sexta-feira, 31 de maio de 2013

as virgens suicidas

Estamos em um bairro residencial dos Estados Unidos nos anos 70. Sabe esses lugares pacatos e parados nos quais o entretenimento é basicamente cuidar da vida dos outros? Pois é, este é o cenário de “As virgens suicidas”, do autor norte-americano Jeffrey Eugenides. 

A história é narrada por um vizinho da família Lisbon: pai, mãe e cinco filhas entre 13 e 17 anos. O enredo é baseado no mistério, o melhor tempero da sedução. E é assim que as meninas atiçam a curiosidade de todos. Como estão sempre escondidas e vigiadas, o pouco que se sabe sobre elas se dá por meio de suposições. O narrador lança mão da descrição de outros tantos personagens na tentativa de adentrar nos sentimentos delas.

Os pais são extremamente protetores, em especial a mãe. As garotas praticamente não saem de casa, a não ser para ir à escola. E esse direito também lhes é tirado no decorrer da trama. Trancadas em casa, são alvo de conjecturas e paixões platônicas dos adolescentes que vivem nas redondezas. As informações sobre seus hábitos são colhidas por meio de pessoas que conseguiram entrar na casa, por meio dos lixos que vasculham ou pelos vultos que conseguem captar nas janelas de seus quartos. 

Logo nas primeiras páginas o interesse pelas Lisbon aumenta com o suicídio da caçula, durante a primeira – e última – festa que organizam. Na sequência, a família que já era excêntrica por suas manias e distanciamento, se vê ainda mais sucumbida à prisão de suas próprias crenças e, talvez, culpa.

A leitura é tensa. A descrição, embora breve, é precisa e nos leva ao mesmo patamar de dúvidas nunca saciadas dos garotos e, mais longe, ao mesmo desalento das meninas. O que passou por suas cabeças, nunca saberemos.

Em 1999, o livro deu origem ao primeiro filme dirigido por Sophia Coppola. A leitura ainda vale pelas breves referências aos anos 70, suas músicas, preconceitos e ânsia pela liberdade sexual e de expressão.

Trailer do filme


Trechos

"Por que as pessoas passam o tempo inteiro fingindo que são felizes?"

"Ficamos sabendo, enfim, que na verdade as meninas eram mulheres disfarçadas, que compreendiam o amor e também a morte, e que o nosso trabalho era apenas gerar o ruído que parecia fasciná-las."

"Elas nos fizeram participar de sua própria loucura, porque não conseguíamos deixar de refazer seus passos, repassar seus pensamentos, e ver que nenhum deles conduzia até nós."

"Em suma, o que temos aqui é uma sonhadora. Uma pessoa sem contato com a realidade."

quarta-feira, 15 de maio de 2013

livro dos bichos



Organizado em 1997 pelo escritor gaúcho Sergio Faraco, o "Livro dos bichos" traz uma bela seleção de poetas portugueses e brasileiros que viveram entre os séculos 16 e 20. Todos os poemas são dedicados aos animais. Olavo Bilac, Bocage, Fernando Pessoa, Álvares de Azevedo, Camões, Casimiro de Abreu foram alguns dos escolhidos. Nas palavras de Faraco, “este livro é dedicado à possibilidade e à beleza do convívio do homem com os animais, e também às pessoas que os amam.” Para ser lido sem pressa, aproveitando versos profundos como "Amo-te ó boi piedoso! Um sentimento de vigor e de paz tu me forneces”, do pernambucano Odilson Nestor.COLE

Além dos bois, ursos, morcegos, sabiás, corvos, leões, carneiros passam pelas páginas com suas angústias, divagações ou, simplesmente, aceitando as imposições dos seres humanos. Justa homenagem feita a todos os bichinhos.

Peço licença para reproduzir, na íntegra, o poema de Teixeira Pascoaes, português amante da natureza e do saudosismo. Sua obra tem me atraído ultimamente. Recomendo.

"Que triste o olhar do cão! Até parece
mais um queixume, um íntimo lamento
da noite interior que lhe escurece
o coração, que é todo sentimento.

E os mansos bois soturnos! Que tormento
em seus olhos, tão calmo, transparece...
E os olhos da ovelhinha e os do jumento!
Que tristes! Só o vê-los, entristece...

Chora, em todo o crepúsculo, a tristeza.
E além do ser humano, a natureza
é lívida penumbra feita de ais...

Por isso, o vosso olhar de escuridão
é mais lágrima ainda que visão,
ó pobres e saudosos animais!"

terça-feira, 14 de maio de 2013

a árvore e a casa


Depois de mais de vinte anos conosco, ela precisou ser transplantada. Verde e com folhas largas, a árvore que meu pai plantou na calçada de casa precisou ir embora.

Minha mãe gosta muito de plantas. Ela tem várias no quintal, seu jardim. Samambaias, boldo, alecrim, plantas diversas e, especialmente, orquídeas. Essas se tornaram sua grande paixão.

O carinho também se estende à árvore que tínhamos. Atenção com a poda, água e até com o cercadinho que a protegia. Mas sua raiz estava afetando o encanamento do vizinho e, posteriormente, os canos da rua. Sim, ela cresceu muito. E, pelo jeito, tinha ótima sustentação.

Foi uma decisão complicada. Tudo foi tentado para mantê-la perto de nós. Era hora, porém, de nos despedirmos da árvore. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente foi acionada para que ela fosse transferida para outra localidade. Ficamos tristes. Sabe quando você perde alguém que gosta muito? Foi assim com nossa plantinha. Preocupada, minha mãe acompanhou todo o procedimento para a retirada da árvore.

Pode parecer bobeira, mas acredito que as plantas têm sentimentos. Lembro quando minha mãe foi para o Japão em 2008. Pouco antes da viagem, ela podou a árvore. Pode parecer mentira, mas durante sua ausência nenhum galho ou folhinha cresceu. Estava murcha, parecia doente. Quando minha mãe voltou, lá estava ela, novamente cheia de folhas, grande. Viva.

Na época em que meu pai a plantou, era apenas uma mudinha. Com o passar dos anos, assim como meus irmãos e eu, cresceu. Cobria até os fios elétricos de casa e dos vizinhos. Era referência para as visitas: “ao descer a rua, é a casa com uma árvore na frente.”

Ela não está mais lá. Foi para uma rua próxima, mais arborizada. Segundo a subprefeitura, a árvore permanece na região para manter o equilíbrio da fauna e flora. Fui até o novo endereço na expectativa de vê-la, mas eram tantas as árvores que fiquei confusa. Engraçado que lá no meio de tanto verde, uma me chamou a atenção, talvez fosse ela. Agora o carinho e a recordação de infância ficarão sempre comigo. Simbolicamente, guardei um galho com algumas folhinhas. Lembrança deixada na calçada no dia em que ela teve que partir. Quem sabe não seja uma breve viagem.

A árvore

“Canção divina as cousas comovia,
E de ternura as árvores choravam...
E lembrava o luar a luz do dia
E os ribeiros, extáticos, paravam.”

Trecho do poema “A sobra de Eurídice”, de Teixeira Pascoaes, poeta e escritor português (1877/1952). Amante da natureza, seus versos transitam pela 'experiência existencial da saudade”.



domingo, 12 de maio de 2013

um livro chama outro. e outro.

E quando você  não quer terminar de ler o livro? Afeiçoou-se tanto a ele que o iminente fim da história lhe deixa um vazio. É quando começa a busca por outros títulos do mesmo autor. Algo que traga novamente a sensação de amparo que os bons livros conseguem dar. São eles os melhores conselheiros. Sem serem invasivos. Sem julgamentos. Dizem apenas o que queremos ouvir, afinal a interpretação é nossa. Livre, desinibida e muito, muito particular.


sexta-feira, 10 de maio de 2013

garota exemplar

“Se este livro terminar do que jeito que estou imaginando, vou ficar extremamente decepcionada.” Foi o que eu disse quando estava mais ou menos na metade de ‘Garota Exemplar’, da jornalista norte-americana Gillian Flynn. Não que estivesse cansada da leitura, mas porque a estava adorando e não queria ser surpreendida de forma negativa.

O romance fala de casamento e o que de pior ele pode ocasionar. Mais que isso, aborda os perigos de nos ligarmos a pessoas que se consideram perfeitas e especiais. O relato é feito pelo próprio casal, individualmente. Nick conta seu ponto de vista como desabafo e Amy por meio de seu diário (deixo aqui um ponto de interrogação). Cheio de retrospectivas, tem a trama central ambientada quando estão prestes a completar cinco anos de união. Temos as verdades, mentiras e as falsas percepções de ambos sobre tudo.

O relacionamento começou numa festa no Brooklin. Amy já estava com mais de trinta anos e se sentindo a solteirona da turma. Nick apareceu como sendo a pessoa certa para ela passar o resto da vida. Seus pais são psicólogos que enriqueceram escrevendo “Amy Exemplar” (daí o título), série de livros infanto-juvenis inspirados na filha única. Além da homônima, ela tem que lidar com o matrimônio perfeito dos pais. Eles são inseparáveis, nunca discutiram e estão sempre felizes. Como ela própria diz, quem convive com família desunida tem seus problemas, mas quem está dentro do ambiente sem defeitos também tem questões a serem resolvidas.

Os pais de Nick são divorciados. A forma impositiva e arrogante com que seu pai tratava a mãe fez com que bloqueasse a expressão de seus sentimentos. Desenvolveu um sorriso que serve praticamente para todas as ocasiões, na expectativa que pudesse se passar sempre por simpático, sem se expor. Sua vida desmorona quando perde o emprego na revista em que trabalhava como jornalista cultural. Sente-se fracassado, sobretudo, por ter bem menos dinheiro que a esposa. A doença terminal da mãe é só o pretexto que precisava para sair da Nova-York-com-cara-de-Amy e retornar à cidade natal, no centro-oeste dos EUA. Tentativa de fugir do que queria ser e nunca foi. Com a irmã e o dinheiro da esposa, abre um bar. Na manhã do aniversário de casamento, Amy some. A polícia encontra sinais de briga forjada e Nick é suspeito.

O thriller já caminhava de forma eletrizante quando que gritei: “Reviravolta no livro.” Confesso que o drama adentrou no rumo que eu havia suposto. Mas felizmente isso não comprometeu seu suspense, mesmo com diálogos clichês. Enfim, ouvindo os dois protagonistas sentimos que tudo poderia ter sido diferente, e valido a pena, se. E somente se. Não vou contar mais. Até porque vocês têm que ler a história. Enquanto isso, cuidado com seu cônjuge, principalmente se a pessoa acredita conhecer muito bem você.



Frases

“Eu teria feito qualquer coisa para me sentir real novamente.”

“Estou cansada de não saber com quem estarei, ou se estarei com alguém.”

“Há uma diferença entre realmente amar alguém e amar a ideia dessa pessoa.”

“Na verdade, queria que ela lesse minha mente para eu não ter de me rebaixar à arte feminina da articulação.”

“Eu sou um grande fã da mentira por omissão.”

“Algumas vezes puni você por não ser capaz de ler minha mente, por não ser capaz de agir exatamente da forma como eu queria que agisse naquele exato momento.”

“Muitas pessoas carecem deste dom: saber quando se mandar.”

“Eu estava fingindo, como muitas vezes fazia, fingindo ter uma personalidade.”

quarta-feira, 1 de maio de 2013

o tempo entre costuras

María Dueñas me conquistou. Li seu segundo livro, “A melhor história está por vir”, sem pausas. Agora terminei o best-seller “O tempo entre costuras”, primeiro romance da escritora.

A narração é feita pela protagonista, Sira Quiroga, e passa pelos bastidores de dois grandes conflitos, a Guerra Civil Espanhola (1936/1939) e a Segunda Guerra Mundial (1939/1945). Personagens fictícios interagem com personalidades reais desse período, como Juan Luis Beigbeder y Aienza, Allan Hillgarth, Rosalinda Fox, Serrano Suñer. Todos envolvidos em questões políticas, serviços de inteligência e a administração do protetorado espanhol em Marrocos.

Sira mora com a mãe em Madri. As duas são costureiras e levam a vida sem extravagâncias ou sobressaltos. E também sem muito entusiasmo, fica noiva de Ignacio. Para ela, apenas “alguém com quem passar o resto da minha vida adulta sem ter de acordar a cada manhã com a boca cheia de solidão.” Até que ele a leva para comprar uma máquina de escrever. A aquisição seria o último passo do casal ao altar. Ela aprenderia novo ofício, já que a iminente guerra civil havia prejudicado todos os tipos de negócios, inclusive os ateliês de costura. Enquanto o noivo está atento a todos os detalhes do equipamento, ela boceja e vai dar um passeio pela loja. É quando Ramiro aparece com seu ar galanteador, poderoso e requintado. O oposto do pacato Ignacio. Sira estremece. A paixão arrebatadora põe fim no noivado e ela parte com o amante para Marrocos. Ainda não sabia que seria abandonada grávida, endividada e com processos judiciais nas costas.

Dividido em quatro partes, o livro mostra o amadurecimento e as reviravoltas da protagonista ao longo dos anos e dos lugares que frequentou em Tetuán, Madri e Lisboa. A habilidade com a costura apresenta a Sira outro mundo: sofisticado, mas cheio de espionagem e traições políticas. E é justamente esse ofício que a transformará de ingênua em astuciosa e requisitada. A personagem foi muito bem construída e o modo com que é descrita nos permite perfeita visualização de seus traços, seus trejeitos, suas roupas. Tudo de acordo com a ocasião em que se encontra. “Nunca desmenti nem uma vírgula da imagem que havia se formado de mim... Também não a alimentei: simplesmente me limitei a deixar tudo em suspense, a alimentar a incógnita e me fazer menos concreta, mais indefinida: grande gancho para atrair a curiosidade.” Leitura obrigatória para quem aprecia bons livros. A espanhola Antena 3 adaptou o roteiro para a televisão.


Trechos

“Eu era céu e as estrelas, a mais bonita, a melhor. Meu cabelo, meu rosto, meus olhos. Minhas mãos, minha boca, minha voz. Eu inteira configurava para ele o insuperável, a fonte de sua alegria.”

“Não me repreendeu nem me pediu que reconsiderasse meus sentimentos. Só pronunciou mais uma frase, lentamente, como se escorresse.
- Ele nunca vai amá-la tanto quanto eu.”

“Não era exatamente alegria que eu sentia nos ossos enquanto os últimos raios de sol acompanhavam meus passos de volta para casa. Nem entusiasmo, nem emoção. Talvez a palavra que melhor se encaixasse no sentimento que me invadia fosse orgulho.”

“Mas errei, como quase sempre se erra quando construímos concepções com base no frágil apoio de uma simples ação ou algumas palavras.”

segunda-feira, 29 de abril de 2013

ler é assim

E quando você não quer fazer nada além de ler? As pessoas lhe chamam. Mas você não consegue desgrudar do livro. Com relutância levanta o olhar para ver quem pede sua atenção. Pode parecer que você é egoísta. Ensimesmado. Abstraído da realidade. Não compreendem. A leitura é deveras importante para ser deixada de lado. Há personagens que precisam de você. Narrativas que só serão rematadas com a sua ajuda. Enfim. E não por outro fim.


domingo, 21 de abril de 2013

a vida privada das árvores

'A vida privada das árvores' é o segundo romance do chileno Alejandro Zambra. Escrito em 2007, somente agora chegou ao Brasil, em uma bela edição da Cosac Naify.

O livro conversa com a obra anterior do autor, 'Bonzai'. Personagens e histórias que se misturam e nos confundem. Aqui temos Julián. Em 'Bonzai' era Julio. Julián foi um erro do escrivão que não quis entender o nome que lhe foi ditado. E assim ficou.

O narrador avisa que o romance só terá fim quando Verónica chegar - ou quando Julián tiver a certeza de que isso não vai mais acontecer. É ela quem Julián espera enquanto tenta entreter a enteada Daniela. Para tanto, conta a história que criou sobre duas árvores amigas. Em determinado trecho a menina dorme e ele revisita sua própria vida, os momentos com os pais, o relacionamento anterior, vazio e indiferente, e os bolos de três leites que o levaram até o casamento com Verónica e ao papel de padastro.

Como Julio, Julián também quer ser escritor. É incapaz de se mover diante de situações inesperadas, prefere horas de estagnação a ter que agir. Às vezes prefere imaginar o que poderia acontecer. Nesses momentos sua hipotética ação mistura-se com seu texto inacabado. Verónica está tendo aula de desenho. Mas há muito tempo já era para estar em casa. Ela demora. Ele divaga. A garota dorme e o futuro chega. Cabe a nós, leitores, separmos a ficção da suposta realidade desse intrigante e suscinto romance. E dar-lhe o fim que desejamos.

Trechos

"Os protagonistas são um álamo e um baobá que de noite, quando ninguém está vendo, conversam sobre fotossíntese, esquilos, ou sobre as numerosas vantagens de serem árvores e não pessoas ou animais ou, como eles dizem, estúpidos pedaços de cimento."

"Julián não queria recuperar o amor, pois deixara de amá-la havia muito tempo. Deixara de amá-la um segundo antes de começar a amá-la. Soa estranho, mas é assim que ele sente: em vez de amar Karla, ele amara a possibilidade do amor, e depois a iminência do amor."

"Tudo bem, era sem compromisso, como deve ser: ama-se para deixar-se amar e se deixa de amar para começar a amar outros, ou para ficar sozinho, por um tempo ou para sempre. Esse é o dogma. O único dogma."

"Não vai recordar nenhuma história que dê sentido a seu presente, ao passado, ao futuro. Não quer se enganar. Sua vida não mudou: não sabe mais, não sabe menos. Não sente mais, não sente menos."

"A gente nunca está contente com o que é. Seria estranho estar totalmente contente."

quinta-feira, 18 de abril de 2013

dia nacional do livro infantil

Hoje (18/4) é o Dia Nacional do Livro Infantil. Livros e Motivos já publicou diversas dicas de obras voltadas às crianças. Confira abaixo algumas delas e incentive a leitura.


De como enganei o sol, de Ricardo Azevedo
Sabe quando você programa uma atividade ao ar livre e conta com o sol. Lá, brilhando e aquecendo seu lazer? Pois é assim com o protagonista deste livro infantil. O garoto veste o uniforme e sai para jogar futebol no campo. Mas tão logo põe os pés na calçada vê o tempo se fechando, “ameaçando um toró”. Desanimado, volta para casa, veste outra roupa, mais adequada à chuva, e muda seus planos. Leia mais.

O cavalinho pinga fogo, de Fernando Lobo
É na Vila Tristeza, que de tristeza não tinha nada já que todos eram felizes, que nasceu e cresceu Pinga Fogo. O nome foi dado por um dos meninos do local, o Alemão, que conheceu o cavalo ainda pequeno. O ponto de encontro deles e de todas as outras crianças era o lago. Lá eles pulavam na água, comiam as frutas frescas que havia nos arredores e se divertiam muito, sempre acompanhados de Pinga Fogo, que repetia os gestos da molecada. Leia mais. 

A bola e o goleiro, Jorge Amado
O futebol era uma das paixões de Jorge Amado. E esse amor rendeu um belo livro infantil, “A bola e o goleiro”, escrito em 1984. O romance fala sobre Fura-Redes, a bola quek era a alegria dos artilheiros. Com ela, os jogadores faziam gols sensacionais e inesquecíveis. Os locutores também ficavam enlouquecidos ao narrarem seu percurso. A habilidade para balançar a rede deu-lhe vários apelidos, tais como Esfera Mágica, Goleadora Genial, Pelota Invencível e Redonda Infernal. Leia mais.

Maria vai com as outras, Sylvia Orthof
Maria é uma ovelha que segue exatamente o que as outras fazem. Se todas estão indo para o polo norte, ela vai. Se vão para o deserto, lá está Maria, mesmo passando muito calor. Se todas sobem, ela sobe. Se descem, ela desce. Até que resolvem comer jiló. Maria não gosta, mas mesmo contrariada come. Leia mais.

Quem sou eu, Gianni Rodari
O título do livro é a pergunta que Pedro faz a todos que encontra pelo seu caminho: mãe, irmã, amigos, motorista do ônibus e até a revista em quadrinhos. O resultado é a soma dos substantivos que indicam o que ele é para cada um dos interlocutores: filho, irmão, amigo, passageiro, leitor. Leia mais.

Marcelo, marmelo, martelo,  Ruth Rocha
Marcelo tem muitas dúvidas. Quer saber por que a chuva cai, por que o mar não derrama e por que o nome dele não é marmelo ou martelo. Aliás, ele passa a implicar com os nomes dos objetos, das pessoas. Para ele, cadeira tem que se chamar sentador. Travesseiro é cabeceiro. Leia mais.

Fonchito e a lua, de Mario Vargas Llosa
Fonchito é um garoto que mora em Lima. Seu sonho é dar um beijo na menina mais bonita da escola, a Nereida. Timidamente, ele toma coragem e faz o pedido. Ela fica vermelha e aceita, mas com a condição de que ele lhe traga a Lua de presente. E aí? Será que essa foi a forma que Nereida, delicadamente, encontrou para dizer “não”? Leia mais.  

Da pequena topeira que queria saber quem tinha feito cocô na cabeça dela, Werner Holzwarth e Wolf Erlbruch 
Imagine a situação: você acorda feliz. Dá aquela espreguiçada gostosa e, de repente, um cocô enorme cai bem em cima da sua cabeça. "Redondo, marrom, um pouco parecido com uma salsicha". Pois é isso que acontece com a toupeira neste hilariante livro dos alemães Werner Holzwarth e Wolf Erlbruch. Leia mais.

Mania de explicação,  Adriana Falcão
“Dificuldade é a parte que vem antes do sucesso.” “Sentimento é a língua que o coração usa quando quer mandar algum recado.” Estes são dois trechos do poético livro “Mania de Explicação”, de Adriana Falcão com ilustração de Mariana Massarani, que traz a fértil imaginação da menina que buscava explicação para tudo. Leia mais.

A estrela curiosa, de Walcyr Carrasco
Você sabe como se faz uma estrela? É fácil: "pegue um pouco de pó de Lua, misture com farinha de astros, incendeie com fogo do Sol e mexa com muito carinho!" Pronto. Agora é só moldar as estrelinhas e entregá-las às fadas que vão pendurá-las no céu com fios invisíveis. Essa receita está no livro "A estrela curiosa", de Walcyr Carrasco. Leia mais.

História pra boi casar, de Alessandra Roscoe
Era uma vez um boi que queria casar. Mas ele morava numa fazenda que não permitia essa união. Dizia-se que o fazendeiro não era nada casamenteiro. Então, o boi fugiu para terras que permitiam o amor. Esse é o enredo de “História para boi casar”, de Alessandra Roscoe, homenagem às cantigas e histórias contadas na infância. Leia mais.

Quatro amigos, Tatiana Belinky
O livro de Tatiana Belinky conta a história de quatro amigos (homem, cachorro, gato e gavião) que fizeram o pacto de lealdade. A partir do lema dos três mosqueteiros “um por todos e todos por um”, prometem que vão estar sempre juntos. Leia mais.

O gatinho perdido, de Therezinha Casasanta
Neste livro temos uma doce menina, a Lelinha, que encontra um gatinho perdido. Leva-o para casa e é repreendida pela mãe, pois não é certo ficarmos com algo que não é nosso. Então, a garota sai pelo bairro de porta em porta a procura do possível lar do bichano. Leia mais.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

e eu me rendi ao e-book

Estou lendo meu primeiro e-book. E confesso: adorando a experiência. Comprei meu e-reader recentemente. Mas com a promessa de não abandonar os livros impressos com suas texturas, cheiros e formas.

Meu aparelho é leve. A tela lembra muito o papel. Dá para fazer anotações. “Dobrar” a ponta da página. Ressaltar palavras e textos. Tem dicionário. É possível armazenar uma biblioteca inteira. Cabe fácil, fácil na bolsa. Aprendi as vantagens do formato e-pub e sua versatilidade ao permitir aumentar, diminuir e até trocar a fonte do texto. Ao mesmo tempo, questiono-me sobre a pirataria e a eventual adulteração. Tudo parece ser mais fácil no meio digital. Para o bem e para o mal.

Antes do meu leitor digital com tela monocromática, já havia tentado ler no meu tablet. Não gostei. Penso que é local para leituras rápidas. Talvez possa cair bem para livros infantis – cheios de animações, porém, para meus livros ainda fico com o preto no branco. Cansa bem menos a vista.

A desvantagem é que não dá para aninhá-lo nos braços após trecho que nos deixa, assim, a fantasiar. Ele precisa de energia elétrica para funcionar, o que requer cuidado para não ser surpreendida pelo fechamento automático do arquivo. Acredito ainda que o meu brinquedo novo não durará séculos, como certas reproduções que o tempo torna cada vez mais valiosas.

Enfim, há pouco mais de um ano, publiquei aqui no blog o post “Nunca li e-book”. Continuo pensando da mesma forma. Mas enquanto o mercado editorial, de forma incerta, discute o futuro do livro, eu apenas descubro nova forma de viajar por meio da literatura.