quarta-feira, 16 de março de 2016

a irmã da tempestade


“Alguns segredos realmente deveriam permanecer secretos, não acha, meu bem?”
 
Nem preciso dizer que “A irmã da Tempestade” é bem previsível. Lucinda Riley sempre dá as pistas exatas do que vai acontecer nas próximas páginas. Pouca ou nenhuma surpresa nos é dada. Contudo, eu ainda gosto dos livros dessa autora. Por quê? Simplesmente porque por meio deles consigo viajar, conhecer lugares que talvez eu nunca vá estar fisicamente. Posso dar um pulo no passado e ter uma pitada de fatos históricos, mesmo que superficialmente. Neste segundo volume da série “As sete irmãs”, ao todo serão sete, eu fui para os fiordes noruegueses e até cheguei a acompanhar a criação, os ensaios e a estreia da peça teatral Peer Gynt, de Edvard Grieg (1843-1907), um dos mais renomados compositores noruegueses. São esses pequenos prazeres que seus livros me proporciona. Sim, eu realmente me transporto durante a leitura. Eu ouvia a voz da cantora que aparece, o som do piano. Cheguei até a sentir os cheiros que eles descrevem.
 
“Como sempre acontecia, o ar limpo e gelado estava revigorante. Sentada em seu banco favorito, ela ficou olhando para o fiorde e para a água prateada cintilando à luz do dia em que já se esvaía.”

A história segue paralela ao que é narrado no primeiro livro da saga. Também começamos com a morte de Pa Salt, que adotou seis garotas e que deu a elas nomes que remetem à Constelação das Plêiades. Aqui quem narra os fatos é Ally, Alcione, a segunda irmã. Ela é velejadora profissional e está prestes a disputar as eliminatórias para as Olimpíadas de Pequim, em 2008. Em um dos campeonatos que participa conhece Theo, outro velejador. Eles se apaixonam e têm dias de contos de fadas. Até que recebem a notícia da morte do pai de Ally. Pouco depois, outra tragédia vai marcar a vida da moça, que resolve ir atrás de suas origens, lá na Noruega. Por meio de relatos e leituras, ela conhece seus tataravós, importantes músicos. Neste ponto do livro há interações com personagens reais, como Grieg. Há ainda uma passagem pela década de quarenta e a segunda guerra mundial, que traz a vida de seus avós, também músicos. Aliás, todo mundo toca ou compõe na família biológica de Ally, inclusive ela própria, que de uma hora para outra acaba num grande concerto. Extremamente forçado.
 
O que mais me chamou a atenção, porém, na história foi a relação de Anna, a tataravó, com os animais. Em especial com uma vaca. Antes de tornar-se uma famosa cantora, ela morava nos campos noruegueses e cantava para os bichos. Tinha afeição especial por Rosa, uma da vacas. Quando partiu, sua maior preocupação foi deixá-la, sabendo que dificilmente a veria novamente. Infelizmente, nem Anna nem a autora tocaram mais no assunto. Mas deixo aqui dois trechos muito bonitos:
 
“Ninguém parecia saber exatamente quantos anos a vaca tinha, mas ela com certeza não era muito mais jovem do que Anna, que tinha 18. Pensar que ela não estaria mais ali para cumprimentá-la com o que gostava de interpretar como uma expressão agradecida nos suaves olhos cor de âmbar deixou os olhos da menina marejados de lágrimas.”

“Anna se levantou quando Rosa enfim alcançou o local onde ela estava. Enquanto acariciava as orelhas sedosas da vaca e em seguida beijava a estrela branca no centro de sua testa, não pôde deixar de reparar nos pelos grisalhos em volta da boca macia e rosada do animal.  – Por favor, esteja aqui no versão que vem – murmurou suavemente ao bicho.”

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