quinta-feira, 8 de março de 2012

nunca li e-book



Cena de "The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore"

Penso que é muito mais fácil folhear um livro que percorrê-lo com a ajuda das telas touch screen. Sou entusiasta da tecnologia e, também, tenho como objetos de desejo todos os i-something disponíveis. Todavia:

1. Gosto de sentir o livro. Eles têm cheiros, formas. Eles guardam marcas que podem ser impregnadas em outras pessoas.

2.  Podemos ter boas surpresas ao abri-los aleatoriamente. Quiçá uma frase que precisávamos naquele momento ou um estalo para um projeto maior.

3.   Sou nostálgica. Quando criança, pegava um dos volumes que tinha em casa e ia com ele para o quintal. Sentava e folheava as páginas lentamente. Em minha ingênua imaginação, as pessoas a passar pela calçada diriam: “nossa, ela já lê, que bonitinha.” O efeito seria o mesmo com computador? “Nossa, que bonitinha. Já sabe mexer em tablet.” Não, definitivamente, não.

4.  Marco meus trechos favoritos para depois relê-los. Partilhá-los. Sei que isso é possível com e-books. Mas eles não permitem os marcadores adesivos e coloridos pelos quais sou aficionada.

5.  As estantes com várias capas, organizadas por autor, são encantadoras. E o que dizer das bibliotecas, das livrarias e até da cabeceira da cama sem os livros impressos? E, acima de tudo, livros dentro de kindles e tablets jamais serão únicos. São cópias digitais.

6.  A bateria dos livros nunca acaba. Ela se autorrenova. Os livros curam e são curados.

7.  Enfim, eles têm vida própria. Dançam, cantam, voam e nos conduzem.

Encontrei a ilustração perfeita para todas essas minhas inclinações no curta-metragem de animação vencedor do Oscar de 2012: “The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore”, de William Joyce e Brandon Oldenburg, inspirado no livro com o mesmo nome. Lá está a história de um rapaz apaixonado pela literatura. Após um furacão, ele é transportado por livros voadores e por uma bela moça até uma fantástica biblioteca. Instigante e com pinceladas de “O Mágico de Oz”, ele reproduz com exatidão o porquê de os livros ainda não terem sido substituídos pelo e-book. Sem mais explicações. “Mas se a vida está sendo curtida, precisa fazer sentido?”, escreveria o protagonista.

Assistam. E leiam J
  


terça-feira, 6 de março de 2012

sobre os protetores dos animais

A violência contra os animais é gritante. Diariamente, pessoas descontam suas iras em cachorros, gatos e outros bichos. A boa notícia é que a população está mais atenta. 

Recentemente, uma cidadã foi filmada enquanto atirava seu cão ao chão. O acontecimento chamou a atenção dos internautas, que se mobilizaram para apedrejá-la virtualmente. 

Pela quantidade de casos expostos, parece que virou moda incendiar cães e cavalos. Eu penso que atos semelhantes sempre existiram. Ocorre que temos cada vez mais denúncias que chegam até nós com a ajuda dos meios de comunicação. O que é plausível. A defesa dos animais precisa de incentivadores. Precisa de adeptos. Aliás, quanto mais simpatizantes houver, menos animais serão maltratados.

O problema é que o inimigo pode estar na própria causa. Muitos protetores alegam, com razão, que dentro dessa violência temos que incluir a alimentação. Tratam como hipócritas os que defendem um cachorro enquanto comem um sanduíche de pernil – a minoria talvez até seja.

Infelizmente, é preciso aceitar que poucos fazem a distinção entre animais para comer, animais para brincar, animais que são utilizados como cobaias. A tendência é defenderem, sobretudo, animais domésticos e selvagens. Ao passo que bois, galinhas, peixes, porcos são degustados sem remorso. Inclusive por alguns ativistas. Não é prudente, porém, desanimar os que veem com bons olhos a causa, mas que ainda utilizam produtos de origem animal. Afinal, são eles que vão ajudar a eliminar as touradas, a farra do boi, as carroças, as gaiolas, os aquários e a aprovar leis mais severas.

A análise de dezenas de reportagens na Folha Online sobre o Peta – People for the Ethical Treatment of Animals -, um dos grupos mais conhecidos do mundo, mostra a falta de credibilidade que seus protestos mais radicais têm, como as passeatas com pessoas nuas e boicotes destrutivos. Embora seja uma luta autentica, o que fica no discurso da mídia é que são arruaceiros e sem muitos argumentos, observação que se estende aos leitores.

Questiono, do mesmo modo, campanhas que mostram animais mortos e ensanguentados. Como apontou Roland Barthes em "Mitologias", essas imagens podem nunca chocar porque não estamos diante da cena, nem estamos presenciando e vivenciando o fato. Alguém já viu e sofreu por nós. Resta, apenas, a repulsa.

São incontestáveis, ainda assim, os méritos da defesa dos bichos, muitos do Peta, inclusive, que tem anúncios bem criativos. Afinal, alguma revolução é necessária. Há notáveis exemplos, como as restrições à vivissecção, a diminuição do comércio de peles e a proibição de animais em circos. A única objeção está na imagem que ela passa para a população que precisa ser seduzida. E que, em sua maior parte, não entende que queimar um cão pode ser o mesmo que devorar uma feijoada.

Por ora, não adianta dizer que o prato do seu amigo está vivo. Não adianta dizer ao vizinho que recolhe animais de ruas que ele não tem propriedade para tal, já que come carne. Não adianta tirar a roupa e fazer protestos. Lamento muito, mas isso não vai fazer ninguém virar vegetariano. Seguimos os exemplos de quem legitimamente admiramos e respeitamos.

Compreender, embora seja difícil, que a utilização de animais pelos seres humanos é muito mais que um hábito e se constitui em algo antropológico, surge como a opção mais sensata para equilibrar a relação entre os seres vivos. Confesso que já tive atitudes radicais na defesa dos animais. Pelo olhar assustado dos colegas, percebi que o convencimento pode ser obtido de maneira mais sútil. Claro que queremos que todos sejam livres. Antes, precisamos de mais seguidores. O resultado poderá ser constatado em vários pratos revisitados.

Todos merecem a liberdade e o respeito

Vídeo que traz campanhas em prol dos animais


domingo, 4 de março de 2012

tapete mágico

O primeiro romance que li contava as peripécias de um tapete mágico. Nem me perguntem qual foi a edição ou adaptação dessa famosa história do clássico "As mil e uma noites". Entretanto, adquiriu grande importância. Não era tão 'pequeno'. Tinha 'várias páginas e muito texto'. E foi escolhido durante uma das aulas de leitura do ensino fundamental, quando eu tinha sete ou oito anos.

Elas eram dadas pelo professor Galhardo uma vez por semana, de modo que levei um mês, acredito, para terminar aquela obra. A metodologia que utilizava era mais ou menos assim: numa mesa distribuía vários exemplares da literatura infantil. Então, éramos incentivados a circular e encontrar algo que nos chamasse a atenção.

Escolhi o tapete mágico. Nas aulas seguintes, enquanto as outras crianças folheavam os livros mais ilustrados e namoravam as capas mais coloridas, meus olhos buscavam 'minha história'.

Aladdin com o famoso tapete mágico

Já com onze anos, fui apresentada pelo mesmo professor ao Erico Verissimo e ao fabuloso "Música ao Longe". Que personagem adorável, romântica e linda era a Clarissa! Eu queria ser como ela. Escrever num diário, ter meus alunos, ler poesias e apaixonar-me por um rebelde de bom coração como o Vasco, Gato-do-Mato. Devorei o livro, que ainda é o meu favorito, num único suspiro pré-adolescente.

"Professor, tem outro livro como este?" "Sim." E saí da sala de leitura, como era chamada nossa biblioteca, com "Clarissa". Lá encontrei a adolescência da minha protagonista querida. Sua vida na pensão da Tia Zina e a relação com os outros hóspedes, em especial Amaro, o músico solitário e calado. Sua tristeza por ter perdido o amigo Tonico. O carinho pelo peixinho Pirolito. Suas travessuras mínimas. Seus doces passeios. As conjecturas típicas de uma garota inquieta. Pronto, não tinha como não querer mais.

"Tem outro, professor?" Na verdade, o que eu queria era continuar lendo sobre ela, sobre Vasco. Felizmente, ele não me deu "Um Lugar ao Sol", a sequência que eu tanto esperava, e que li mais de uma década depois. Eu não estaria preparada para descobrir o quanto custa alcançar um sonho e lidar com os 'problemas dos adultos'. Obviamente, eu também não me preocupava com o contexto social e as possíveis denúncias de Verissimo em seus romances. O que me encantava era o lirismo dos textos, apenas. Naquele dia, levei para casa "Olhai os Lírios do Campo". Coitada da Olívia, eu pensava. E chorava. “Tem mais?”

Agradeço imensamente ao mestre. Provavelmente, ele nem se recorda do tapete voador que me deu, transporte para inúmeras viagens literárias. Espero, de coração, que outros alunos continuem a ter o mesmo privilégio.



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

a invenção de morel

“A invenção de Morel”, de Adolfo Bioy Casares, é um fabuloso livro que mostra as peripécias de um protagonista inominado. Ele foi acusado por algum crime que não sabemos qual é. A pena é a prisão perpétua. Sem ter como recorrer, e se dizendo inocente, foge e vai parar numa ilha distante. O local é tido como inapropriado para se viver. Dizem que está tomado pela peste, haja vista as mortes estranhas que aconteceram por lá. Mas ele não se intimida e parte para a aventura, afinal é a única forma de se livrar das grades.

Na ilha, passa a entender as marés, a colher seu próprio alimento e a viver só. Como companheiro, apenas o diário no qual relata tudo o que faz e o que pensa, e pelo qual lemos sua história. Divide-se entre os baixios e o museu, único casarão naquelas terras. Tudo segue dentro da rotina estabelecida até que descobre que há outras pessoas com ele. Turistas começam a aparecer aqui e ali. Passam a promover festas e jantares no museu. Mas, estranhamente, ninguém nota sua presença. Será que tudo não passa de alucinação? Sonho? Ou ele morreu e não percebeu?

A resposta não é tão óbvia assim. E nem poderia ser vinda de um livro classificado no prólogo de Jorge Luis Borges como “perfeito”. Durante as confusões visionárias, o protagonista se apaixona por uma das turistas, Faustine, que fica horas sentada numa pedra observando o pôr-do-sol. Na tentativa de se declarar à moça, ensaia vários discursos.  Infelizmente, assim como os outros, ela também não o vê. Seria uma brincadeira? Uma intriga para que ele fosse novamente preso? Mais perguntas. Mais dúvidas. Entre as tentativas de se esconder do grupo e as tentativas de, ao mesmo tempo, se fazer visto, ele segue atormentado por seus receios e pelo amor platônico que sente por Faustine. Ela, por sua vez, aparece em companhia de outro homem, Morel, personagem que mais tarde vai explicar o tal mistério e apresentar sua fantástica máquina que pode captar muito mais que imagens em movimento.

Aqui está um excelente livro para todos que são fascinados por novas técnicas de reprodução ou que estudam imagens. Ou melhor, para aqueles que acreditam que não há como separar a imagem da alma do objeto representado.


O livro foi adaptado para o cinema em 1974 (L'Invenzione di Morel) por Emidio Greco, além de ter sido uma das fontes de inspiração para a série Lost.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

feliz natal




Esta é a imagem perfeita de Natal para mim. Quando criança, eu ficava sempre entusiasmada com a data e com a montagem da árvore de Natal. Adulta, perdi um pouco esse prazer.

Mas em 2005 me animei e a Tuti resolveu colorir ainda mais a festa. Grande e desajeitada, derrubou a árvore. Resultado: os enfeites ficaram todos em cima dela.

A Tuti foi uma cachorrinha linda que ficou conosco por 15 anos. Durante seus primeiros anos, corria de um lado para outro do quintal, já na maturidade, e com vários quilos a mais, restringia-se a andar vagarosamente. Sempre atrás da minha mãe. Gostava, porém, de ficar deitada com a barriga para cima. E quando estava nessa posição, eu gostava de arrastá-la segurando-a pelas patas dianteiras. Se ela se incomodava? Acredito que até curtia a brincadeira. Teve sete filhotes, dos quais apenas o Oliver ficou com ela. Eram inseparáveis. Ela o lambia, o paparicava, dormiam um ao lado do outro. Ele sempre com a cabeça encostada no 'colo' dela. Era o verdadeiro filhinho da mamãe – e da Renata, minha irmã, que também o enchia de cuidados.

A alegria do Oliver era ser acariciado. Adorava quando passávamos a mão em seu “bumbum”. Era todo carinhoso e quando não tinha o nosso carinho, coçava-se na parede. Tanto que as paredes de casa eram todas manchadas. Rastros do Oliver. No momento em que parávamos de o afagar, virava-se e nos fitava fixamente: "por que parou?" Depois que sua mãe morreu, ele ainda esteve por aqui por mais dois anos. Sempre com aquela deliciosa "carinha de coitado". Foram 11 anos de muitos “Óliiiiii, vem”.  

Esta semana sonhei com eles. Todos nadando numa enorme piscina. Entusiasmados com a atividade física. E adivinhe quem vinha por último na corrida aquática? A Tuti e toda sua morosidade. Foi muito reconfortante rever essa apaixonante dupla, mesmo que só em sonho.

Eu sei. O Natal já passou. Mas não precisamos de datas festivas para recordar os simples momentos na companhia de amigos verdadeiros e especiais, não é mesmo?


Óliiiiiiiver, vem!!


a índia é bem mais perto do que parece

Quem gosta de ler sabe que um livro puxa outro e quando você se dá conta, não consegue mais ler todos que gostaria.

Foi assim que veio meu interesse por histórias da Índia. Primeiro, a curiosidade despertada pela cultura indiana com a edição de 1994 do livro "O Mahabharata", do francês Jean-Claude Carrière. O Mahabharata é a principal obra em sânscrito, que Carrière conseguiu contar em prosa nesse agradável livro. Uma grande façanha, pois o original tem cem mil versos. É lá que está o famoso Bhagavad-Gita, diálogo entre Krishna e Arjuna.

Esse foi meu primeiro contato com a mitologia e deuses que habitam o distinto universo hindu. Do mesmo autor, também tenho o belíssimo "Índia - um olhar amoroso". Em suas palavras: "Neste livro, em que, por definição, a ordem é a alfabética e não dos itinerários ou dos anos - o que não é um exercício assim tão fácil, tão abrangente, como alguns costumam afirmar -, tentei ir, quando podia, um pouco além da visão superficial, e até mesmo por no caminho, como se fossem de monumentos, certas noções, modos de vida e personagens. É uma viagem que me deu muito prazer, e eu os convido a seguir comigo." Convite aceito. Ampliei a coleção com "Mahabharata - poema épico hindu", recontado por William Buck.

Por indicação de um amigo indiano, cheguei ao "O Deus das pequenas coisas", de Arundhati Roy. Junto com essa indicação veio o nome de outra autora: Jhumpa Lahiri e o comovente "Intérprete dos Males".

A partir daí, descobri vários títulos dessas e de outras autoras indianas, ou melhor, de autoras que nasceram na Índia ou são descendentes de indianos, mas que foram morar na Europa ou nos Estados Unidos. Ninguém melhor que elas para abordar a família, a cultura, a ruptura e as memórias dos indianos. Todas nos apresentam narrativas de incrível delicadeza. Impossível não sentir a emoção e a sensibilidade dos personagens. Recomendo a viagem literária, que para mim ainda não está concluída.

O Deus das pequenas coisas, de Arundhati Roy

Estha e Rahel são irmãos gêmeos que foram separados aos oito anos de idade. Tomam rumos diferentes e só voltam a se ver quando completam 31 anos. Com o reencontro, um dilúvio de lembranças da infância e de pequenos momentos que os faziam felizes, que os levavam ao mundo da fantasia, que transgrediam seus direitos e que, também, foram responsáveis pelo afastamento. Esse foi o primeiro livro de Arundhati Roy, escritora e ativista política que nasceu em Kerala, na Índia, local onde a trama é ambientada. Por seu envolvimento com os direitos dos indianos, ela aproveita para, de modo sutil, criticar o sistema de castas. Vocês vão amar alguns personagens, odiar outros e entender todos, de alguma forma.

"Naqueles primeiros anos amorfos, em que a memória tinha apenas começado, em que a vida era cheia de Começos e sem Fins, e Tudo era Para Sempre, Esthappen e Rahel pensavam em si mesmos juntos como Eu, e separadamente, individualmente, como Nós. Como se fossem uma rara espécie de gêmeos siameses, fisicamente separados, mas com identidades conjuntas." 

Intérprete de males, de Jhumpa Lahiri

A autora é inglesa, filha de imigrantes indianos e cresceu nos Estados Unidos. E é entre as culturas oriental e ocidental que oscilam os contos que integram sua primeira obra. Todos os personagens têm suas origens na Índia. Há o casal que, na varanda de sua casa nos Estados Unidos, descobre que o amor acabou. Há a indiana que vai morar com o marido nos Estados Unidos e que passa horas picando legumes, enquanto ele se dedica à universidade em que trabalha. Para se distrair, ela aprende a dirigir e passa a cuidar de uma criança. Há outro casal que, após anos vivendo juntos no silêncio, descobre o quanto é verdadeiro o amor que um sente pelo outro, mesmo a relação tendo sido imposta pelos pais num casamento arranjado. Já o conto que dá o título ao livro, parte da diversidade de idiomas na Índia - são 18 oficiais e um tanto mais de locais - ao falar de um homem que atua como intérprete de um médico. Cabe a ele traduzir todas as línguas para que seja possível entender os males que "atormentam" cada um dos pacientes.

A senhora das especiarias, de Chitra Banerjee Divakaruni

Quem assistiu "Chocolate", do diretor sueco Lasse Hallström, vai identificar algumas semelhanças com o livro. No filme, baseado no livro homônimo de Joanne Harris, Vianne Rocher, interpretada por Juliette Binoche, chega a um vilarejo e abre uma loja de chocolates que chama a atenção de todos e causa a fúria de alguns. Suas misturas exóticas e inusitadas do doce proporcionam conforto para muitas pessoas. Já no livro da indiana, temos também uma personagem feminina que chega aos Estados Unidos e monta uma loja de especiarias. Mágicas, elas, da mesma forma, funcionam como remédio para o corpo e para a alma. O livro beira o fantástico, principalmente nas regressões de Mina, já idosa, à sua terra natal. A fantasia ainda é maior e mais empolgante quando ela encontra um jovem por quem se apaixona. Seriam suas especiarias capazes de lhe devolver a juventude?

Irmã do meu coração, de Chitra Banerjee Divakaruni

Relato da amizade e do amor entre duas primas: Anju e Sudha. Ambas são órfãs de pais e foram criadas apenas pelas mães. São extremamente unidas, mas os casamentos arranjados e um segredo de família as separam. Fisicamente, apenas. Anju vai para os Estados Unidos com o marido jovem, por quem se apaixona. E Sudha fica na Índia lidando com um marido mais velho e com a sogra que a tem como empregada. Sudha é extremamente bela e encanta a todos, até mesmo o marido da prima. Anju finge não perceber essa atração unilateral e, ao saber do sofrimento crescente de Sudha, a convida para morar com eles.



The unknown errors of our lives (Os erros desconhecidos de nossas vidas, em tradução livre), de Chitra Banerjee Divakaruni

São nove contos que revelam a beleza e a simplicidade dos indianos, em especial os que imigram para os Estados Unidos. As histórias falam de adaptação, nostalgia e nos mostram que atos isolados de outras pessoas podem definir nossa história. Muitas vezes não entendemos os dizeres de nossas mães durante a infância e a adolescência. Mas quando somos nós as mães, suas afirmações mostram-se sensatas e inevitáveis. Em "The love of a good man" (O amor de um bom homem), Mona convive com a lembrança da mãe, que morreu vítima de um câncer. Acredita-se que tenha sido desencadeado pela desilusão que teve com o marido, que abandonou a família na Índia para ir morar nos Estados Unidos. Após a morte da mãe, ela própria deixa a Índia e constitui sua família, também em terras norte-americanas. O que ela não contava é que seu pai voltaria a procurá-la. A todo momento a recordar as máximas da mãe, agora verdadeiras, ela tenta evitar o reencontro. Perdoar ou não perdoar? “Quando eu optei pela raiva, eu não tive que pagar um preço por isso?”, ela se pergunta. E responde com outra pergunta:  "Não temos todos que pagar de alguma forma, não importa o que escolhemos.”
 
The namesake (O xará), de Jhumpa Lahiri

Mostra a trajetória de uma família indiana que vive nos Estados Unidos. O pai é um importante professor. A mãe, uma dona de casa. Os filhos, nascidos no ocidente, renegam suas origens. Adaptaram-se às regras dos norte-americanos. Silenciosos, os pais acompanham o distanciamento e a fuga da ideia de família. O livro foca, sobretudo, o filho Gogol. O nome lhe foi dado por seu pai, em homenagem ao escritor russo, o que traz vários constrangimentos ao rapaz, que não hesita em trocá-lo, ferindo ainda mais o orgulho paterno. Prepare-se para as lágrimas que virão. Foi adaptado para o cinema.



Unaccustomed Earth (Terra descansada), de Jhumpa Lahiri
 
Os contos lembram muito os que figuram no primeiro livro de Lahiri. Mesmo tendo deixado a Índia, os mais velhos insistem em manter vivas suas tradições junto aos filhos e netos. Todavia, esses já estão cada vez mais "americanizados", o que pode ser visto em suas roupas, geladeiras e ambições. O título do livro vem do conto que fala de uma indiana que se casa com um norte-americano. Ela não se sente à vontade para convidar seu pai a vir morar com eles, após a morte de sua mãe. Tal conflito reside na tradição que diz que os filhos têm que cuidar dos pais. Enquanto isso, seu pai aproveita para viajar pela Europa e curtir a vida aos 70 anos. Encontra, inclusive, tempo para um novo amor. Num outro texto, que também mostra a relação entre uma norte-americana e um indiano, percebemos como um casamento, às vezes, precisa ser destruído para depois ser reconstruído e permanecer descansado.

"Em uma de suas quatro mãos ele segura uma de suas presas, quebrada. É a sua pena: de fato, Ganesha usou essa presa pra escrever a maior parte do Mahabharata, ditada por Vyasa. Por isso, ele é a divindade protetora dos escritores, e de todos os que se dedicam ao estudo. É por isso que ele figura na capa deste livro." (Jean-Claude Carrière)

 
 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

liberdade

Lançado em 2011, "Liberdade", de Jonathan Franzen, é ideal para as férias, quando será possível lê-lo de uma só vez, sem pausas. O livro nos apresenta três protagonistas, tão reais quanto próximos de nós.

Temos a Patty, que vem de uma relação conturbada com os pais devido a sua baixa autoestima e percepção de que não tem os mesmos privilégios dos irmãos. Tal sentimento de inferioridade faz com que ela se isole e transfira sua energia para o basquete. Quer provar que pode ser boa em algo. Torna-se estrela do time universitário e quase entra para a seleção nacional. Foi impedida por um acidente e pela obsessão da melhor amiga, que quer controlar seus passos.  

Há o Walter, que foi o arrimo de uma família problemática. Advogado com muitas boas ideias, mas com extrema dificuldade para colocar seus pensamentos em prática. Entusiasta da causa verde, entra para um grupo que luta pela preservação da mariquita azul. Todos sabem que é apenas uma jogada para dar mais liberdade aos extratores de carvão. Ocorre que Walter não quer enxergar esse lado do negócio. 

Por fim, o Richard, metido a rebelde e, também, carente da proteção familiar. Ele joga suas angústias na música. Vive altos e baixos com suas bandas de rock. Nos altos, está sempre cercado de mulheres, cervejas e drogas. Nos baixos, dedica-se à construção de deques. Evita envolver-se seriamente com as mulheres. Até entender que é difícil excluir certas pessoas de sua vida.

Walter é o melhor amigo de Richard. Sentem grande admiração mútua. A tal ponto que, mesmo inconscientemente, se veem numa eterna competição. Entre Patty e Richard prevalece o encanto carnal. Entre Patty e Walter, o conforto que só a rotina pode proporcionar. Patty casa-se com Walter, marido aparentemente ideal: fiel, carinhoso, sempre disposto a fazer as vontades da esposa. Apesar de tudo, não consegue despertar nela um desejo mais intenso. Para isso, ela conta, secretamente, com Richard. E acaba escondendo-se sob a máscara de boa esposa e mãe perfeita.

Outros personagens aparecem no decorrer da história, que percorre mais de vinte anos. Joey e Jessica, filhos de Patty e Walter, que vão repetir as insurgências dos pais; Lalitha, a jovem indiana que faz Walter lamentar sua passividade; Connie, eterna e dependente namorada de Joey; Jenna, estereótipo das mulheres levianas, entre outros coadjuvantes.  

Em comum, eles tentam depositar suas expectativas e frustrações no Outro. Sempre vai haver alguém por trás dos fracassos, da falta de iniciativa e do medo de tentar mais uma vez. Livrar-se do confronto e da opinião dos que os rodeiam talvez seja a liberdade tão almejada. Quer saber como tudo isso vai acabar? Somente o tempo e as sucessivas desilusões irão dizer.


"Existe uma tristeza ocasional nos primeiros sons do trabalho alheio pela manhã; é como se o silêncio experimentasse uma certa dor ao ser quebrado."

"De onde vinha a pena de si mesma? E daquele tamanho descomunal? Segundo praticamente qualquer padrão, ela tinha uma vida muito boa. Todo dia, tinha o dia inteiro para encontrar algum modo decente e satisfatório de viver, mas ainda assim tudo que parecia conseguir com todas suas escolhas e toda a sua liberdade era mais sofrimento."

"Ele nem imaginava. Mas sentia que, por terem chegado tão perto do limiar e depois recuado tão atabalhoadamente, ambos tinham se vacinado contra o perigo de tornarem a se aproximar a esse ponto. O que agora lhe convinha à perfeição. Era assim que ele sabia viver: com a disciplina e a renúncia."



terça-feira, 31 de janeiro de 2012

coração partido

Penso que todas as situações são propícias para uma boa leitura. Separei dois títulos para quem terminou recentemente um relacionamento e quer, tão somente, algo que mostre que a dor vai passar.

Melancia, de Marian Keyes


Aqui você vai chorar de rir - e não de tristeza - com as trapalhadas de Claire, que é abandonada pelo marido minutos após o nascimento da filha do casal. Sentindo-se gorda (o vestido que veste logo no início da trama faz com que ela pareça uma melancia), feia e rejeitada, ela enfrenta uma verdadeira viagem ao fundo do poço. De volta à casa dos pais na Irlanda, assume o papel de renegada e entrega-se à depressão, à bebida e ao confronto com a família. Contudo, tudo isso ainda é muito pouco para tirar seu senso de humor. Lá pelas tantas, ela descobre que o ex não vale tantas lágrimas assim.

Lição: amor com amor se cura. Principalmente se o sucessor é o elegante e belo Adam. Você vai perceber que sofrer por amor pode ser bom, como me disse uma amiga, que afirma curtir essa angústia. E quando tudo acabar, a única coisa a lamentar é o tempo perdido chorando na cama e os quilos a mais por conta dos potes de sorvete. Os diálogos podem ser clichês, mas não deixam de mostrar os dilemas femininos como eles realmente são. Frívolos demais, talvez. Mas não para quem os vive.


“Vejamos então. O que devo contar-lhe? Bem, meu nome é Claire, tenho 29 anos e, como disse, tive meu primeiro filho há dois dias (uma menina, com quase três quilos, lindíssima) e meu marido (contei que o nome dele é James?) me comunicou, há cerca de vinte e quatro horas, que vem tendo um caso, já há seis meses — saca essa —, não é nem a sua secretária ou outra mulher charmosa do seu trabalho, mas com uma mulher casada que mora no apartamento dois andares abaixo do nosso. Incrível como isso soa suburbano! E não apenas tem um caso, mas quer divorciar-se de mim.”

“Patético, eu sei, mas o casamento é isso. Acaba com o nosso senso de autonomia pessoal! Mas nem sempre fui assim. Antigamente, eu tinha força de vontade, era independente. Agora tudo isso parece que foi há muito, muitíssimo tempo.”
 
Outros livros da autora também recomendados para momentos de crise sentimental: “Sushi” e “Um bestseller para chamar de meu”. Cada um deles com três protagonistas. Embora elas sejam diferentes em seus estilos, sofrem do mesmo mal: homens, profissão e homens. Divertimento garantido. Dica para acompanhar a leitura, baseada nas protagonistas de alguns dos livros citatos: essa fase pode ficar mais amena com uma taça de vinho e alguns sacos de batatas fritas. Boa leitura.

Ensaios de amor, de Alain de Botton



No livro, Alain de Botton apresenta todas a etapas de um relacionamento que vai desde a primeira vez em que o casal se encontra num voo de Paris a Londres. Passa pelas expectativa de quem vai tomar a iniciativa. Pelo calor e nervosismo dos primeiros encontros. Pelas buscas por pistas que podem revelar o outro está sentindo, suas intenções. E chega até o momento em que os defeitos começam a aparecer e a relação a esfriar.

A narração fica por conta do homem, que não hesita em abrir seu coração para os leitores. Quem estiver passando por uma situação parecida, irá se identificar com os momentos em que ele prefere a escuridão e o silêncio de um quarto, enquanto todos parecem estar se divertindo lá fora. Os que estão vivendo um grande amor também vão encontrar ali algumas respostas para as tais pistas que tanto buscam. Misto de romance e ensaio, o livro nos dá uma bela reflexão filosófica sobre o amor, ora aparando-se em Nietzsche, ora em Goethe e até em Freud. Tudo com gráficos cômicos e equações matemáticas sobre a chance de tudo dar certo. Aliás, humor aliado ao conhecimento é o forte de Alain de Botton.

“O desejo havia me transformado em um caçador implacável em busca de pistas, paranóico romântico, lendo significados em tudo. Mesmo assim, fosse qual fosse minha impaciência com os rituais da sedução, eu estava consciente de que o mistério dava a Chloe um encanto especial."

“Nos apaixonamos porque desejamos escapar de nós mesmos com alguém que é tão bonito, inteligente e interessante quanto somos feios, estúpidos e chatos. Mas, se um ser tão perfeito um dia se virasse e decidisse que nos amaria? Só podemos ficar um tanto chocados: como pode ele ser tão maravilhosos como havíamos esperado quando tem o mau gosto de aprovar alguém como nós?”

Há outro livro de Botton que trata sobre o amor, “Movimento Romântico”. O ponto de vista, desta vez é da mulher. Tal e qual “Ensaios...” dita sobre esse sentimento cheio de controvérsias: com começo, meio, fim e um novo começo.

No mais, é muito melhor sofrer com um bom livro por perto. Fica a dica.


O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli



quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

você está escrevendo direito?


Erros de português todos comentem. Inclusive, não é crime. Pode ser que você perceba alguns nas próximas linhas. Atire a primeira pedra o professor de português que nunca cometeu uma falta? O mesmo vale para os profissionais da área de comunicação.

Nossa língua é difícil, cheia de armadilhas:  quando usar “ç”, “ss”, “z”, “sc”? E os verbos e suas flexões? Impossível nunca ter dúvidas na hora de escrever ou falar da forma correta: eu caibo, ele varia. Concordo, também, que não precisamos conhecer todas as regras que determinam os acentos ortográficos, como aquela que define que as proparoxítonas são acentuadas: árvore, mágica etc.

Da mesma forma, não condeno as escapadelas por erro de digitação, desde que esses desvios não ocupem o texto inteiro: paixõa, por exemplo. Sabemos que foi um leve deslize ao digitar a palavra que simboliza um dos sentimentos mais ardentes.

Não costumo julgar, com tanta frequência, vírgulas fora do lugar ou a falta dela. Não é problema que as pessoas não se atentem para o fato que vocativo pede vírgula: Olá, Kátia. Enfim, tudo isso é perdoável, haja vista a complexidade de nosso idioma.

Contudo, há casos que doem. Maxucam. Ops, doeu aí? Mas vai ficar assim mesmo. Aqui, acolá e lá, já vi visinho, encomodar, análize.

O Facebook, Twitter e demais redes sociais entregam todas as nossas fraquezas diante do Português. E-mails corporativos as reforçam e indicam que houve falhas na educação. Sempre procuro escrever com o dicionário por perto. Conferir é rápido e alimenta as boas letras. E se ele não elimina minha dúvida, mudo a palavra, mudo a frase, mudo o jeito de dizer.  Peço para o colega revisar, às vezes, até uma linha, dependendo da importância e do destinatário.

A reforma ortográfica, que já é obrigatória desde o dia 1º de janeiro, ainda gera dúvidas, sobretudo na utilização do hífen: ultrassom, inter-racial, autoescola. Temos muito o que estudar. Sempre. Para isso, a leitura é o melhor caminho. A curiosidade e a força de vontade são as melhores escolas. Enquanto isso, que tal prestarmos mais atenção nas palavras e no que elas têm a nos dizer, evitando machucar os olhos de nossos leitores. Vale para a escola, para a profissão, para as redes sociais. E se interessa a observação, já vi colegas desistirem de paqueras por erros grotescos na escrita. Sem contar os inúmeros bons empregos perdidos.

Abaixo, os 12 erros mais comuns de nossa língua, segundo o jornal “O Globo”. #ficaadica

"Fazem cinco anos que trabalho no setor"; em vez de "Faz cinco anos..." (concordância verbal)

"Vou estar enviando o documento"; em vez de "Vou enviar o documento." (gerundismo)

"A nível de empresa ..." (modismo; deve-se substituir a expressão por "em relação a, em se tratando de, quanto a")

"Na medida em que ganhamos mais clientes..."; em vez de "À medida que" (a primeira forma indica causa, e não proporção)

"O índice valorizou 10%"; em vez de "O índice se valorizou 10%" (o verbo é reflexivo)

"Esse é o documento que preciso"; em vez de "Esse é o documento de que preciso" (regência verbal)

"Se eu ver o colega, aviso"; em vez de "Se eu vir o colega" (erro na conjugação do verbo ver)

"Há menas coisas..."; em vez de "menos coisas" (concordância nominal)

"O meu resistro profissional... "; em vez de "registro profissional" (ortografia)

"Eles reteram o documento..."; em vez de "retiveram" (conjugação verbal)

"Deixe esse ofício para mim fazer"; em vez de "para eu fazer" (uso inadequado do pronome)

"Não se preocupa, vamos bater a meta"; em vez de "Não se preocupe" (mau uso do imperativo negativo)


Todos erram, mas é muito melhor acertar
 Imagem extraída do blog Distração Digital


domingo, 15 de janeiro de 2012

a casa de papel

“E não encontro uma felicidade maior do que percorrer, em poucas horas diárias, um tempo humano que de outro modo me seria alheio.”

Não sei quantos livros tenho. Mas posso afirmar que a quantidade é ínfima se comparada à biblioteca formada por Carlos Brauer. Ao longo de sua vida, estima-se que tenha acumulado, arredondando, 19 mil volumes, entre obras raríssimas – que chegam a ser avaliadas em até 20 mil dólares cada – enciclopédias, dicionários, relatos de viagens e toda a sorte da literatura mundial.

Sua casa tinha livros até no banheiro. Para preservá-los, utilizava somente água fria para banhar-se. Seja verão ou inverno. Estamos no Uruguai e sua história é contada por outras vozes, todas ligadas pelo vício da leitura. Brauer não aparece realmente na narrativa. É um personagem pelo qual todos os demais nutrem extrema curiosidade, pena, pavor. Como se sua simples menção pudesse destruir suas próprias coleções.

O fascínio por sua vida é reanimado quando uma professora inglesa morre atropelada lendo versos de Emily Dickinson. Pouco depois, um exemplar de “A Linha da Sombra”, de Joseph Conrad, é deixado envolto em cimento na sala de seu possível substituto.

“A Casa de Papel”, de Carlos María Domínguez, escritor argentino radicado no Uruguai, fala sobre a paixão por livros, mais que isso, sobre a obsessão em acumulá-los e em tê-los sempre por perto. Após cinco anos, resolvi relê-lo instigada pelo artigo, publicado na Veja de 11/01/2012, do economista Claudio de Moura Castro, que comenta a falta de estantes para livros no Brasil, alusão aos poucos leitores no País. A mesma dificuldade em manter seus livros encontra Brauer, mas por motivos diferentes.

Nos diálogos de “A Casa de Papel” aprendemos como os livros podem ser lidos. Seja observando seus corredores – ruas verticais e diagonais formadas pelas separações das palavras. Seja saboreando-os ao som ou sob a luz de sua época, como um dos personagens: “eu desfruto ler Goethe enquanto uma ópera de Wagner toca no aparelho de som ou, digamos, acompanhar Baudelaire com Debussy.” Seja fazendo ferozes anotações em cada página lida. Seja mantendo suas folhas intactas. Aprendemos, ainda, as infinitas formas de afinidades entre as obras. Razão que pode ter levado à loucura Carlos Brauer.

A história é sedutora e você pode encontrar o desfecho em menos de uma hora. São poucas páginas e muitas informações que ratificam que os livros podem mudar sonhos, pessoas, navegações. O mar era a metáfora utilizada por Conrad em muitos de seus textos. E foi à beira-mar que Brauer encontrou o refúgio extraordinário para seu acervo literário. Imperdível.