quarta-feira, 30 de setembro de 2020

a irmã sol



"Uma coisa que aprendi é que jamais devemos guardar coisas especiais para depois, porque o amanhã pode nunca vir."

Mais um pra conta. É assim que lido com os livros de Lucinda Riley. E "A irmã sol" dá sequência à série das sete irmãs, que venho lendo desde 2015. O enredo é basicamente este: seis irmãs adotadas por um cara muito rico que mora na Suíça. O que ele faz ou pensa são enigmas que nem mesmo as filhas sabem decifrar. Até que morre e deixa algumas pistas sobre a origem de cada uma delas. A partir daí, todas partem para diversas regiões do mundo em busca de suas famílias biológicas. Claro que há viagem ao passado e muitos, muitos lugares-comuns. Ainda assim, eu gosto. Leitura previsível, mas leve e que nos permite acompanhar um pouco da história dos locais pelos quais as irmãs passam. Já teve Brasil, Espanha, Inglaterra, Noruega e Austrália. Desta vez, a história parte de Nova York, local em que nossa protagonista, Electra D'Applièse, foi abandonada, e vai até o Quênia, país que guarda seus ancestrais. Supermodel, ela entra em crise quando o namorado rockstar a abandona. No meio da confusão, recebe uma carta de uma mulher que diz ser sua avó. Mais tarde, descobre tratar-se de uma renomada ativista de direitos humanos. Há ainda uma história de amor não tão romântica, envolvendo uma filha de ricos que deixa a cidade grande para se aventurar com a tia na África. Vale a leitura? Se gostar dos elementos que elenquei, sim. Confira as resenhas anteriores.

As sete irmãs (Brasil)

A irmã tempestade (Noruega)

A irmã da sombra (Inglaterra)

A irmã da pérola (Austrália)

A irmã lua (Espanha)

sábado, 29 de agosto de 2020

a sociedade literária e a torta de casca de batata




"Talvez haja algum instinto secreto nos livros que os leve a seus leitores perfeitos. Se isso fosse verdade, seria encantador."

Gosto muito de livros que retratam episódios da segunda guerra mundial, mas geralmente eles tendem a ser pesados com os relatos das batalhas e dos prisioneiros. Já este romance epistolar, mesmo que tenha episódios tristes, mostra de forma até divertida a união de pessoas que sobreviveram. A sociedade do título foi criada para servir de álibi aos moradores de Guernsey, ilha britânica no Canal da Mancha, que foi invadida pelos alemães. Uma das habitantes, na tentativa de despistar os inimigos após uma pequena reunião entre vizinhos, diz que todos estavam no tal clube literário. Rapidamente, eles têm que se mobilizar para fazer valer a mentira. E não é que tomam gosto pelos livros e pelas conversas em torno dos romances. Tudo isso é contato por meio de cartas para a jornalista e escritora Juliet Ashton, que mora em Londres. As missivas começam com Dawsey Adams, que encontra o endereço de Juliet em um livro que ela vendeu para um sebo há tempos. Ele escreve pedindo informações sobre um autor e assim começa uma interessante troca de mensagens, que acaba envolvendo os demais moradores da ilha. Resultado: ela vê ali uma interessante história para seu próximo livro. Mas a viagem lhe dá muito mais que isso. Ela própria teve suas perdas durante a guerra e Guernsey pode ser o recomeço. O livro também é uma homenagem à literatura e as possibilidades que ela nos traz, pois foi o interesse comum pelos livros (mesmo que no início de forma forçada) que levou a uma série de encontros. Só não assistam à versão para o cinema antes de ler o romance ;-)

"Não consigo pensar em solidão maior do que passar o restante da minha vida com alguém com quem não possa conversar ou, pior, com alguém com quem não possa ficar em silêncio."

sábado, 15 de agosto de 2020

os vestígios do dia



"Pela minha experiência, muita gente se acha capaz de galgar níveis mais altos sem fazer a menor ideia das grandes exigências envolvidas. Com certeza, não é coisa adequada para qualquer um."


Gosto muito de narrativas que trazem a Inglaterra dos grandes casarões. E comecei a ler este livro justamente depois de ter terminado de assistir ao filme "Downton Abbey”, sequência da brilhante série com seis temporadas, e que está entre as minhas favoritas. Portanto, foi extremamente difícil não associar a figura do protagonista, o mordomo Stevens, com Charles Carson, o mordomo da série interpretado por Jim Carter. Eu chegava a ouvir sua voz na narrativa de Ishiguro. Tanto que, apesar de sua bela interpretação, não consegui ver Stevens na pele de Anthony Hopkins, na versão cinematográfica de 1993.

Aqui temos a história e a dedicação de décadas de um mordomo à casa em que trabalha, Darlington Hall, e aos seus moradores, em especial Lord Darlington. Empenho que começou observando seu pai, também um importante mordomo. Este cargo era o ápice na ala dos empregados dessas mansões. Aliás, havia dezenas deles para dar conta de cada serviço: arrumar, lavar, limpar, cozinhar, servir a mesa, vestir os patrões, cuidar das crianças e muito mais. Ou seja, parece que às ladies e aos lords restava apenas o ato de respirar. Mas não estou aqui para julgar.

A narrativa começa com Stevens, já idoso e debilitado, refletindo sobre a necessidade de ter uma pessoa a mais lhe ajudando nas tarefas. Ele até tem um pessoa em mente: a antiga governanta, miss Kenton, e decide ir pessoalmente perguntar se ela toparia retornar. Muitos anos já se passaram dos dias de glória da casa, agora com o orçamento adequado aos novos tempos, o que inclui um quadro de empregados bem mais enxuto, basicamente com duas pessoas. E o zeloso colaborador não sabe bem como abordar a questão com seu novo patrão, Mr. Benn, rico norte-americano que acabou de comprar Darlington Hall e que está imprimindo seu estilo à habitação, o que deixa Stevens bastante confuso e inseguro. Mas, do seu jeito, ele tenta se encaixar no novo modelo de trabalho. Bem engraçada a passagem em que treina piadas para parecer descontraído diante do chefe, que está sempre soltando tiradas "engraçadas". Claro que não é bem sucedido. Ainda assim, vemos seu esforço.

Foi impossível não fazer uma analogia de seu empenho ao de inúmeros funcionários que atuam em grandes corporações. E que, de repente, se veem obsoletos, sem grandes atribuições. Ou que são descartados em prol do novo. Stevens tenta se mostrar aberto às mudanças. Embora, lá no fundo sinta saudades do velho tempo e tenha convicção que o seu jeito é o jeito certo de se fazer as coisas.

Ocorre que ao falar com Mrs. Benn sobre a possibilidade de Miss Kenton, o primeiro entende que ele quer visitar uma pretendente e acaba insistindo para que ele tire férias para viajar pelo interior inglês. Assim, começa sua meticulosa jornada de carro. Enquanto dirige ou para para observar as paisagens e dormir, relembra os principais momentos de sua vida, incluindo as oportunidades perdidas. Ele terá a chance de reverter uma delas, mas as obrigações do ofício falarão, como sempre, mais alto. Inclusive, sentiremos raiva dele em vários momentos, sobretudo no que diz respeito ao seu pai. A despeito de todas as mudanças, Stevens segue fiel aos princípios que fizeram dele um grande mordomo. Ele não abre mão da dignidade que sempre prezou e o trecho a seguir descreve muito bem tudo o que envolve sua profissão e o que pensa dela:

"Dignidade tem a ver essencialmente com a capacidade de um mordomo de não abandonar o ser profissional que lhe habita. Mordomos menores abandonam seus seres profissionais em prol da vida pessoal à menor oportunidade. Para essas pessoas, ser mormo é como desempenhar um papel numa pantomima; um pequeno empurrão, um ligeiro tropeço e a fachada despenca, revelando o ator que há por baixo dela. O grande mordomo é uma virtude de sua capacidade de habitar seu papel profissional - e de habitá-lo até o fim. Não se deixa abalar por acontecimentos externos, por mais surpreendentes, alarmantes ou constrangedores que sejam."

Como julgá-lo quando ainda vemos muitos profissionais deixando de lado suas vidas para ir atrás das metas corporativas? Será que é muito diferente do que Stevens fez? Precisamos, nós, de um olhar espantando diante do que pensamos sobre carreira e trabalho. Felizmente, isso parece estar acontecendo.

"Miss Keaton", garanti a ele, "é uma profissional dedicada. Sei, com toda a certeza, que não tem nenhum desejo de consistir família."

sexta-feira, 31 de julho de 2020

uma história incomum sobre livros e magia



Está aí um livro que me chamou a atenção no momento da compra, mas que não deu certo. Apesar de a proposta ser interessante, “Uma história incomum sobre livros e magia”, da escritora Lisa Papademetriou, a leitura foi concluída sem grandes marcas e com muita insistência rs. Tanto que mal me lembro do desfecho.

Duas adolescentes norte-americanas cheias de dúvidas, medos e baixa autoestima vão para a casa de parentes com a expectativa de vivenciar experiências diferentes. Enquanto Kia parte para o Texas na casa da divertida tia avó Lavínia, Leila vai para o Paquistão passar um tempo com a família do seu pai. Enquanto uma só quer se recolher em seus pensamentos e música, a outra espera viver grandes aventuras.
Durante suas jornadas, ambas se deparam com o inusitado "O cadáver excêntrico", livro em branco que vai tomando forma conforme elas resolvem colocar seus próprios pensamentos neles. A partir daí, vamos conhecendo outra história, a de Ralph e Edwina, que se apaixonam muitos anos antes. E é isso. Totalmente dispensável.

sábado, 4 de julho de 2020

a adorável loja de chocolate de paris




"Se você muda qualquer coisinha quando tem algo perfeito, fica tudo errado! Errado, horrível e um desastre."

A história começa na Inglaterra com Anna, que acabou de sofrer um acidente na fábrica de chocolates em que trabalha. No hospital, reencontra Claire, antiga professora de francês, que está fazendo um tratamento contra o câncer. Ambas têm muito em comum e, após vários dias internadas lado a lado, Claire sugere que Anna vá a Paris em busca de novas emoções. Na verdade, o que ela quer é reviver o passado e os dias cheios de aventura que passou na cidade das luzes. A narrativa mescla a história de Anna com o passado de Claire. Os amantes de chocolate talvez fiquem com água na boca ao ler os experimentos das personagens para tentar o melhor sabor. Até eu que não sou muito fã, fiquei com vontade de conhecer a loja de chocolates de Thierry, o galanteador que conquistou o coração de Claire. Agora caberá a Anna, mesmo sem saber, resgatar um poucos os dias que a amiga e professora passou. O fim não é o que eu esperava para este tipo de leitura, mas fez total sentido. É impressionante como poucos dias podem definir nossa história.

sábado, 27 de junho de 2020

simplesmente nova york




"Certamente não existe saudação mais animadora do que um rabinho balançando. Expressa tantas coisas. Amor, carinho e reconhecimento incondicional."

O livro tem cachorro. Ou melhor, dois. E são eles as únicas coisas boas deste romance. Eu deveria estar totalmente aérea para ter seguido com a leitura. Realmente, estava rsrs. Enfim, livros que trazem Nova York tendem a me atrair. Reflexo de SATC e Woody Allen.

Tenho queda por narrativas que se passam nesta cidade que nunca estive. Mas que está presente em filmes, séries e no imaginário que criei sobre outono no parque. Enfim, é justamente no parque que os protagonistas se conhecem. E como são enfadonhos! Ela é uma blogueira famosa. Ele é um advogado super requisitado que cuida de divórcios. Os dois se acham, cada um de um jeito. E procuram disfarçar o egocentrismo passeando com seus cachorros no Central Park. Tudo bem que o amor dela pelo pet é verdadeiro, mas ainda assim é difícil engolir seus problemas, que fizeram com que ela deixasse a Inglaterra. Quando descobrimos quais são, pensamos: Oi? Ele se considera a última bolacha do pacote. E emprestou um cachorro da irmã para ver se conseguia um encontro com alguém no parque. Deu certo. E é isso. O lado bom é que os cachorros não morrem, não sofrem (okay, um deles fica doente, mas logo se cura, ufaaaa) e todos ficam felizes. Leitura para quem não quer esquentar a cabeça. Mas ainda assim, não recomendo. Leiam P.S. de Paris no lugar.

domingo, 7 de junho de 2020

a mulher na janela




"Não é paranoia se está realmente acontecendo."


Romance de tirar o fôlego. O norte-americano A. J. Finn nos dá, no decorrer da leitura, várias pistas falsas. Confesso que estava apostando em um desfecho que não aconteceu, o que foi bom, pois teria ficado decepcionada se minhas previsões tivessem sido concretizadas. Anna Fox é psicóloga e mora sozinha após ter sofrido uma grande perda. Ela não consegue sair de casa, tem agorafobia e tudo que faz é ficar trancada, bebendo muito vinho, falando com estranhos pela internet, assistindo a filmes antigos (sabe as falas de cor e muitas vezes sua realidade se confunde com a ficção) e espionando os vizinhos pelas lentes de sua câmera fotográfica, em especial os recém-chegados Russells. Não é à toa que Hitchcock é um de seus cineastas favoritos. E é num de seus zooms que vê algo bem esquisito e que vai atormentá-la ainda mais. O bacana deste livro é que a narrativa nos conduz a termos as mesmas percepções que a protagonista. Será que tudo não foi fruto da imaginação? E esta dúvida é sanada de forma totalmente imprevisível, o que torna a leitura uma grande experiência. Não posso dizer mais nada para não estragar as surpresas. Livro super recomendado :-) Virou filme, mas não é tão bom quanto o romance.



sábado, 30 de maio de 2020

p.s. de paris





"Obrigar seus sonhos a irem de encontro com a realidade era arriscar a própria existência deles."


Livro bobinho, bobinho escrito pelo francês Marc Levy, mas que acaba nos cativando. Ter Paris no título foi o que me chamou a atenção. O enredo é simples e super clichê. Uma mega estrela do cinema, Mia, está prestes a se divorciar do marido, também um superstar e seu par romântico em vários filmes. Para dar um tempo, ela sai de Londres e vai até Paris completamente disfarçada. Lá, fica na casa de uma amiga que tem um pequeno restaurante. Nos Estados Unidos, um escritor tenta escrever outro romance na tentativa de ter o mesmo sucesso que seu primeiro livro. Incentivado por um casal de amigos (protagonistas de outro livro de Marc Levy, E se fosse verdade - sucesso até no cinema), vai para a França, seu país de coração e onde morou por vários anos. Aluga um cantinho para morar e se debruça no processo criativo. Eles acabam se cruzando por meio de um site de namoros em uma situação completamente embaraçosa. Ela havia feito seu perfil, mas ele não. Tudo armação de seus amigos. Bem, a leitura não vai acrescentar nada na sua vida, mas vai ajudar a fugir um pouco da realidade, tarefa de toda comédia romântica ;-)

"Um dia vou viver em teoria, porque em teoria tudo é perfeito."

sábado, 18 de abril de 2020

britt-marie esteve aqui


"É mais fácil ficar otimista se você nunca precisa limpar a sujeira depois."

Pensem em uma pessoa louca por limpeza. Metódica toda vida. Pois assim é Britt-Marie, uma mulher de 60 anos que vivia em função do bicarbonato de sódio, produto que não economizava no dia a dia. Outras manias de Britt eram a arrumação dos talheres, que precisavam estar na ordem correta (a que ela acreditava, claro) e as listas (nada poderia ser feito se não tivesse sido planejado e incluído em seu caderno). No decorrer da leitura, vamos descobrindo os motivos que fizeram com que ela se tornasse essa pessoa que preza pela rotina. Praticamente só conhece o bairro em que mora. Nunca teve um emprego que não fosse cuidar da própria casa e do marido, que nitidamente abusa de sua inocência. Até que descobre que ele a trai. Na verdade, é algo que já desconfiava, mas preferia não encarar, mas eis que o cara sofre um infarto e no hospital ela se depara com a amante. Até para Britt-Marie isso é demais. Ela arruma suas coisas, sai de casa e vai parar em uma cidadezinha na Suécia esquecida por todos e completamente falida por conta da crise econômica (situação enaltecida por todos os moradores).

É muito difícil não gostar dessa personagem criada pelo sueco Fredrik Backman. Ao mesmo tempo em que é metódica e cabeça dura, ela é fofa. Quando vai fazer alguma crítica, estuda minuciosamente as palavras de modo a não ofender o interlocutor. É óbvio que não funciona e, talvez, justamente por isso todos acabam se apegando a ela que, por sua vez, segue preferindo a solidão e certa ordem na nova vida. Mas o destino realmente queria que ela mudasse e vai colocar em seu caminho um time de futebol de adolescentes rebeldes. Sem entender absolutamente desse esporte, caberá a nossa protagonista ser a técnica da inusitada equipe. Livro leve, divertido (dei muitas risadas) e com várias passagens inspiradoras, que vão nos deixar a pensar sobre as mudanças que também precisamos fazer.


"Quantas emoções puras nos fazem gritar alto, sem o menor constrangimento?"

"O futebol obriga a vida a continuar. Sempre há uma nova partida. Uma nova temporada. Sempre há um sonho de que tudo vai ficar melhor. É um esporte que faz maravilhas."

"Os talheres devem ser arrumados como sempre foram, porque a vida deve continuar sem alterações." "Algumas pessoas não entendem o valor das listas, mas Britt-Marie não é desse tipo. Tem tantas listas que precisa manter uma lista distinta relacionando todas as listas. Caso contrário, qualquer coisa pode acontecer. Ela pode morrer. Ou se esquecer de comprar bicarbonato de sódio."

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

a eternidade por um fio




"Nossa geração vai ter que se arrepender não apenas das palavras de ódio e das ações dos maus, mas do silêncio devastador dos bons."


Durante o Carnaval, terminei a trilogia "O século", do britânico Ken Follett, que me acompanha desde 2017. Foram três anos para devorar as cerca de 2,8 mil páginas deste romance sensacional. Ainda estou de ressaca literária e só quem leu a obra vai me entender. A leitura foi sempre intercalada com buscas sobre os fatos reais narrados por Follett, que nos dá uma aula de história. Claro que tudo é romanceado e temos que ter discernimento sobre o que verdadeiramente aconteceu. Porém, não deixa de ser um estímulo para pesquisas mais detalhadas. Vale lembrar que a trilogia sempre foca em cinco famílias: alemã, inglesa, galesa, russa e norte-americana. Ao longo dos anos, elas acabam se misturando de forma muito bem construída, seja por casamento, amizade ou ideologias.

No último volume, "A eternidade por um fio", acompanhamos o desenrolar da Guerra Fria, a guerra da informação entre o capitalismo, liderado pelos Estados Unidos, e o comunismo soviético. Tanto um quanto o outro trazendo vítimas, censuras e muitas, muitas mortes.

Começamos o romance com Rebecca Hoffmann, do lado alemão. Nas primeiras páginas, estamos na década de 60 e Rebecca foi intimada a depor para a polícia secreta da Alemanha Oriental. Enquanto isso, seu irmão, Walli, inicia os primeiros passos de uma carreira musical, que certamente não terá lugar na sua terra natal. A família foi dissidente do nazismo e agora se confrontava com a censura soviética.

Nos Estados Unidos, George Jakes, filho de uma negra e de um russo, que ascendeu à política, sonha em criar os direitos civis, que podem mudar a forte segregação racial no País. Torna-se advogado e consegue um posto de confiança de Bob Kennedy. Ainda do lado norte-americano, temos os irmãos Cameron, que vai representar o pensamento de extrema direita, e Beep, sua irmã, cujo lema será a liberdade de expressão. 

Na União Soviética, os gêmeos Tanya e Dimka, cuja família é toda militar e ligada ao governo, trabalham em prol da reforma do comunismo em que vivem. Almejam os valores iniciais deste sistema, baseados no fim da luta entre classes e nos direitos igualitários. Enquanto ela utiliza seu posto de jornalista da TASS (agência russa de notícias) para colher e levar informações verdadeiras à população por meio de veículos alternativos, seu irmão é ligado à alta liderança política, e vai buscar de todos os modos aliados para mudar o regime.

Na Inglaterra, outros dois irmãos saem em busca de seus sonhos. Dave e Evie. Ele como músico e ela como atriz. Utilizam suas influências para contribuir com as mudanças que o mundo enfrenta.

Claro que há cenas clichês, exageros dramáticos, mas de modo geral, Follett nos leva a uma viagem por fatos históricos, com falas de personalidades como John F. Kennedy, Robert Kennedy, Martin Luther King, Richard Nixon, Walter Ulbricht, Nikita Sergueievitch Kruschev, Mikhail Gorbachev, entre outros tantos. Acompanhamos a Guerra do Vietnã, a construção do Muro de Berlin, a perseguição aos negros nos Estados Unidos, o célebre discurso de Martin Luther King e o nascimento da cultura Hippie. Tudo isso com passagens bem eletrizantes, como as fugas da Alemanha Oriental, a forma com que os dissidentes russos trocavam mensagens e a viagem de George ao sul do seu País, região que mais segregava os negros. O final é lindo e traz um momento bem recente da nossa história, mas que ainda está longe de ter aliviado a tensão e as injustiças do mundo. Vale cada página.

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Segregação racial nos EUA. Veja fonte da foto

Queda do Muro de Berlim. Veja fonte da foto