sábado, 18 de outubro de 2025

a extraordinária cozinha dos livros


 “Não era uma solidão triste e sombria, era algo que fazia você olhar para trás com ternura, sabendo que toda história tem um fim.”

Os livros mais expostos nas livrarias são os coreanos e japoneses com capas fofas e que hoje são conhecidos como literatura de cura. A ideia é deixar aquele "quentinho no coração" depois da leitura. Na onda desse sucesso, vieram outros livros com as mesmas imagens acolhedoras, até infantis, mas que escondem outro tipo de literatura, a hot. Enfim, esse é o mercado editorial, que não abre mão de nenhum detalhe quando o assunto é vender, mesmo que isso confunda o leitor. Nada contra o gênero hot, mas, muitas vezes, tudo o que a pessoa precisa é de autoajuda em forma de romance estrangeiro.

E assim cheguei a alguns romances: Chocolate quente às quintas-feiras, A biblioteca dos sonhos secretos, Meus dias na Livraria Morisaki, Antes que o café esfrie (1, 2 e 3 - não consegui avançar mais que isso), Relatos de um gato viajante (meu favorito) e O gato que amava livros. São alguns exemplos desse tipo de literatura que vem do Japão ou da Coreia do Sul e que quase sempre está associada a um gato, a uma livraria, a uma biblioteca ou a um café. Essa é a grande premissa.

O que não é diferente do que vemos em A extraordinária cozinha dos livros, de Kim Jee-Hye.

A trama gira em torno de Yujin que, após passar anos trabalhando intensamente em uma startup em Seul, decide mudar de vida. A inspiração surge enquanto toma um café e ouve que há um imóvel sendo vendido, o que lhe parece perfeito para iniciar o próprio negócio. Acompanhamos cada detalhe da criação desse espaço, que reunirá café e livros. Haverá cápsulas do tempo para os hóspedes, onde eles escreverão cartas para si mesmos no futuro, e que quero copiar. A proprietária também escolherá, a dedo, livros que conversam diretamente com o ânimo e o estado de espírito de cada visitante.

Haverá ainda o reencontro de Yujin com amigos da vida. Embora cada um tenha seguido o próprio caminho, permanecem as lembranças em comum. Também uma celebridade chegará ao local, que, no passado, foi a casa de sua avó.

Nada profundo, mas que cumpre exatamente o que promete: deixar o coração aquecido e despertar a vontade de também, quem sabe, iniciar novos projetos, com mais tempo para se dedicar ao que realmente nos toca.

Ao ler o trecho abaixo, dei-me conta de que eu também sempre espero pelo café da manhã. Talvez pela certeza de que há algo aconchegante me esperando.

“Nas madrugadas, quando acordava de um pesadelo e o medo da cirurgia começava a tomar conta, pensava no café da manhã quentinho que teria depois que o sol nascesse. Era a refeição caseira ideal que Sohee sempre sonhara. Pensar no que haveria no café da manhã seguinte costumava ajudá-la a pegar no sono de novo.”

Escrevo esta resenha ouvindo Let It Snow, de Eddie Higgins, que aparece no romance. Aliás, este é um bom livro para o Natal.

E termino com um trecho que traz algo que acredito muito :-)
“Assim que você mergulha no mundo da ficção, esquece a dor da realidade, como se tivesse tomado um analgésico.”

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