sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
nós, animais
'Nós, animais', da professora Evely Libanori, é a reunião de
trinta crônicas que retratam o amor pelos bichos e a indignação diante das constantes crueldades.
Amante dos gatos, a autora faz deles personagens constantes. Ora homenageando os que se
foram, ora mostrando a graça do convívio diário com esses felinos. Quem os
conhece sabe o quanto são amorosos e divertidos. É o que mostra, por
exemplo, a brincadeira criada por um de seus bichanos a partir da cabeça de um
santo. Outras histórias são demasiadamente tristes. E junto com Evely sentimos
a dor do lagarto incendiado, dos filhotes de gato jogados no bueiro, da égua
obrigada a puxar carroça e da cachorra que vive acorrentada. As
frases são curtas e cheia de reticências. Demonstram o desabafo e a
impotência diante de situações que não podem ser revertidas. Restam as
várias menções a Deus, que fazem a escrita parecer uma oração. Felizmente,
pessoas que lutam em prol dos animais existem. Gostar dos bichos é, sobretudo,
deixá-los livres. ‘Um bem-te-vi no meu caminho’ é meu texto preferido. Pássaro
novo que não sabia voar cai na calçada. É resgatado, cuidado. Junto com sua
protetora ouve Strauss, Vivaldi e Mozart. Sua presença já é parte da rotina, da
casa. Mas pássaro não é para ficar preso. O dia da despedida chega e ela o
ajuda a alcançar o céu. Linda crônica. Linda mensagem. E isso é respeito. “Ele mudou tanto em duas semanas. Como cresceu! Pelo que
vejo, em, no máximo, mais uma semana ele vai voar. E vai voar para longe de
mim.”
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
matilda
Por que ninguém me apresentou a este livro quando eu tinha oito anos? É para esta idade que volto ao ler ‘Matilda’, do autor galês Roald Dahl, o mesmo de ‘A fantástica fábrica de chocolate’. O livro é uma delícia e me fez voltar ao passado e às boas e eternas lembranças da infância. Não por conta do enredo ou das características das personagens, mas pelas boas sensações que me trouxe. Descobri-o por acaso no Youtube. Conta a história da super inteligente Matilda. Ela tem apenas cinco anos. Aprendeu a ler e a fazer contas sozinha. Seus pais não estão nem aí para as habilidades da filha. Pelo contrário, acham estranho ela ficar enterrada nos livros quando há programas mais interessantes passando na TV. Enquanto isso, Matilda descobre a biblioteca pública. Em poucos meses, devora todos os livros da seção infantil e se debruça nos grandes clássicos da literatura. O livro é repleto de estereótipos, como a diretora carrasca, a professora boazinha, pais que não dão a devida atenção aos filhos, travessuras como vinganças e a alienação da sociedade diante da comunicação de massa e seus desejos de consumo. Escrito em 1988, ganhou adaptação para o cinema e para o palco, em um musical no Reino Unido. As ilustrações, com traços simples, dão um tom engraçado para a história. Se estiverem buscando indicações de livros para crianças, aqui está uma boa pedida. Com direito a nostalgia ;-)
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
o iluminado
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| Capa de uma das edições brasileiras. Traz o quarto proibido: 217 |
O livro seguia bem até as últimas 20 páginas. Jack é professor e escritor que carece de inspiração (SK gosta de escritores em suas narrativas. Vide o excelente Misery). Tenta se curar do alcoolismo, doença que reforça seu temperamento agressivo. A impulsividade o levou a quebrar o bracinho do filho quando ele tinha apenas dois anos e a esmurrar um de seus alunos. Resultado: perdeu o emprego, ficou sem grana e teve que aceitar a única proposta que apareceu: ser zelador de um hotel nas montanhas do Colorado (EUA) durante o inverno. Ou seja, quando o local fica totalmente isolado por causa da neve. Mas o livro é de terror, suspense. E o Overlook é bem propício para deixar um ser humano perturbado ainda mais louco. Danny é o filho. Tem cinco anos e é iluminado. Ele vê coisas. Tem premonições. Seu melhor amigo é imaginário e, por muitos momentos, é muito adulto para a idade. A esposa é a Wendy, mulher sem iniciativa que ainda acredita na recuperação do marido. Os três vão para o hotel.
Assim que chegam, as alucinações começam. O menino vendo pessoas mortas. O pai ouvindo vozes. E a mãe ainda acreditando na salvação da família. Eu pensei que sentiria mais medo. Até procurei ler durante a noite para criar um clima. Mas, exceto por uma passagem na banheira (sempre ela), não deu certo. Os últimos lances com o tal baile que aconteceu por lá foram bem cansativos e piegas. Muito longe de amedrontar. Enfim, leiam sem sustos (rá!). Desta vez, fico com o filme, com o Kubrick e, claro, com o Jack Nicholson ;-)
Cartaz do filme de 1980
terça-feira, 25 de novembro de 2014
o irresistível café de cupcakes
Mais um chick-lit para minha lista. ‘O irresistível café de cupcakes’ é o livro de estreia da norte-americana Mary Simses. O título me fez lembrar 'My blueberry nights' (2007), belo filme estrelado por Norah Jones, e talvez por isso me rendi à leitura. Mas aqui os motivos são bem diferentes. Sem pretensão, conta uma história bonitinha e gostosa. Leitura para o fim da
tarde durante as férias. O enredo é simples e previsível. Ellen tem 35 anos, é bem-sucedida
profissionalmente e noiva de um bonitão da alta roda política. Para atender o
último pedido da avó, vai parar numa cidadezinha litorânea. Lá descobre a
simplicidade e o boa pinta Roy. Resultado: apaixona-se por tudo. E o noivo? Quem
conhece este tipo de leitura, já deve imaginar o final. Mas vale pela descontração
e pelo passeio por esta cidade do Maine, estado ao norte dos Estados Unidos. Fiquei
morrendo de vontade de me perder por lá, nos campos de blueberry que são
mencionados. Aliás, o site da autora traz imagens que nos
transportam para o cenário que idealizou para seu livro. Outro ponto
interessante da leitura é a seleção musical que Simses nos dá, e que embalam
os pensamentos da protagonista. Ótimo para quem curte jazz, blues e country. Anotei
todas e criei a playlist The Irresistible Blueberry Bakeshop & Café no Spotify. Ouçam
e embarquem nesta viagem também :-)
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| Plantação de blueberry |
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| A playlist :-) |
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
uma fábula
Peço licença para reproduzir a bela fábula do escritor mineiro Autran Dourado (1926-2012). Leiam com o coração :-)
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O pintassilgo
por Autran Dourado
Era uma vez um pintassilgo amantíssimo, capaz de dar a vida pelos seus filhotes. Um dia, trazendo no bico uma minhoca para eles, não os encontrou. Caindo no maior desespero, saiu a procurá-los pela floresta; os ninhos que ele encontrava estavam vazios. Vendo-o tão desesperado, disse um pardal que não adiantava procurá-los, pois os vira numa gaiola na janela da casa do proprietário da floresta.
Cheio de esperança, o pintassilgo voou para lá. Viu logo, numa gaiola dourada, os seus filhotes presos. Começou a bater o peito, o bico e a cabeça na grade da gaiola. Inutilmente, porque o arame da gaiola era muito grosso. Voltou para a floresta.
No dia seguinte estava de volta, trazendo no bico uma erva. A erva era venenosa e os filhotes morreram.
Moral da história: antes morrer do que ficar preso. Foi o que disse o pintassilgo.
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O pintassilgo
por Autran Dourado
Era uma vez um pintassilgo amantíssimo, capaz de dar a vida pelos seus filhotes. Um dia, trazendo no bico uma minhoca para eles, não os encontrou. Caindo no maior desespero, saiu a procurá-los pela floresta; os ninhos que ele encontrava estavam vazios. Vendo-o tão desesperado, disse um pardal que não adiantava procurá-los, pois os vira numa gaiola na janela da casa do proprietário da floresta.
Cheio de esperança, o pintassilgo voou para lá. Viu logo, numa gaiola dourada, os seus filhotes presos. Começou a bater o peito, o bico e a cabeça na grade da gaiola. Inutilmente, porque o arame da gaiola era muito grosso. Voltou para a floresta.
No dia seguinte estava de volta, trazendo no bico uma erva. A erva era venenosa e os filhotes morreram.
Moral da história: antes morrer do que ficar preso. Foi o que disse o pintassilgo.
domingo, 23 de novembro de 2014
timoleon vieta
| O livro traz esta imagem várias vezes, sempre com uma frase atribuída ao cão |
'Por quê? Por quê?' Fiquei a perguntar a Dan Rhodes no fim da leitura do seu 'Timoleon Vieta volta para casa'. Se existe um livro do qual eu gostaria de mudar o desfecho, este é um deles. Mas para isso eu teria que mudar a humanidade.
Cockcroft é um inglês decadente que mora na Toscana. Ele vive dos direitos autorais dos jingles que compôs décadas antes. Está na casa dos sessenta anos e costuma hospedar rapazes bonitos em troca de favores sexuais. O problema é que ele se apega a eles e sofre a cada rompimento. E é o medo de ficar sozinho que o leva a cometer o ato mais cruel da sua vida. Ele também abriga o simpático Timoleon Vieta, cachorrinho preto com manchas brancas e caramelo. O livro começa dizendo que ele faz parte da melhor raça de cães, os vira-latas. Timoleon, que tem os olhos mais cativantes já vistos, apareceu durante um temporal na casa de Crockroft e por lá ficou, tornando-se seu melhor amigo e confidente. Durante cinco anos presencia vários casos amorosos do 'dono'. Como ele mesmo diz, os rapazes vão, o cachorro fica. Até que surge uma figura misteriosa que diz ser refugiado da Bósnia. O cachorro não o aprova. Mas com medo de perder seu Bósnio, Cockcroft acaba cedendo aos pedidos do novo companheiro, e abandona o cão nas ruas de Roma.
Na tentativa de voltar para casa, e aqui temos certa analogia com 'Lassie volta para casa', de Eric Knight, o cão depara-se com diferentes pessoas. E nós passamos a conhecer a história de cada uma delas até o encontro com Timoleon. Tem a chinesinha que encontra o cão no velório do padastro. A moça do País de Gales que confessa seus amores perdidos nas fontes de Roma. A menina de Camboja que vê o cão pelas fotografias da irmã que se casou com um dentista francês. A muda que apaixona-se por um deliquente, entre outros. Na verdade, o cão é o motivo para os vários contos apresentados no romance. Podemos dizer que, em sua jornada, o cão que se apresenta como coadjuvante de outras vidas.
Confesso que a leitura me incomodou. Sobretudo pelo final. Fiquei pensando se não poderia ter sido diferente. Mas, afinal, o ser humano é mesmo assim: cruel, individualista e cheio de loucuras que machucam. Fica o exemplo do afeto dado pelo cachorro. Timoleon Vieta só aumentou o meu amor pelos bichos :-)
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
a cultura da participação
Conclui “A cultura da participação – Criatividade e Generosidade no mundo conectado”, de Clay Shirky, com a sensação de quero mais. E de que posso mais. No livro, o autor expõe as vantagens de estarmos conectados. Começa mostrando o que as pessoas fazem no tempo livre, que ficou maior depois da revolução industrial. Na Inglaterra, antes, bebiam gim. Depois, veio a TV e começamos a passar horas de nossas vidas diante da tela. Segundo ele, tempo perdido e não produtivo, já que a comunicação é de uma só via. Hoje, a rede social é a bola da vez. Conta que o ‘compartilhamento’ permite avanços sociais, tecnológicos, científicos, dentre outros. “Algo que torna a era atual notável é que podemos agora tratar o tempo livre como um bem social geral que pode ser aplicado a grandes projetos criados coletivamente, em vez de um conjunto de minutos individuais a serem aproveitados por uma pessoa de cada vez.”
Também derruba conceitos sobre as gerações baby boom, x, y, z etc. Na verdade, é tudo balela. A diferença está na ferramenta e não nos anseios ou comportamento dos jovens.
Isso me fez rever a opinião que tenho sobre o exibicionismo exacerbado nas redes sociais. “Quando eu era adolescente, não fazia isso”, penso. E o que Shirky comentaria? “Era, sim, só não tinha as ferramentas para tal.” Bem, lembrei do 'Caderno de Recordação' que toda menina tinha e que passava de mãos em mãos solicitando um depoimento a nosso respeito. Idem para a 'Enquete', caderno que trazia em suas páginas questões a serem respondidas pelos amigos. Não eram on-line, mas compartilhavam. No fundo, queríamos que outros lessem as boas impressões a nosso respeito.
E a internet surge como o grande avanço para atiçar ainda mais o desejo de trocar informações, sempre por meio de interesses comuns. É a lógica do ‘publicar’. Se antes precisávamos de alguém que ‘autorizasse’ o envio de uma mensagem nossa para a grande massa, hoje isso não é mais necessário. Vejam o cyberativismo e suas decorrentes manifestações nas ruas. Isso porque, e o autor é bem enfático neste ponto, pessoas com os mesmos objetivos se unem e, juntas, elas conseguem encontrar as soluções para seus problemas. O que não aconteceria se agissem sozinhas. Isso vale desde uma reinvindicação no seu condomínio, discussões sobre doenças raras, fãs querendo chamar a atenção do ídolo ou denúncias de agressões aos direitos humanos. Passa ainda pelo aperfeiçoamento da própria tecnologia, como no caso do Linux. O código-fonte do sistema é aberto a todos que querem melhorá-lo. A própria Wikipedia permite edições em seu conteúdo. E sem a necessidade de se 'logar'. Sem cadastro, fica muito mais fácil a participação.
Enfim, ele dá vários exemplos de como podemos aproveitar a ferramenta da qual dispomos. O livro termina com um episódio bem bacana: uma garota de quatro anos está assistindo a um programa de TV. Em determinado momento ela corre para trás da tela. Todos pensam que ela queria ver o que estava ali, se era lá o local das personagens. Mas não. Ela procurava o mouse. Para interagir. E quem sabe mudar alguma coisa. “Procurando o mouse” é o capítulo final. Uma deixa para vermos que a mudança pode estar, sim, em nossas mãos.
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
maratona animal
Sou
entusiasta das causas voltadas aos direitos dos animais. Que eles pensam,
sentem dor e se apaixonam são questões indiscutíveis para mim. Tampouco preciso
de pesquisas científicas que me comprovem isso. Contudo, muitas vezes elas são
necessárias para convencer os mais resistentes. Mas basta um rápido olhar para
um dos meus cães para saber que a briga faz sentido. Até que todos os bichos do
mundo voltem a sorrir J
E aí? Alguém se habilita a ir comigo nesta prova cheia de emoção?
A lista na Estante Virtual
Estimulada
por uma lista que vi na Estante
Virtual, resolvi fazer essa maratona literária. Vou ler vários livros que
trazem os animais como tema principal. Afinal, como diz Antonio Candido, a literatura “manifesta emoções e a visão de mundo dos indivíduos e dos grupos; ela é uma
forma de conhecimento, inclusive como incorporação difusa e inconsciente.”
E aí? Alguém se habilita a ir comigo nesta prova cheia de emoção?
A lista na Estante Virtual
terça-feira, 28 de outubro de 2014
o pintassilgo
Está aí um livro de 720 páginas que li praticamente ‘numa sentada’. Logo no início fui cativada pela história, que começa com um homem escondido em Amsterdam. Sem entender o que se passa, retrocedemos alguns anos, direto para um atentado no Metropolitan Museum of Art, em Nova York. O ponto zero.
Em “O pintassilgo” (The goldfinch), o protagonista é Theo Decker, de 13 anos. Após ter aprontado na aula, ele tem que ir junto com a mãe falar com o diretor da escola. Antes, porém, uma chuva faz com que eles se abriguem no museu, no meio do caminho. A mãe é apaixonada por arte e fica feliz em mostrar para o menino o seu quadro favorito, o Pintassilgo. Aliás, todo o romance da norte-americana Donna Tartt gira em torno dessa obra, pintada em 1654 pelo artista holandês Carel Frabitius, discípulo de Rembrandt, e hoje exposta no Royal Picture Gallery Mauritshuis, em Haia, na Holanda.
Mãe e filho passeiam pelas galerias e, num breve desencontro entre os dois, há a explosão e tudo vem abaixo. O garoto sobrevive e, ao sair dos escombros, leva com ele o quadro holandês. Como superar a morte da mãe e o que fazer com o objeto que furtou são questões que o atormentam. Sem saber a localização do pai, ele é levado para a casa de um amigo. Tempo depois, o pai reaparece e o leva para Las Vegas. No deserto, conhece o russo Boris, que tem mais ou menos sua idade. Os episódios vividos pela dupla me remeteram ao romance “On the road”, de Jack Kerouac, publicado em 1957. O russo lembra o rebelde Dean Moriarty, com seus inúmeros e chatos “Iuuupi! Vamos lá!”. Enquanto Théo é Sal Paradise, que segue a onda do amigo. Tanto lá quanto cá, fiquei entediada com as aventuras. Assim como fiquei nas últimas páginas com tantas divagações repetitivas. Mas nada que comprometa o enredo de Tartt, que felizmente, é muito mais interessante. Inclusive, com direito a um thriller policial lá pelas tantas. Além de pitadas de Dostoievski, Proust, Yeats.
A autora traz ainda muitas referências da música, das artes plásticas e das antiguidades, já que Theo caminhará também por essas veredas. “Quando estamos tristes – pelo menos eu sou assim – pode ser reconfortante nos apegarmos a objetos familiares, às coisas que não mudam.” Atenção sobretudo aos diálogos dele com Hobie, amigo-pai-padrinho que ganha no decorrer da trama. Vendedor do Prêmio Pulitzer em 2014, vai virar filme em breve. Fica muito a dica.
A autora traz ainda muitas referências da música, das artes plásticas e das antiguidades, já que Theo caminhará também por essas veredas. “Quando estamos tristes – pelo menos eu sou assim – pode ser reconfortante nos apegarmos a objetos familiares, às coisas que não mudam.” Atenção sobretudo aos diálogos dele com Hobie, amigo-pai-padrinho que ganha no decorrer da trama. Vendedor do Prêmio Pulitzer em 2014, vai virar filme em breve. Fica muito a dica.
Trechos:
“No inverno, pelo menos, você pode pôr um casaco a mais...”
“Não combina com nada que eu tenho, mas não acontece sempre de aquela coisa inapropriada, aquilo que não se encaixa de fato, ser curiosamente a mais querida?”
“Todos sempre querem conversar, mas gosto de ficar em silêncio.”
“A maioria das pessoas parecia satisfeita com o fino esmalte decorativo e a ardilosa iluminação de palco que, às vezes, fazia a atrocidade intrínseca de a desagradável situação humana parecer de certa forma mais misteriosa ou menos repugnante.”
“Mistura deliciosa de gengibre e figos, com chantili e raspas minúsculas e amargas de casca de laranja por cima.”
“É difícil concertar as coisas. Você nem sempre tem essa chance.”
“O objetivo das coisas – das coisas belas – não é te conectarem a uma beleza maior?”
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
os dez livros mais marcantes
Fui convidada no Facebook a dizer quais são os dez livros que mais me marcaram. Embora possa mudar a qualquer instante, eis a minha lista:
Memorial do Convento, de José Saramago: a história de amor de Baltazar e Blimunda, sete-sóis e sete-luas, é linda. Sem contar a simbologia por trás da dupla e demais personagens. Aliás, vou encaixar aqui outros dois livros de Saramago: 'As intermitências da morte' e 'Ensaio sobre a cegueira'. Todos hilários e muito inteligentes.
Intérprete dos Males, de Jhumpa Lahiri: sou apaixonada pela Índia. E esse livro só aumentou minha afeição por tudo o que vem desse país. São vários contos que mexem com nossos sentimentos.
A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera: o que é o amor, afinal? Talvez esse livro possa dar algumas pistas. A versão para o cinema ficou muito boa também. Outro romance que vai nesta linha é 'Travessuras da menina má', de Mario Vargas Llosa. Deveras bom também.
O mundo de Sofia, de Jostein Gaarder: acredito no poder do young adult (YA) para incentivar a leitura. Está aí um dos livros que li na adolescência e que ainda hoje tem seus reflexos.
Melancia, de Marian Keyes: meu primeiro chick-lit. Veio em boa hora e me ajudou a transformar lágrimas em risos.
1984, de George Orwell: será que não vivemos isso? Essa foi a pergunta que fiz nas duas vezes que li o livro, num intervalo de 15 anos entre uma leitura e outra. Aposto que ainda continua atual.
O processo, de Franz Kafka: sabe aqueles sonhos e pesadelos malucos que temos? Pois Kafka soube transformá-los em literatura. Incluo ainda aqui 'A metamorfose'.
O morro dos ventos uivantes, de Emily Brontë: tem o trecho de livro que mais gosto. Algo assim: amo tanto meu pai que gostaria que ele morresse primeiro. Assim, eu lidarei com sua morte e não ele com a minha (...)
Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski: quem nunca se sentiu culpado? Talvez não por um assassinato, espero, mas todos nós temos que lidar com dúvidas sobre nossos atos. Romance que vai fundo na consciência do personagem. Chegamos a sentir sua aflição.
Música ao Longe, de Erico Verissimo: o primeiro romance que li. Tinha uns 10 anos. Com a professora Clarissa, a protagonista, comecei a escrever num diário. Mesmo com o fundo político, o livro é leve e nos deixa com aquele ar sonhador. Antes de Música ao Longe, Verissimo escreveu o romance 'Clarissa', que mostra a adolescência dessa mesma personagem. Após, veio 'Um Lugar ao Sol', que encerra, vamos dizer assim, a 'trilogia Clarissa'. Todos inesquecíveis, sobretudo os dois primeiros. E já inclui vários livros, vai mais um aqui do mesmo autor: 'Olhai os lírios do campo'.
Desafio todos que passarem por aqui a elencarem suas leituras mais marcantes também ;-)
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