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quinta-feira, 7 de setembro de 2023

de repente, nas profundezas do bosque



"A professora Emanuela explicou à classe como é um urso, como os peixes respiram e que sons a hiena produz à noite. Ela também pendurou na sala gravuras de animais e aves. Quase todos os alunos debocharam dela, porque nunca na vida tinham visto um animal sequer. E muitos deles não acreditaram que existissem no mundo tais criaturas. Pelo menos nas redondezas."


(Esta é uma leitura, à luz da literatura animalista, de um livro lido há bastante tempo. Inclusive com menção aqui neste blog.)


"De repente, nas profundezas do bosque", do israelense Amós Oz, beira a literatura fantástica. É uma fábula sobre como nos relacionamos com o diferente por meio de uma alegoria animalista.

Imagine uma aldeia onde não existe bicho algum? Nada no ar, na terra ou no rio. Nem mesmo insetos ou vermes. Lá, a ideia do que é animal passa somente pela oralidade, pelos desenhos da professora Emanuela e pelas esculturas em madeira do ex-pescador Almon, que agora cuida do seu pomar e horta, já que não há mais peixes nos rios.

"Somente por essas estatuetas, bem como pelos desenhos feitos pela professora Emanuela na lousa, as crianças conheciam o aspecto de um cachorro, do gato, da borboleta, do peixe, do pintinho, do cabrito e do bezerro. A professora Emanuela também ensinou a algumas crianças as vozes dos animais, vozes que os adultos da aldeia com certeza ainda lembravam da infância, antes que as criaturas desaparecessem, mas as crianças jamais as ouvira em toda a vida." 

Ninguém sabe dizer por que os animais desapareceram. O que se conta é que certa noite, há muito tempo, todos os animais saíram da aldeia seguindo o demônio Nehi, que habita o bosque vizinho. Há quem diga que tudo não passa de lenda, pois as pessoas têm certo desconforto em afirmar que já existiram outras formas de vida na aldeia. Ao mesmo tempo em que param para refletir sobre seus animais de estimação, pássaros etc, elas imediatamente sacodem a cabeça para espantar essas lembranças, envergonhadas. Seria culpa? Medo? Ou consciência coletiva da responsabilidade pelo sumiço inexplicável.

"Já fazia muitos anos que todos os animais dessa aldeia e das redondezas haviam desaparecido, vacas, cavalo e carneiros, gansos, gatos e canários, cachorros, aranhas domésticas e lebres. Nem mesmo um pintassilgo vivia lá. Nenhum peixe restara do rio. As cegonhas e os grous rodeavam os vales em suas jornadas errantes. Até mesmo os insetos e os vermes, até as abelhas, moscas, formigas, minhocas, mosquitos e traças não eram vistos havia muitos anos. Os adultos que ainda lembravam em geral preferiam calar-se. Negar. Fingir" 

A professora Emanuela perdeu sua gatinha Tigresa que tinha acabado de ter três filhotes. Naquela fatídica noite, eles sumiram deixando apenas dois fios de bigode, a bolota de lã que brincavam e o cheirinho azedo das lambidas. Foram dias de sofrimento para a pequena Emanuela, na época com dez anos. Hoje, ela não é mais "tão nova". O fato de não ter conseguido o marido, apesar das aparentes tentativas, e sua insistência em retratar os bichos fazem com que seja ridicularizada. Fora da escola, está sempre sozinha.

"Certa noite, noite de tempestade, desapareceram todos os animais da aldeia, mamíferos, aves, peixes, répteis e larvas, e no dia seguinte de manhã restaram apenas os habitantes e seus filhos. Emanuela, que naquele tempo tinha dez anos, chorou semanas e semanas de saudades da sua gata tigresa Tima, que teve três filhotes, dois listrados como a mãe, e um amarelinha e travesso, que gostava de se disfarçar de meia enrolada e se esconder dentro de uma bota. Naquela noite terrível desapareceram a gata e os filhotes, e deixaram para trás a gaveta de sapatos estofada vazia debaixo do armário de roupas." 

O mesmo acontece com o pescador, ou ex-pescador, Almon, que distribui figuras de animais entalhadas na madeira para as crianças. Por rememorar de forma intensa os velhos tempos com animais, ele, que perdeu, além dos peixes dos rios, seu cachorro Zito, é tido como louco, principalmente porque fala muito e tem como confidente um espantalho, que fincou nas suas plantações.

"Almon discutia com o espantalho, às vezes longamente e com raiva. Ajeitava-o, repreendia-o, abandonava-o completamente, e logo voltava, trazendo uma velha cadeira; sentava-se diante do espantalho e tentava, com uma paciência infinita, convencê-lo, ou pelo menos fazê-lo alterar um pouco as suas opiniões inflexíveis."

Há ainda uma terceira pessoa que também acredita nos animais: Nimi, garoto desgrenhado, sujo, com roupas rasgadas, nariz escorrendo, e que vive falando sobre seus sonhos com os animais retratados pela professora, o suficiente para ser considerado excêntrico. Até que ele desaparece por dias e volta com a doença do relincho, nome dado à transformação de algumas pessoas em animais. No caso de Nimi, ele volta literalmente relinchando como um cavalo, mostrando seus dois dentes protuberantes e separados da frente, o que reforça o simbolismo da transformação, evocando a própria natureza humana e sua relação intrincada com a animalidade, o que aproxima essa passagem do romance "A Metamorfose" de Franz Kafka, no qual o protagonista acorda metamorfoseado em um inseto gigante.

"A turma ria dele quando chegava contando, logo pela manhã, como seus sapatos marrons, que durante a noite ficavam ao lado da sua cama, se transformava em dois ouriços que se arrastavam e examinavam o quarto a noite inteira, mas de manhã, quando ele abria os olhos, os ouriços voltavam de repente a ser um simples par de sapatos ao lado da cama." (p.8)

Os personagens são marginalizados não apenas por acreditarem na existência dos animais, mas também por outras características estigmatizadas: a solteirice, o ato de falar sozinho e o rótulo de "sujo". Esses elementos atuam como símbolos das normas sociais restritivas que promovem a conformidade e marginalizam o diferente. A solteirice questiona padrões sociais, falar sozinho pode representar a busca por uma voz autêntica, e o rótulo de "sujo" aponta para a visão preconceituosa que categoriza certos grupos como inferiores ou menos dignos de aceitação. Juntos, esses símbolos oferecem uma crítica à rigidez e à intolerância social.

Outro que contraiu a doença do relincho foi Guinom, o pastor de ovelhas e marido de Solina, a costureira. Dizem que naquela noite ele saiu em busca de seus animais e voltou contaminado. Parou de falar, definhando aos poucos e passando a viver como um cabrito. Cabe à sua esposa cuidar dele como se fosse um bebê.

"Solina, a costureira, passeava com o marido inválido pelas ruelas da aldeia. O homem inválido, Guinom, se curvou tanto com o passar dos anos que Solina podia, sem nenhuma dificuldade, acomodá-lo num velho carrinho de bebê para levá-lo até a margem do rio.


Durante o trajeto, tanto na ida como na volta, Guinom emitia um balido fino e choroso, porque a doença do esquecimento fez com que ele pensasse que era um cabrito." 

A pequena comunidade tem ainda o jovem Danir, o consertador de telhados, que, no fim da tarde, encontra-se com os amigos para se divertir. Ele sempre diz que vai atrás dos animais com seus ajudantes, o que inevitavelmente acaba com a conversa, deixando os demais assombrados com suas palavras. Outra personagem que sente pelos animais é Lília, padeira e mãe de Maia, que insiste em jogar migalhas de pão para os peixes inexistentes do rio.

"... ele jurava que dali a pouco, uma semana, um mês, acompanhado de seus ajudantes ele haveria de descer os vales distantes, e dos vales não voltariam a pé, mas num comboio de carroças atreladas a cavalos e carregadas de cem tipos de aves, animais, peixes e insetos, e passariam de casa em casa, espalhando animais por toda parte e despejando peixes vivos no nosso rio. Assim a aldeia voltaria a ser exatamente como era antes daquela maldita noite, e pronto. Ao ouvir uma conversa como essa, o grupo se calava de tanto assombro: as palavras que Danir pronunciava não divertiam o grupo, mas cobriam a praça de uma sombra carregada e repentina." 

A população cultiva crenças sobre o bosque, local proibido e temido. Lar do demônio Nehi, que toda noite volta para capturar os desprotegidos. Por isso, todas as portas são trancadas ao escurecer, e não sobra viva alma nas ruas. Durante o dia, todos seguem a rotina de casa, trabalho, escola e passeios em horários pré-definidos. A narrativa sugere que tudo na vila ocorre de forma automática. Cada um possui seu papel definido e realiza o esperado, como deve ser. O que se desvia disso é considerado errado, motivo de deboche.

Observando e refletindo sobre esse cenário, temos duas crianças. A menina Maia e o menino Mati. Eles são amigos e planejam adentrar o bosque para investigar o que está por trás do desaparecimento dos animais, principalmente após se depararem com um peixe vivo que os encara, expondo-se e expondo-os, assim como o gato de Jacques Derrida, que nos leva a questionar o olhar do animal e a complexidade do seu mundo interior, como abordado em "O Animal que Logo Sou". Nesta obra, o pensador francês desafia os paradigmas tradicionais da filosofia ao se aprofundar na relação entre seres humanos e animais. Ele provoca reflexões sobre o olhar do animal, questionando se podemos verdadeiramente compreender a profundidade dos pensamentos e emoções que residem por trás dele. Derrida nos leva a considerar o "olhar do outro", especialmente o olhar do animal, como uma abertura para uma vastidão de significados e sentidos que escapam à nossa compreensão limitada. Assim como o gato que olha e é olhado por Derrida, Maia e Mati são confrontados com a mesma questão: o que será que reside no olhar desse peixe? Esta conexão intrincada entre a observação, a interpretação e a possibilidade de uma subjetividade animal mais profunda é uma linha de investigação que Derrida empreendeu, e que também ecoa nas explorações das crianças.

"Que me dá a ver esse olhar sem fundo? Que me `diz`ele que manifesta em suma a verdade nua de todo olhar, quando essa verdade me dá ver nos olhos do outro, nos olhos vendo e não apenas visto pelo outro? Penso aqui nesses olhos que veem ou nesses olhos de vidente cuja cor seria preciso ao mesmo tempo ver e esquecer." 

"Era um peixe pequeno, um peixinho, com comprimento de meio dedo, com escamas prateadas e nadadeiras delicadas, branqueadas, espelhadas e trêmulas. O olho de peixe redondo e arregalado ao máximo mirou os dois por um instante como se sugerisse a Maia e Mati que todos nós, todos os seres vivos sobre este planeta, pessoas e animais, aves, répteis, larvas e peixes, na realidade todos nós estamos bem próximos um dos outros, apesar de todas as muitas diferenças entre nós: pois quase todos temos olhos para ver formas, movimentos e cores, e quase todos nós ouvimos vozes e ecos, ou pelo menos sentimos a passagem da luz e da escuridão através da nossa pele. E todos nós captamos e classificamos sem parar cheiros, gostos e sensações." 

Eles cumprem a promessa, entram no bosque e, no caminho, encontram o esconderijo de Nimi. Para surpresa de ambos, ele não está relinchando. Fala normalmente e afirma que a doença foi uma desculpa para se ver livre da escola, dos pais, dos vizinhos e, especialmente, das zombarias. Assim, ele pode se refugiar na caverna sem ter que dar satisfação a ninguém. Mais um motivo para os dois amigos refletirem sobre seus próprios atos. Afinal, não teriam eles próprios debochado de Nimi?

Seguindo o caminho, encontram o que procuram. Pássaros, peixes, vacas, ratazanas e todo tipo de bicho vivendo juntos com Nehi. O demônio que a vizinhança tanto temia é, na verdade, Neman, garoto que fora motivo de chacotas por ser diferente, esquisito. Apesar de seus esforços, jamais conseguiu ser como os demais, encontrando apenas nos animais o consolo que precisava. Rapidamente, aprendeu a falar cachorrês, gatês e outros idiomas que lhe permitiram se aproximar de todas as espécies. Até que decidiu partir. E junto com ele foram todos os animais. Hoje, bem mais velho, vive rodeado de todas as espécies, vivendo pacificamente.

"Mati ergueu os olhos em direção às copas das densas árvores, e viu e ouviu pela primeira vez na vida a tagarelada de multidões de pássaros, as variadas vozes que cantavam e pulavam, e o farfalhar das asas e o movimento inesperado daquelas criaturas que saltavam e pulavam de galho em galho. Às margens do riacho e nas piscinas naturais que se formavam, repousavam as aves aquáticas, com uma perna mergulhada na água e a outra dobrada, o bico cor-de-rosa a afundar de repente na água em busca de alimento. Uma profunda e suave calma encheu o peito de Mati, uma calma da qual não tinha lembrança em toda a sua vida, a não ser, talvez, na memória oculta e obscura, memória por trás de toda memória, memória que continha o sossego de um bebê de fraldas saciado, com os olhos fechados, envolvido em doçura, adormecendo junto ao peito da mãe enquanto ela murmurava com sua voz quente uma canção de ninar." (p 90/91)

Na sua jornada pela floresta, Nehi se depara com a carnemônia, planta cujo sabor se assemelha ao da carne. É essa descoberta que vai permitir que presas e predadores vivam juntos, sem um ter que matar o outro para sobreviver. Ao trazer esse tema à tona, Oz levanta os dilemas éticos presentes na alimentação humana. A organização Humane Society International (HSI) estima que o número de animais criados e abatidos para consumo por ano no mundo chegue a 88 bilhões. Essa preocupação ética ressoa com a obra de J.M. Coetzee, "A Vida dos Animais", na qual a personagem Elizabeth Costello argumenta que "somos todos animais" e questiona o "túmulo humano que criamos para eles [os animais]" em nossas práticas alimentares. A descoberta da carnemônia por Nehi pode ser interpretada como intervenção literária nesse debate ético. Assim como Elizabeth Costello nos incita a repensar a dieta onívora, a introdução da planta na história de Oz desafia nossas justificativas habituais para práticas que resultam em abate em massa. A obra de ambos os autores nos convida a contemplar a possibilidade de um mundo onde alternativas à carne, e coexistência pacífica, sejam não apenas imagináveis, mas também viáveis.

"Muitos anos atrás, em um vale escondido, atrás de sete cordilheiras e depois de sete vales profundos, numa de suas excursões solitárias Nehi descobriu um pequeno arbusto que dava umas frutinhas brancas e roxas com sabor muito parecido com o da carne. Nehi denominou as frutas desse arbusto carnemônias. Ele plantou sementes de carnemônia por todo bosque, cultivando e disseminando os arbustos, porque entendeu que todos os animais carnívoros gostavam do sabor da carnemônia, e se alimentavam dela com gosto, e assim não precisavam mais abater criaturas mais fracas do que eles. E também não sentiam mais o desejo de abater. Assim Nehi conseguiu aos poucos habituar o tigre a se divertir com cabritos pequenos, e logo a cuidar de rebanhos de carneiros, e até adormecer entre eles, de modo que a lã macia lhe esquentasse o corpo nas noites frias. Assim nenhum animal nunca mais abateu outro em toda a extensão dessas matas, e animal nenhum nunca mais teve medo dos predadores. Mas não esqueceram completamente."

Lá nas profundezas do bosque, todos encontram um lugar onde são aceitos pelo que são. Não há mais sofrimento, zombarias, deboches e intolerância (até a questão da alimentação foi resolvida). Maia e Mati, porém, argumentam que ao tirar os animais de cena, Nehi também causou muita dor. A professora Emanuela sofreu. Almon sofreu. Não sentiria ele próprio saudades do convívio humano? Por um instante, Nehi reflete e afirma que sente falta das pessoas, do aconchego de um lar. Que vira e mexe ele volta à aldeia para ver como todos estão vivendo. Que ao observar as famílias reunidas, sente um aperto no coração. Mas que seu lugar é realmente ali no bosque. E que não voltará pelos animais, que muito padeceram nas mãos humanas. Ele não tem dúvida de que as pessoas ficarão felizes em receber seus cães, gatos e cavalos. Mas o que acontecerá com os ratos, insetos e vermes?

"Noite após noite Nehi, o demônio da montanha, desce de seu palácio negro atrás dos montes e dos bosques, visita as casas como um mau espírito, procura sinais de vida, e se por acaso encontra um grilo perdido, ou um único vaga-lume que veio parar aqui arrastado sabe-se lá de que distância pelos ventos do inverno, ou até mesmo um besouro ou uma formiga, imediatamente estende seu manto escuro, envolve e aprisiona toda criatura viva, e antes de o sol nascer retorna voando ao seu palácio assombrado, para além dos últimos bosques nas alturas dos montes eternamente cercados de nuvens." 

Pode ser que a ideia de Amós Oz tenha sido usar os animais para falar sobre a intolerância de humanos para outros humanos (ou outros considerados menos humanos), mas seu livro traz importantes pontos que nos ajudam a entender a forma com que nos relacionamos com os animais.

Enquanto escrevo, minha atenção é capturada por Billy, meu cachorrinho, que retribui o olhar. Nele, encontro o mesmo olhar que Maia e Mati trocaram com o peixe. O que reside no olhar dos animais? Este olhar nos convida a questionar a profundidade dos pensamentos e emoções dos animais. Portanto, quando nos deparamos com o olhar desses animais na história, somos convidados a enxergar para além do óbvio, a explorar as camadas ocultas de significado e a considerar a riqueza da experiência animal que, de acordo com Derrida, permanece em grande parte inexplorada e incompreendida pelos humanos.

Tanto que neste exato momento, milhares de animais estão sendo mortos para diversos fins: alimento, vestuário, entretenimento. Em que momento o homem se viu no direito de se colocar acima de todos eles?

Repleta de simbolismos, a narrativa retrata uma sociedade que expulsa o diferente e que ridiculariza quem não se enquadra, falando não apenas dos animais, mas de qualquer ser que porventura seja diferente da maioria. E usa, para isso, o recurso de uma literatura quase fantástica, mas que não deixa de ser realista, por trazer em suas entrelinhas a intolerância cotidiana e banal, que ridiculariza, isola e mata.

"E o que acontecerá se os grandes e ricos camponeses, esses cujos pais estudaram comigo na sala da professora Rafaela, a mãe da professora Emanuela, o que acontecerá se eles começarem outra vez a bater nos cachorros com bastão, e a açoitar os cavalos com chicotes de couro, e a envenenar os gatos de rua, e a afogar os ratos em tonéis de água, e se de novo tornarem a sair com suas espingardas para matar gazelas, corças e raposas para comerciar suas peles, e armarem todo tipo de armadilhas para as lebres e para os gansos selvagens? E se de novo estenderem suas redes para pescar os peixes do rio?"

Nas profundezas do bosque, todos vivem juntos. Ilustração: Freepik

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