quinta-feira, 8 de março de 2012

nunca li e-book



Cena de "The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore"

Penso que é muito mais fácil folhear um livro que percorrê-lo com a ajuda das telas touch screen. Sou entusiasta da tecnologia e, também, tenho como objetos de desejo todos os i-something disponíveis. Todavia:

1. Gosto de sentir o livro. Eles têm cheiros, formas. Eles guardam marcas que podem ser impregnadas em outras pessoas.

2.  Podemos ter boas surpresas ao abri-los aleatoriamente. Quiçá uma frase que precisávamos naquele momento ou um estalo para um projeto maior.

3.   Sou nostálgica. Quando criança, pegava um dos volumes que tinha em casa e ia com ele para o quintal. Sentava e folheava as páginas lentamente. Em minha ingênua imaginação, as pessoas a passar pela calçada diriam: “nossa, ela já lê, que bonitinha.” O efeito seria o mesmo com computador? “Nossa, que bonitinha. Já sabe mexer em tablet.” Não, definitivamente, não.

4.  Marco meus trechos favoritos para depois relê-los. Partilhá-los. Sei que isso é possível com e-books. Mas eles não permitem os marcadores adesivos e coloridos pelos quais sou aficionada.

5.  As estantes com várias capas, organizadas por autor, são encantadoras. E o que dizer das bibliotecas, das livrarias e até da cabeceira da cama sem os livros impressos? E, acima de tudo, livros dentro de kindles e tablets jamais serão únicos. São cópias digitais.

6.  A bateria dos livros nunca acaba. Ela se autorrenova. Os livros curam e são curados.

7.  Enfim, eles têm vida própria. Dançam, cantam, voam e nos conduzem.

Encontrei a ilustração perfeita para todas essas minhas inclinações no curta-metragem de animação vencedor do Oscar de 2012: “The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore”, de William Joyce e Brandon Oldenburg, inspirado no livro com o mesmo nome. Lá está a história de um rapaz apaixonado pela literatura. Após um furacão, ele é transportado por livros voadores e por uma bela moça até uma fantástica biblioteca. Instigante e com pinceladas de “O Mágico de Oz”, ele reproduz com exatidão o porquê de os livros ainda não terem sido substituídos pelo e-book. Sem mais explicações. “Mas se a vida está sendo curtida, precisa fazer sentido?”, escreveria o protagonista.

Assistam. E leiam J
  


2 comentários:

  1. Olá Kátia.
    Você nem imagina como fiquei feliz em encontrar um blog onde os textos são bem escritos.
    As pessoas assassinam nossa língua sem dó, cometem erros crassos e nem sabem o que estão escrevendo. Eu administro 2 blogs literários e claro, uso algumas expressões comuns aqui na internet como kkkk haha :) :( mas com cuidado, claro. Cometo erros, mas fico atenta para que possa evitá-los.
    Aproveito o espaço para dizer que AMO livros também, suas formas, o cheiro do papel etc. Mas uso um sony reader quando leio algumas obras que não encontro para comprar em papel. Ele é ótimo e não "machuca"os olhos pois não emite luz. Mas não troco o bom e velho livro de papel. Parabéns pelo blog. bjs

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    1. Oi, Rosana!! Fiquei feliz ao ler sua mensagem. Muito obrigada! Os livros são muito fascinantes. E viciam. Quero conhecer seus blogs também. Beijos!

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