em diversos momentos ele reaparece na vida da família, e fiquei me perguntando se também não era alguém tentando encontrar seu lugar no mundo. Afinal, ele próprio carrega uma história bastante triste, sobretudo pela morte do pai.

Também gostei muito de Kyunghee, cunhada de Sunja. Ela está sempre ao lado da família, buscando formas de enfrentar as dificuldades e seguir em frente. A amizade entre as duas talvez seja uma das relações mais bonitas do romance. Há ainda Kim Chang-ho, que acaba se aproximando da família e de Kyunghee.

O título remete ao pachinko, jogo em que habilidade e acaso se misturam. A autora mostra como uma família tenta construir uma vida entre dois países, sem ser plenamente aceita por nenhum deles. Foi adaptado para a TV em um excelente produção da Apple TV+, que quebrou a linearidade da história. Ainda fico com o livro, porém. Apesar de ver e rever a abertura da primeira temporada inúmeras vezes. É contagiante!


Curiosidade:

“Devido às exigências do governo colonial, era normal que os coreanos tivessem dois ou três sobrenomes, mas na Coreia ela praticamente não usava o tsumei japonês que aparecia em seus documentos de identidade (Junko Kaneda), porque não frequentava a escola e não tinha nenhuma relação com instituições oficiais. O sobrenome de nascimento de Sunja era Kim, mas no Japão, onde as mulheres adotavam o nome de família do marido, ela era Sunja Baek, que se traduzia como Sunja Boku, e em seus documentos de identidade seu tsumei agora era Junko Bando. Quando os coreanos tiveram que escolher um sobrenome japonês, o pai de Isak escolheu Bando porque soava como a palavra coreana ban-deh, que significa “objeção”, o que tornava seu sobrenome japonês obrigatório uma espécie de piada. Kyunghee havia assegurado a ela que logo todos aqueles nomes se tornariam normais.”


Por fim, um dos trechos que mais me marcou:

"Quando era uma jovem mãe, costumava haver apenas um momento em suas horas de vigília em que sentia uma espécie de paz, e era sempre depois que os filhos iam para a cama. Desejou vê-los como eram naquela época: as pernas gordinhas e brancas, os cortes de cabelo desiguais, porque nunca paravam quietos no cabeleireiro. Desejou poder desfazer as vezes em que os havia repreendido só porque estava cansada. Havia cometido tantos erros. Se a vida permitisse revisões, ela os deixaria ficar um pouco mais no banho, leria mais uma história para eles antes de dormir e prepararia mais um prato de camarão."

Certamente, eu deixaria o camarão de lado. Todavia este não é o objetivo do texto. Indico muito a leitura.

Nota: Cheguei até Pachinko por dois motivos. O primeiro foi a capa linda, com uma coreana em trajes típicos, o hanbok. O segundo foi porque vi no enredo que ele poderia ser a continuação de uma série coreana que eu tinha acabado de assistir, Mr. Sunshine. Ela retrata os últimos anos do Reino de Joseon, como a Coreia era conhecida até então. A história começa em 1871, época em que o país sofreu a invasão dos Estados Unidos e, posteriormente, a ocupação japonesa. Foi perfeito seguir essa ordem e conhecer uma história que ainda me era desconhecida.

domingo, 14 de setembro de 2025

o desabamento


Quando recebe a notícia da morte do irmão mais velho, Édouard não sente nada. Para não dizer absolutamente nada, pensa na mãe. É por ela que decide ir ao enterro. Durante o percurso, tenta entender o que aquele irmão significou para ele. 

"Talvez a gente possa ficar verdadeiramente e autenticamente consternado quando é tarde demais, não sei." 

As lembranças, porém, não são boas. O irmão não gostava de trabalhar, vivia arrumando encrencas e espancava as namoradas. Sua presença sempre esteve associada à violência.

Ainda assim, Édouard se recorda de alguns momentos que destoam dessa imagem, como quando foi morar por alguns dias com o irmão para estudar em uma escola melhor. Foi recebido de braços abertos. O irmão fazia questão de chamá-lo de "meu irmãozinho" e parecia feliz com sua presença. Mas não conseguia evitar a bebida. Sempre voltava bêbado para casa, deixando Édouard abalado e tomado pelo ódio. Lembra também de quando o irmão conseguiu um emprego no qual realmente acreditava. Parecia, enfim, disposto a mudar de vida. Mas foi completamente desestimulado pelo padrasto, pai biológico de Édouard, que já estava cansado das sucessivas tentativas frustradas do enteado.

Para compreender quem aquele homem realmente foi, Édouard conversa com a mãe, a irmã e antigas companheiras do irmão. Cada uma delas revela uma faceta diferente: o filho, o irmão, o companheiro agressivo, mas também alguém que, em alguns momentos, tentou construir outro caminho. Aos poucos, a imagem que parecia definitiva começa a ganhar nuances. 

"Meu irmão era tão despossuído de tudo, de dinheiro, de seus sonhos, de felicidade, que esse discurso de ódio era, de certa forma, tudo o que tinha." 

O livro é forte e corajoso. Apenas pelo fato de espancar as namoradas, o irmão já não pareceria merecer qualquer gesto de compaixão. Ainda assim, Édouard Louis decide ir além desse julgamento e tenta entender o que o levou a seguir esse caminho. Não para encontrar uma justificativa, porque ela definitivamente não existe, mas para, talvez, entender quem de fato ele foi no meio de tantas derrotas, humilhações e falta de perspectivas.

"Como esquecer quando não há nada pela frente?"

A escrita é direta, limpa, sem delongas. Em muitos momentos, tive a impressão de que havia alguém sentado à minha frente apenas contando essa história, de forma objetiva, quase fria. O desabamento foi meu primeiro contato com o escritor francês Édouard Louis, conhecido por transformar experiências pessoais em literatura. E terminei a leitura com a sensação de que ainda há muito a descobrir sobre sua vida por meio da sua obra.

sábado, 6 de setembro de 2025

sagarana



Obra de estreia de João Guimarães Rosa, Sagarana traz contos que narram a vida no sertão mineiro. Inicialmente apresentado, em 1938, como Contos para um concurso literário, ele foi refinado para sua versão que hoje temos em mãos. Para tanto, foram excluídos três textos, houve revisões, lapidações e a publicação em 1946 com o neologismo Sagarana, marca que se tornaria uma das principais características do autor.

S A G A R A N A. Soma do germânico saga (conjunto de estórias) com o tupi rana (à maneira de). Ou seja, à maneira das estórias orais. E é exatamente assim que lemos os textos. Parece que estamos ouvindo alguém a nos contar o que se passa no pedaço de terra “que era seu”, como o autor mesmo comentou em carta endereçada ao jornalista e amigo próximo João Condé:

“Àquela altura, porém, eu tinha de escolher o terreno onde localizar as minhas histórias. Podia ser Barbacena, Belo Horizonte, o Rio, a China, o arquipélago de Neo-Baratária, o espaço astral, ou, mesmo, o pedaço de Minas Gerais que era mais meu. E foi o que preferi. Porque tinha muitas saudades de lá. Porque conhecia um pouco melhor a terra, a gente, bichos, árvores. Porque o povo do interior — sem convenções, “poses” — dá melhores personagens de parábolas: lá se veem bem as reações humanas e a ação do destino: lá se vê bem um rio cair na cachoeira ou contornar a montanha, e as grandes árvores estalarem sob o raio, e cada talo do capim humano rebrotar com a chuva ou se estorricar com a seca. Bem, resumindo: ficou resolvido que o livro se passaria no interior de Minas Gerais.”

E para além do regional, da tradição de narrar causos, Sagarana, assim como outras obras de Guimarães Rosa, traz personagens animais que refletem, sentem e se relacionam com o mundo de modo próprio. Em alguns momentos, eles aparecem como personagens centrais, com escolhas e estratégias próprias. Em outros, são apenas montarias, puxam carros, compõem a paisagem. Há também os animais que aparecem apenas para serem apreciados. Os gaviões despertam admiração de um narrador, que os considera belos, porém, outro personagem rejeita essa visão estética. Para ele, beleza sem utilidade não tem valor. Até o urubu, que surge pairando no céu, é imediatamente associado à função que desempenha no ciclo da morte.

“Se o senhor doutor está achando alguma boniteza nesses pássaros, eu cá é que não vou dizer que eles são feios… Mas, p’ra mim, seu doutor não leve a mal, p’ra mim, coisa que não presta não pode ter nenhuma beleza…”

Ou seja, o animal vale para o que nos serve.

Em Conversa de bois, Manuel Timborna afirma que os animais falam. Seu interlocutor escuta com desconfiança, mas decide ouvir a história que começa com uma irara que se ajeita para ver a passagem de um carro de bois. Rosa descreve seus movimentos, suas escolhas e a forma como calcula o melhor lugar para permanecer escondida. Depois aparecem os bois, todos nomeados: Buscapé, Namorado, Capitão, Brabagato, Dansador, Brilhante, Realejo e Canindé. Eles sentem o calor, os insetos, o peso da carga e conversam entre si. Sabem que são bois de carro e distinguem-se daqueles que vivem apenas pastando, os bois em massa. Durante a viagem, acompanham também o menino Tiãozinho, que segue ao lado da junta levando o corpo do pai e lamentando ter que conviver com o carreteiro. Os bois observam tudo o que acontece ao redor e resolvem ajudar o garoto. Ficou para mim a questão: seriam os bois a metáfora para o peso que o garoto carrega?

“Que já houve um tempo em que eles conversavam, entre si e com os homens, é certo e indiscutível, pois que bem comprovado nos livros das fadas carochas. Mas, hoje-em-dia, agora, agorinha mesmo, aqui, aí, ali, e em toda parte, poderão os bichos falar e serem entendidos, por você, por mim, por todo o mundo, por qualquer um filho de Deus?!

— Falam, sim senhor, falam!… — afirma o Manuel Timborna, das Porteirinhas, — filho do Timborna velho, pegador de passarinhos, e pai dessa infinidade de Timborninhas barrigudos, que arrastam calças compridas e simulam todos o mesmo tamanho, a mesma idade e o mesmo bom-parecer; — Manuel Timborna, que, em vez de caçar serviço para fazer, vive falando invenções só lá dele mesmo, coisas que as outras pessoas não sabem e nem querem escutar.

— Pode que seja, Timborna. Isso não é de hoje:… “Visa sub obscurum noctis pecudesque locutae. Infandum!…” Mas, e os bois? Os bois também?…

— Ora, ora!… Esses é que são os mais!… Boi fala o tempo todo. Eu até posso contar um caso acontecido que se deu.” 


Em O burrinho pedrês, Sete-de-Ouros é chamado para uma caravana por falta de outras montarias. Velho e experiente, já passou por muitos donos e vive agora numa espécie de aposentadoria. Durante a viagem, acompanhamos os vaqueiros conduzindo uma grande boiada até o embarque no trem. Os bois chegam em massa, vindos de diferentes regiões, formando uma multidão de cores, tamanhos e origens. A boiada pressente a tempestade que se aproxima. Mais tarde, durante a travessia, alguns cavalos empacam diante da água. Os vaqueiros decidem então seguir a decisão do burrinho: se ele entrar no rio, todos entram. Sete-de-Ouros observa o ambiente, avança e atravessa a enchente nadando. Muitos homens e cavalos morrem na travessia, mas o burrinho consegue alcançar terra firme levando dois vaqueiros consigo. De volta ao curral, procura o cocho, come milho e se acomoda para voltar ao precioso descanso.

Em Sarapalha, o cenário é outro. O conto acompanha Primo Ribeiro e Primo Argemiro vivendo isolados numa região devastada pela maleita. Ali permanece também o cão perdigueiro Jiló, que circula entre os dois homens e acompanha o cotidiano daquele lugar marcado pela doença e pela solidão. No final, o animal terá que decidir com qual dos donos - a posse permeia as histórias - ficará.

Já em Minha gente, um rapaz da cidade visita a fazenda do tio e reencontra a prima por quem se interessa. A narrativa acompanha deslocamentos pela paisagem rural, sempre a cavalo. Durante o trajeto, aparecem diversos animais: vacas, zebus, bois, gaviões, carcarás, anus e urubus. Alguns são descritos pela aparência, outros pela utilidade. O cavalo, porém, permanece quase sempre apenas como montaria, acompanhando os personagens ao longo do caminho.

Em São Marcos, acompanhamos Izé, que vive em um povoado onde a feitiçaria faz parte do cotidiano. Embora declare não acreditar nessas práticas, ele passa constantemente pela casa de João Mangolô e zomba do feiticeiro. Em seus passeios pelo mato, dedica-se a observar a natureza, as cores, os ruídos, os movimentos mínimos. Certo dia, subitamente, fica cego. Desorientado, acaba recorrendo justamente à reza de São Marcos, que antes tratava com ironia. Ao pronunciá-la, recupera a visão e descobre que Mangolô havia “amarrado” simbolicamente seus olhos.

Corpo Fechado mostra um local conhecido por ter vários valentões. Manuel Fulô é um deles, famoso por suas histórias e trapaças, vê-se ameaçado por Targino, o novo chefe local, que anuncia publicamente sua intenção de dormir com sua noiva antes do casamento. Manuel recorre, então, a um feiticeiro que lhe promete “fechar o corpo” contra qualquer agressão. Como troca, exige sua querida mula. E eis que dá certo, e ele vence o adversário. A narrativa mistura superstição, disputa de poder masculino, desvaloriza a mulher e o animal. Tanto a mula que foi moeda de troca, como um rato e gato que também aparecem no conto, presos e forçados a fazerem amizade pelo próprio Fulô.

Em A hora e vez de Augusto Matraga, acompanhamos a trajetória de Nhô Augusto, homem violento e temido, que perde prestígio político e familiar. Espancado e dado como morto após tentar reagir à traição e à perda de seus aliados, é salvo por um casal de negros e passa por um período de isolamento e penitência. Trabalha, reza, busca redenção. Anos depois, ao encontrar o jagunço Joãozinho Bem-Bem prestes a executar uma família por vingança, intervém. 

A volta do marido pródigo nos mostra Lalino Salãthiel, que nunca gostou muito de trabalhar e que sempre sonhou com a oportunidade de sair daquela cidade pequena onde morava e ir para um lugar maior. Surge, então, a chance de ir para o Rio de Janeiro. Ele parte, deixa a esposa, Maria Rita, na cidade, e na capital cria para si uma nova história, uma narrativa de sucesso que talvez não corresponda exatamente aos fatos. Vive a cidade grande, aproveita o que pode, constrói uma imagem de si mesmo. Mas acaba voltando. E, diferentemente do filho pródigo bíblico, não é recebido com festa. Maria Rita já está casada com outro homem, um espanhol. É nesse momento que surge nele a vontade de recuperar o que perdeu. Resta saber se o desejo é amor, orgulho ferido ou simples incapacidade de aceitar que foi substituído.

Em Duelo, também temos uma situação envolvendo traição. Turíbio Todo surpreende a mulher com outro homem, Cassiano Gomes. Num primeiro impulso, pensa em atirar, mas não o faz imediatamente. Cassiano é perigoso, também é homem de arma. Turíbio decide, então, planejar melhor a vingança. Quando finalmente age, o plano dá errado: em vez de matar Cassiano, acaba matando o irmão dele. A partir daí, a situação se inverte. Cassiano passa a persegui-lo, e a narrativa se transforma numa espécie de caçada prolongada.

A violência aparece em vários momentos em todos os contos, seja nas relações entre os personagens humanos, seja no modo como lidam com outras espécies. Há também passagens marcadas por misoginia, especialmente quando reduzem mulheres a figuras moralmente suspeitas ou culpadas por traições e desordens familiares. Homens duelam, vingam, disputam mulheres, perdem poder, rezam, matam. E, no meio disso, os animais trabalham, puxam, carregam, são montaria, são companhia, são espetáculo. Vale muito a leitura, especialmente se você estiver disposto a ouvir os animais que lá falam. Mais que isso, a se questionar se realmente não há nada errado na forma com que os tratamos e o retratamos. Fica a dica e meu pedido.