sábado, 5 de abril de 2025

a pequena pousada da islândia




"Existe a satisfação de ouvir um hóspede dizer quanto gostou da hospedagem ou que o atendimento foi ótimo. Tem algo bom em poder tirar as pessoas da rotina, das tarefas, de lavar e passar roupa. Dar a elas uma folga. E todo dia é diferente; eu gosto da mecânica de ver tudo funcionando junto e interligado, como num quebra-cabeça."

Em A pequena pousada da Islândia, Julie Caplin nos leva para uma pousada cercada por neve, fontes termais e pela expectativa de ver a aurora boreal. O romance é bobinho e bastante previsível, mas ainda assim me deixei envolver pelo cenário e pela crença nos Huldufólk.

Lucy Smart gerencia um grande hotel em Londres. Porém, após um vídeo gravado pelo ex-namorado, vê sua reputação desmoronar. Resta-lhe apenas a possibilidade de trabalhar na pequena pousada Aurora Boreal, no interior da Islândia. Chegando lá, encontra funcionários despreparados que parecem culpar os elfos por todos os incidentes. Falam disso com tanta convicção que, assim como a protagonista, ficamos sem saber até que ponto estão brincando ou realmente acreditam naquelas histórias. A repetição foi tanta que acabei pesquisando e descobri que a crença nos Huldufólk (o "Povo Oculto" ou, simplesmente, elfos) faz parte do imaginário islandês. Há, inclusive, relatos de obras e estradas que já foram desviadas para evitar locais considerados seus habitats.

Enquanto tenta se adaptar, Lucy descobre que a pousada pode ser vendida e que sua permanência ali talvez seja breve. Ainda assim, decide tornar o local mais aconchegante. Nesse processo, aproxima-se de Alex, o barman escocês. Adivinhem o que acontece?

O que mais me agradou foi viajar por meio das palavras e conhecer um pouco mais sobre a Islândia, que certamente está nos destinos que quero conhecer. Já quero adotar o jólabókaflód ou, como foi traduzido, a “inundação natalina de livros”, hábito dos islandeses de dar livros de presente no Natal. Esse é o segundo livro que leio da autora e da série Destinos Românticos. O primeiro foi O pequeno café de Copenhague, mas a Islândia me pareceu muito mais convidativa ;-)

Para conhecer: Gullfoss (foto abaixo), Hallgrímskirkja, Blue Lagoon


clube de leitura dos corações solitários


"Levei o livro junto ao peito, com uma tristeza repentina e devastadora. Não por causa das pessoas que eu perdera e continuaria a perder, mas porque, mesmo com a perda sempre no horizonte, a vida ainda me chamava."

Ultimamente, tem surgido uma onda de romances que se passam em livrarias, bibliotecas ou giram em torno do amor pelos livros. Clube de Leitura dos Corações Solitários, de Lucy Gilmore, entra nessa mesma prateleira. É uma leitura leve, que entretém sem prometer grandes mensagens nem referências literárias sofisticadas.

A história gira em torno de Sloane Parker, bibliotecária introvertida, e Arthur McLachlan, idoso, rabugento e frequentador assíduo da biblioteca. A partir da relação inusitada entre os dois, outros personagens vão se conectando: a vizinha de Arthur, seu neto e um colega de trabalho de Sloane. Juntos, criam um improvável clube de leitura.

Como era de se esperar, nem tudo corre bem. Arthur tem um temperamento difícil e, mesmo entendendo que sua rigidez é para esconder suas verdadeiras emoções, confesso que em vários momentos considerei seu comportamento abusivo. Já Sloane vive enterrada nos livros e praticamente nunca se expõe ou entra em conflito. Está noiva de um quiropata que gosta dela, mas não desperta paixão, o que combina com o tom morno de sua vida. Guarda, porém, lembranças dolorosas da infância, dos conflitos familiares e da perda da irmã.

A vizinha é uma figura hilária. Ela tem suas questões com a filha, mas garante o toque de humor ao romance. Em contrapartida, o neto é um dos personagens mais sem graça que já vi. Sua presença em cena nada acrescenta, e suas descrições só pioram essa impressão.

Um ponto que me agradou foi a estrutura dos capítulos. Cada um é narrado sob o ponto de vista de um personagem. A abertura exibe a imagem de cartões de biblioteca, aqueles nos quais se anotavam os nomes de quem pegava o livro emprestado. Um detalhe simples, mas que chama a atenção.

Resumindo: não sei se indicaria. Há livros muito melhores para quem procura histórias sobre bibliotecas e livros. Um exemplo é A Biblioteca de Paris, de Janet Skeslien Charles.