sábado, 30 de agosto de 2025

o pequeno caderno das coisas não ditas


"Se você usa dureza para resistir à força, então ambos os lados se quebram. Tai chi enfrenta a dureza com suavidade, assim a força que chega se esgota."

Que tal um projeto de autenticidade? E o que exatamente isso quer dizer? Monica encontra um caderno com essa proposta na mesa do seu café. Até tenta alcançar a pessoa que o deixou ali, mas não consegue.

"Quanto você realmente conhece as pessoas que moram perto da sua casa? Quanto elas realmente conhecem você? Por acaso você sabe o nome dos seus vizinhos? Saberia se eles estivessem com problemas, ou se passassem dias sem sair de casa? Todo mundo mente sobre a própria vida. O que aconteceria se, em vez disso, você compartilhasse a verdade? Aquela única coisa que define você, que faz todo o resto a seu respeito se encaixar? Não na internet, mas com as pessoas reais ao seu redor? Talvez nada. Ou talvez contar essa história acabasse mudando a sua vida, ou a vida de alguém que você nem conhece. Isso é o que eu quero descobrir."

Achei a premissa de O pequeno caderno das coisas não ditas, de Clare Pooley, exagerada e forçada. Sem contar os personagens, que muitas vezes são bem irritantes, como o insuportável Julian, o artista idoso tido como excêntrico. Foi ele quem deixou o tal caderno, numa tentativa de se redimir dos estragos que causou durante a juventude, em especial à esposa, algo que só descobrimos perto do final.

Mas segui a leitura porque ela se passava em um pequeno café, porque eu queria algo leve e porque achei que poderia ser como o deliciosoA caderneta vermelha, de Antoine Laurain. Só não esperava encontrar uma história tão superficial.

Bem, a ideia é essa. Você esbarra num caderninho propondo a maluquice de escrever nele seus segredos e deixá-lo em algum lugar, aleatoriamente. A pessoa que o encontrar deve seguir a brincadeira: ler o que você escreveu e registrar também seus pensamentos. E eis que todos concordam e passam a compartilhar angústias, medos, erros. Obviamente, acabam se reunindo e formando uma pequena comunidade disposta a mudar e ajudar uns aos outros.

No meio de tudo há Monica, já citada, cujo sonho é ser mãe, há um viciado em drogas, uma influenciadora cuja vida parece perfeita, mas que vive uma crise no casamento, e o chato do Riley, que não sei de qual universo paralelo surgiu.

O fato é que as histórias de todos praticamente já sumiram da minha memória, sinal de que o livro também não foi tão essencial assim. Não recomendo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário