sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

provence



“Toda mulher precisa de pelo menos um verão na vida em que possa se perder.”


Provence, o lugar onde se curam corações partidos”, de Bridget Asher, pseudônimo da norte-americana Julianna Baggott, é o que chamo de leitura fofa. Apesar de partir de uma situação triste, traz momentos de bom humor e o cenário perfeito para fugirmos da realidade e descansarmos a cabeça. 

Heidi perdeu o marido em um acidente de trânsito há dois anos e ainda não se recuperou da tragédia. Ela mora com o filho de oito anos e, com exceção dos cuidados com o garoto, deixou de fazer tudo o que gostava, incluindo o trabalho em sua confeitaria. 

No dia do casamento da irmã, a dor é ainda mais forte por lhe fazer lembrar dos momentos que deixou de viver com Henry. Vendo seu estado desesperador, sua mãe planeja uma viagem à região da Provence, na França. A desculpa é que ela ajude a reformar a casa da família na qual costumava passar as férias de verão quando criança. Acontece que a própria mãe também tem suas frustrações e alguns segredos. Nada demais. Mas o gostoso é o cenário, as situações corriqueiras que a personagem principal vivencia durante a viagem. Para começar, a casa fica aos pés do monte Sainte-Victoire, o mesmo tantas vezes retrato pelo impressionista Paul Cézanne. Quanto privilégio! 

Claro que haverá um novo romance. Claro que tudo é previsível. Há personagens secundários totalmente sem graça. Ainda assim foi uma boa leitura, que me deixou com uma vontade louca de fazer o mesmo roteiro. 

Boa viagem ;-) 

Résultats de recherche d'images pour « cezanne mont sainte victoire »
Uma das pinturas de Cézanne inspiradas no monte Sainte-Victoire

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

a notícia relevante


“Uma relação saudável com a imprensa é obrigação institucional. É lícito e democrático que se tenha informações verossímeis sobre empresas, setores ou pessoas públicas.”

A notícia relevante” traz a experiência de Ibiapaba Netto, que já foi repórter, assessor de imprensa e que, agora, é executivo de importante organização agrícola, ou seja, atua como fonte e porta-voz. 


Em sua jornada profissional ele presencia o grande descompasso entre os jornalistas e as assessorias de imprensa. De uma lado, o pessoal da redação sempre recebendo informações com desconfiança. Do outro, assessores tratando jornalistas com receio e pouca transparência. Embora o livro seja dedicado sobretudo às empresas que desejam reforçar sua comunicação e se sobressair num mar cheio de sugestões de pautas, vale também para assessorias de imprensas, que vão ver situações que incomodam os clientes, e jornalistas, que vão entender um pouco as necessidades das organizações. Leitura rápida e recomendada. 

Abaixo, um pouco de suas recomendações:

Fonte

Você não ser citado em uma matéria, não reduz seu papel de fonte. Você pode ser essencial nos bastidores esclarecendo, por exemplo, sobre a área de atuação de sua empresa. O jornalista sempre vai precisar de uma fonte para dar a notícia. E essa fonte nem sempre será um porta-voz, mas alguém que vai dar acesso a informações e dados estratégicos.

Mesmo que o jornalista seja seu amigo de infância, padrinho ou o que for, ele continua sendo jornalista e você a fonte. Isso quer dizer que se tiver algo que seja alvo de reportagem, não será poupado de uma análise mais crítica.

Cuidado com o famoso “em off”. Isso não existe. Se não quiser que algo seja divulgado, não conte a um jornalista.

Não se esconda

Atender ou não a imprensa? Sempre atenda. A não ser que seja algo muito, mas muito específico que exija sigilo. Nunca deixe de contar sua versão dos fatos. Até porque se a notícia for relevante, não deixará de ser dada porque você se omitiu. “O fato de não atender a um veículo de imprensa jamais eliminará o risco de a matéria sair.”

A imprensa trabalha dialeticamente: um acusa, outro defende. Para algo ser notícia é essencial que haja um conflito. Então, para que fugir?

Confiança é o pilar mais importante nessa relação. Jamais minta. “Mentir para um jornalista significa ser desmentido em algum momento, cedo ou tarde. Num mundo repleto de possibilidades de informações e de acesso a dados, nenhuma mentira se sustenta por muito tempo.”

Assessoria de imprensa serve para defender uma posição e evitar que um contraponto sobressaia. Marketing é para conquistar corações e mentes. Juntar os dois é o melhor negócio para se comunicar com a sociedade. “De nada adianta uma bela propaganda se há somente notícias negativas. Por outro lado, apenas o alcance das notícias é pouco para quem deseja ou necessita dar mais amplitude às suas mensagens.” Assim, se a verdade tal e qual não é suficiente para dar o alcance que almeja, coloque uma pitadinha de marketing e mande bala! 

Sempre tenha à mão um material explicativo com tabela, gráficos e todo o tipo de dado que possa precisar durante uma entrevista. Isso, além de lhe guiar durante a entrevista, ajuda a evitar erros. “Não há reportagem 100% correta para 100% do público, até porque, normalmente, para cada reportagem são consultadas diferentes fontes de informações que trazem pontos de vista diferentes.”

Atente-se a entregar suas principais mensagens. Não fique chateado se um ou outro dado saiu errado. Isso pode acontecer e não é recomendável que se peça uma errata. Até porque ninguém lê as erratas. Só entre em contato com a redação se realmente for algo que prejudica o entendimento geral do assunto abordado. Muita encheção de saco pode criar conflito na relação. E não queremos isso, certo?

Sempre aposte em mensagens simples, breves e diretas. Nada de bla bla bla. A chance de ótimos resultados é infinitamente maior.

Encontre seu espaço

Nem só de grande mídia vivem as notícias. As chamadas “novas mídias”, que não necessariamente são subordinadas aos grupos tradicionais (Globo, SBT, Folha de São Paulo etc.), ocupam cada vez mais relevância para diferentes públicos. São inúmeros os portais na internet que permitem conteúdo mais opinativo e próximo da mensagem que se deseja passar. O mesmo vale para os veículos regionais, que têm muita influência local. Eles cobrem fatos que, embora não tenham relevância suficiente para uma audiência nacional, interessam muito regionalmente. Aposte neles.



A relevância jornalística vai depender de várias fatores, como o tamanho do negócio, número de pessoas envolvidas, importância econômica e social do setor. E para todo negócio sempre vai haver um veículo especializado. Aliás, isso é o que não falta: segmentação. Principalmente com a internet. Ou seja, todos podem ser relevantes. Basta escolher o veículo adequado para contar sua história. “A necessidade de comunicação vai muito além da existência ou não de um produto ou marca na prateleira de um supermercado. Há que se comunicar com a sociedade, com os fornecedores, os clientes etc.”

Encontre uma boa história e um bom foco. Hoje, a oferta de notícias é muito maior que a demanda. O autor dá o exemplo de um empresário que conseguiu divulgação para sua empresa a partir da publicação de um livro que falava de uma premissa pessoal, que por sinal o havia levado a pensar seus negócios. Feita a ligação e tendo um bom conteúdo, o resultado foi um sucesso. 

Faça uma boa foto. Ela pode até valer mais que uma boa história. “Uma imagem inusitada que traduza (ou exponha) o conceito daquilo que é tratado pode render um topo de página de jornal, ou mesmo uma dupla em uma revista.”

Assessoria de imprensa

Fique atento se sua assessoria de imprensa tem clientes que concorram com você. Isso pode impedir que haja um planejamento para eventuais crises e fazer com que eles fiquem apenas no ‘apagar incêndios’. Outra crítica que o autor faz em relação às assessorias de imprensa é que geralmente colocam profissionais novatos para atender as contas. “Comprar um jornalista sênior e levar um recém-formado beira o estelionato.”

Não restrinja o trabalho de comunicação ao roteiro padrão de muitas agências: ter mailing list, enviar para todos um press release e, depois, fazer o follow up. “Manter esse procedimento como algo padrão é algo extremamente preguiçoso, automático e que simplesmente destrói qualquer agregação de valor de uma notícia.” Agora, uma crítica minha: agregação de valor? Eita, termo que me irrita e que, com o trocadilho, não agrega nenhum valor.

Cuidado com os releases. Eles são praga nas grandes redações. Algumas colunas recebem mais de dois mil por dia. Os jornalistas acabam dando prioridade para fontes conhecidas ou assuntos em evidência. Releases podem ajudar os pequenos veículos, sobretudo digitais. Alguns chegam a reproduzi-los na íntegra. Mas será que é isso que você precisa? Neste caso, o ideal é usar o bom e velho telefone quando REALMENTE tiver algo interessante a dizer.

Veja uma eventual crise como oportunidade. Algumas assessorias de imprensas tendem a ter um excesso de zelo para falar com jornalistas. Eles não são bichos de sete de cabeças. E isso pode fazer com que se perca a oportunidade de falar e ganhar um espaço bacana. “Notícia negativa não é crise, é coisa da vida e deve ser enfrentada como tal.”

Sete pecados capitais no relacionamento com a imprensa

  1. Oferecer uma falsa notícia exclusiva
  2. Fura coletivas: dar a notícia antes da reunião com os jornalistas
  3. Não dar retorno: dar uma falsa expectativa de retorno da fonte de informação ao jornalista
  4. Tentar comprar uma matéria
  5. Pedir para ler a matéria antes de ser publicada (quem nunca passou por isso. Rá!)
  6. Sufocar o jornalista com releases
  7. Vender pauta via redes sociais: mesmo que seja amigo do jornalista, não mande suas notas por Facebook ou WhatsApp, por exemplo.
No mais, o que realmente prevalece é a máxima já dita pelo magnata da imprensa norte-americana William Randolph Hearst: “Notícia é o que alguém, em algum lugar, não quer que se publique; todo o resto é propaganda.”

Cena de Cidadão Kane, filme de 1941, que teve certa inspiração na vida de Randolph Hearst.

domingo, 28 de janeiro de 2018

a sombra do vento


“Existimos enquanto alguém se lembra de nós.”


Pensei que gostaria mais de "A sombra do vento", do espanhol Carlos Ruiz Zafón. E olhe que tentei. Ele tem todos os elementos que gosto: paixão por livros, mistério, romance, frio, anos 50. Ainda assim, não me convenceu. 

Um pai, que é dono de uma livraria, leva o filho de onze anos para conhecer algo extraordinário e secreto. Ele não pode contar a ninguém o que verá, nem mesmo para a mãe, que morreu e com quem conversa em pensamento. O lugar é um “cemitério de livros esquecidos” (sebo?). Lá o garoto pode escolher qualquer livro. Acaba ficando com “A sombra do vento”, de Julian Carax, autor completamente desconhecido.

Daniel devora o romance em uma noite e fica encantado com a história. Até aí tudo bem.

Então conhece uma moça que é desesperada por este autor. O tio dela oferece valores altos para comprar o exemplar. Daniel se nega a vender, entretanto, acaba se aproximando da garota, que é cega e se propõe a ler o romance para ela. Surgem duas paixões. Por Clara e pela vida de Carax. Ele faz de tudo para desvendar o autor, vasculhando passado, seguindo passos, falando com pessoas. Acaba encontrando um comparsa, Firmín, que encontrou nas ruas e que o ajuda nas investigações. Isso não colou para mim. Por que tanta fascinação? Lá pelas tantas, uma personagem resume bem o meu pensamento: “você acha que porque tropeçou em um livro tem o direito de entrar na vida de pessoas que não conhece, remexer em coisas que não entende e que não lhe dizem respeito?”

Outra coisa que não colou foi outra paixão doentia. A do autor por uma tal de Penélope. Aos dezesseis, dezessete anos eles se apaixonam loucamente como se não existisse mais nada no mundo. A família é contra por um motivo bem forte, que o casal nunca vai ficar sabendo. Ah, quase esqueço de dizer que há uma figura sinistra que aparece aqui e ali com o intuito de destruir todos os livros (bem poucos volumes, aliás, já que o autor nunca vingou) de Carax. Por quê? Bem, o motivo de tanto ódio é revelado e a explicação só me deixou mais revoltada. Daniel lá pelas tantas encontra outro amor. Exagerado, claro. 

O que salvou foi o pano de fundo que mostra um pouco da Guerra Civil na Espanha e os resquícios que ela deixou. A segunda Guerra Mundial também é mencionada, mas como algo que parece distante dos espanhóis. Este é o primeiro de uma série de quatro. A não ser que aconteça algo que me faça ler os demais, vou parar por aqui.

Apesar de tudo, tem vários trechos que merecem ser destacados. Deixo aqui alguns :-)

“Cresci em meio a livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó e cujo cheiro ainda conservo nas mãos.”

“Eu, com aquela fé dos que ainda podem contar a idade nos dedos das mãos, achava que se fechasse os olhos e falasse com minha mãe ela me escutaria onde quer que estivesse.”

“Cada livro, cada volume que você vê, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram, que viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém passa os olhos pelas suas páginas, seu espírito se expande e a pessoa fortalece.”

“Quando a razão é capaz de entender o ocorrido, as feridas no coração já são profundas demais.”

“As pessoas que não têm vida sempre se metem na dos outros.”

“Dirigi-me para casa, onde tinha planos de pegar um bom livro e fugir do mundo.”

“As pessoas estão dispostas a acreditar em qualquer coisa antes de acreditar na verdade.”

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

a arte das redes sociais



Acabei de fazer um intensivão sobre mídias digitais com  “A arte das redes sociais”, de Guy Kawasaki e Peg Fitzpatrick. Muito mais dele que dela.

São 12 capítulos que tratam do perfil, conteúdo, comentários, integração entre as várias plataformas, como blog e demais redes sociais. As dicas servem tanto para indivíduos como para empresas. Fiz um resumo de algumas delas. Lembrando que no livro há muito mais a ser conferido.

Bons posts ;-)


  • Use a mesma foto de perfil em todas as redes sociais. Ela é sua logomarca. Isso vai fazer com que as pessoas lhe reconheçam em qualquer plataforma. Já incorporei a sugestão, mas com duas logos, uma mais pessoal, outra corporativa ;-)
  • Ter um perfil admirado e que atraia a atenção das pessoas depende basicamente da qualidade do conteúdo que você compartilha. Além da frequência, claro. E para ter uma boa presença – os autores são radicais, quando mais posts, melhor – é preciso ter muito o que publicar. Não é fácil, assim, ter apenas conteúdo próprio. A solução é selecionar postagens de outros perfis e compartilhar. Isso é bom para todos. Para você, que vai dispor de mais publicações. Para o perfil que fez o conteúdo que você compartilhou. Para o mundo que tem alguém que faz seleções do que é (teoricamente e relativamente) bom nas redes sociais.
  • Aqui está a tabela com o número recomendável de posts por dia. Haja fôlego.



      • Algumas pessoas podem reclamar da quantidade exagerada de posts. Ignore-as. Mesmo que perca seguidores, o importante é ganhar em compartilhamentos. É bacana quando as pessoas curtem seu post. Mas o máximo mesmo é quando elas o compartilham. Isto quer dizer que elas estão arriscando sua própria reputação com base no que você escreveu.
      • Use ferramentas para lhe ajudar a agendar e distribuir seus posts. Há algumas bem interessantes, como o Buffer, que já estou testando.
      • Programe seus posts de acordo com datas especiais. Por exemplo: '10 frases inspiradoras para o Dia das Mães'.
      • Achei interessante Guy dizer que a maioria das ferramentas para melhorar o posicionamento em sites de busca - SEO (search engine optimization) - não serve para nada. Coincidiu com uma conversa que tive com uma amiga que trabalha na área digital. Muitas coisas ainda são um mistério até mesmo para os mais experts no assunto. O negócio é, realmente, jogar seus esforços para ter bom conteúdo.
      • Compartilhe o que já é popular. Não adianta encanar dizendo que todo mundo já postou tal coisa. Se todos estão falando de algo, você também tem que falar. Claro que pode colocar seu jeito e ponto de vista. No livro, inclusive, há sugestões de como se manter atualizado sobre os principais tópicos discutidos no momento. Um deles é o Most-Popular.Alltop. Fique de olho também nos assuntos mais discutidos em cada rede social. Vamos que vamos.
      • As pessoas não querem apenas ouvir sobre um único assunto. Isso entedia. Diversifique seu conteúdo, claro que sem perder sua essência. Dando meu exemplo, tenho um blog sobre livros. Entretanto, posso, eventualmente, falar de lugares gostosos para ler, trilha sonora para dias mais tranquilos, corridas de rua (que também curto), animais (sempre). Enfim. Seja criativo e útil. Ah, o mesmo vale para as empresas. Não é porque você é uma empresa de esporte que só vai falar sobre isso. Agora um conselho meu: tenha um bom repertório. Leia (muitos) livros. Vá ao cinema. Fique por dentro do que acontece na política, no mundo, na música. Aprenda um novo idioma. Estude. Desta forma, ideias sempre virão. E você ainda contribui para um mundo melhor. Cá entre nós, posts vazios (bobos) só superlotam a nuvem de informações :-)
      • Sempre achei o Google+ meio que sem função no mundo digital. Por três vezes tentei fazer parte dessa plataforma e desisti. Mas os autores falam tanto dela que vou dar mais uma chance. Dizem que é a rede com menos idiotas. Bom argumento, não? Rá!
      • O Pinterest é outro destaque dados por eles. Já gostava. Agora gosto mais. Pessoa influenciável. 
      • Slideshare também ganha destaque. Aconselham a transformar seus principais posts em slides e compartilhar. Ainda estou com um pé atrás em relação a esta plataforma.
      • Use e abuse do Hangouts on Air. Chame pessoas conhecidas, especialistas e coloque-as em contato com seu público. Promova bate-papos ao vivo. Fiquei morrendo de vontade de fazer um desses na empresa que trabalho.
      • Não hesite em dar sua opinião. Publique artigos que reforcem seus pensamentos, convicções. Rede social não é um lugar para você querer ser agradável. Se você tem essa ideia, com certeza não está trabalhando da forma correta.
      • Seja breve. Você tem que encontrar uma forma de chamar a atenção de forma rápida. Então, nada de “senta que lá vem textão”. No Google+ e Facebook apenas duas ou três sentenças. 100 (e não 140) caracteres no Twitter. Para artigos, 500 a, estourando, 1000 caracteres. Mas, se por algum motivo, tiver que colocar algo maior, deixe o texto organizado com bullets. Isso facilita a leitura. Viram que minha resenha ultrapassou e muito o limite. Em minha defesa, tudo está em tópicos ;-)
      • Seja visual. Em média, as visualizações de posts com fotografia ou infográfico são 94% maior do que as que não tem nenhum recurso gráfico. 


      • Cuidado ao responder os comentários. Não leve tudo para o lado pessoal. Parta do princípio que sempre há pessoas que não vão concordar com o que você fala. E isso não é ruim. Ao mesmo tempo, também haverá pessoas que realmente querem acabar com seu trabalho. Muitas vivem disso, inclusive. A vida é muito curta para travarmos batalhas que não merecem nosso esforço. 
      • Tente marcar encontro reais com seus seguidores e com as pessoas com as quais você interage nas redes sociais. Life is real.
      • Há dois tipos de pessoas nas redes sociais. As que querem mais seguidores e as que mentem. As que mentem são aquelas que compram seguidores. JAMAIS faça isso. O único lugar aceitável para pagar por algo é no Facebook com os posts patrocinados. E somente porque lá o jogo é esse. Mais uma vez, invista em bom conteúdo, tente migrar para plataformas novas. É muito mais fácil conseguir seguidores em plataformas que estão sendo lançadas do que nas mais antigas. 
      • Seja digital nos eventos que realiza. Você já gastou uma boa grana para fazê-los acontecer. Agora use e abuse das mídias sociais para promovê-los e também para trabalhar a marca da sua empresa. Primeiro, crie uma super hashtag. Algo curto e fácil de ser compartilhado. Anuncie-a aos quatro ventos. Todos, desde o mestre de cerimônias, deve divulgá-la. Libere a internet para facilitar a interação. Crie backdrops para que as pessoas possam tirar fotos. Com certeza elas serão postadas e, se tudo der certo, com a sua hashtag. Bote seus executivos para trabalhar, dar entrevista, ajudar na geração de conteúdo, tirar fotos com os participantes. Dedique alguém da equipe para fazer a cobertura em tempo real do evento. Se possível, transmita o evento ao vivo. Se alguém deixar de ir pessoalmente por causa disso, é porque ele não vale a pena ser feito. Repense suas estratégias.
      • Por fim, algo para distrair. Assista ao filme Chef, que fala de um chefe de cozinha que perde todo o prestígio que conseguiu ao longo dos anos após insultar um importante crítico gastronômico pelo Twitter. O filme mostra como ele irá superar essa crise de imagem. Afinal, rede social é isso: #reputação.

      quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

      a queda de gigantes

       
       
      “A classe operária é mais numerosa do que a classe dominante, e mais forte. Eles dependem de nós para tudo. Produzimos a comida que eles comem, construímos as casas em que eles moram e fabricamos as roupas que eles vestem. Sem nós, eles morrem. Não podem fazer nada a menos que a gente deixe. Nunca se esqueça disso.”

      Que livro sensacional. Sempre fui fã de histórias que retratam as grandes guerras. E “A queda de gigantes”, do escritor galês Ken Follett, não deixou a desejar. Acompanhamos aqui várias tramas simultâneas, datadas de 1911 até 1924, e sempre ligadas aos fatos da primeira guerra mundial.

      Temos o núcleo de galeses, liderados pelos irmãos Ethel e Billy Williams. Os ingleses, comandados pelo Conde Fitz e por sua irmã, Lady Maud. Os alemães, com Walter von Ulrich. Os norte-americanos, com Gus Dewar. E os russos, e mais empolgantes, com os irmãos Grigori e Lev Peshkov. Todas as histórias, de certa forma, interligadas. Personagens reais se misturam com os fictícios, como o rei Jorge V, Winston Churchill, Woodrow Wilson, Kaiser Guilherme, Lênin e Trótski. Romance de tirar o folego. Não conseguia parar de ler. Este é o primeiro volume da trilogia “O século”, que retrata a evolução desses personagens, e seus descendentes, durante todo o século XX. 

      Começamos com os trabalhadores das minas de carvão no País de Gales reivindicando melhores condições. Cansados da exploração dos patrões, se rebelam. Do outro lado, a aristocracia não sabe lidar com essas mudanças de pensamento e atitude. O líder é Billy Williams, que começou a trabalhar nas minas assim que completou 13 anos. Aos 16 foi responsável pelo resgate de colegas durante uma explosão. Sua irmã, Ethel, é governanta na casa dos ricos Fitzherberts. Enquanto Conde Fitz vive os luxos que seu título e riqueza proporcionam, sua irmã vai ser uma das embaixadoras dos direitos das mulheres com Ethel, que acaba entrando para a política após a gravidez. E é na casa dos Fitzherberts que jovens influentes em seus respectivos países se reúnem com o rei Jorge V para debater os indícios da iminente guerra. 

      Na Rússia os dois irmãos tomam rumos bem diferentes. Eles tiveram uma infância bem complicada. Presenciaram o assassinato dos pais por tropas do czar e vivem em condições precárias tanto no trabalho quanto em casa. Mas enquanto Grigori esforça-se para juntar dinheiro e ir para os Estados Unidos, Lev vive se metendo em encrencas. E em uma dessas acaba roubando o sonho do irmão mais velho e embarca para a América em seu lugar. Para Grigori sobram as trincheiras e um lugar de destaque na Revolução Russa.

      Enquanto isso, Walter von Ulrich apaixona-se por Lady Maud justamente quando Inglaterra e Alemanha estão em lados opostos. O namoro proibido dá o tom romântico ao texto. 

      Nos Estados Unidos, o jovem assessor do presidente Gus Dewar também vive algumas desilusões amorosas. Mas trava interessantes debates políticos com uma amiga jornalista e com o presidente Wilson.

      Com exceção do Conde Fitz e Lev, os demais personagens são propensos a lutar por boas causas. Interessante ver que há consenso em relação à guerra. Em determinado momento todos se perguntam o que estão fazendo ali, lutando contra inimigos que desconhecem e por causas que não são tão relevantes. “Já não conseguia se lembrar dos motivos, antes tão claros para ele, que haviam levado a Grã-Bretanha a entrar em guerra”, pensa Conde Fitz.

      “O homem era o único animal que matava seus semelhantes aos milhões e que transformava a natureza em um deserto de crateras de arame”, traz outra reflexão, desta vez de Walter.

      Aliás, os trechos que descrevem as batalhas nas trincheiras são bem tensos e muito bem escritos. Conseguimos ter uma boa visão do que era estar ali e das decisões rápidas que precisavam ser tomadas. Além das mortes e de como a pessoa se tornava apenas mais um corpo estirado no chão, já que o batalhão precisava seguir adiante. “Depois da experiência do campo de batalha, seria difícil levar a sério algumas das preocupações que as pessoas tinham em tempos de paz”. E é isso que fica após a leitura, super recomendada e que mostra como basta a insensatez de alguns e a conivência de outros para derrubar potências
      e gigantes.
      
      Como se não bastasse tantas mortes, os homens também envolveram os cães e
      outros animais na guerra. Na foto, um cão mensageiro saltando por uma
       trincheira alemã. Fonte: Incrível História

      Trechos

      “O partido trabalhista não clama pela revolução. Nós já vimos a revolução na prática em outros países, e ela não funciona. Mas nós clamamos por mudança. Uma mudança séria, profunda, radical.”

      “Os homens gostavam de inventar um conto de fadas no qual havia uma divisão de trabalho na família: enquanto o homem saía para ganhar dinheiro, a mulher cuidava da casa e das crianças. A realidade não era bem assim. A maioria das mulheres que Ethel conhecia trabalhava 12 horas por dia, além de cuidar da casa e das crianças. Malnutridas, sobrecarregadas, morando em barracos e vestindo trapos, elas ainda assim entoavam canções, riam e amavam seus filhos. Para Ethel, uma única mulher dessas tinha mais direito de votar do que 10 homens juntos.”

      “Para Lênin, relaxar significava passar uma ou duas horas debruçado sobre um dicionário de língua estrangeira.”

      “Era famoso por suas reuniões em que ninguém podia se sentar: segundo ele, as pessoas decidem mais rápido assim.”

       “Ele decidiu que era melhor relatar a situação a um superior e transferir o problema para outra pessoa.”

      terça-feira, 26 de dezembro de 2017

      a irmã da pérola




      “Sonhava com as noites frias e enevoadas de casa.”

      E lá fui eu de mais um livro de Lucinda Riley. Foi o que menos gostei. O que aprecio em seu texto é justamente o ambiente frio e acolhedor. A névoa das paisagens que ela descreve e o friozinho que me faz sentir, mesmo que em pensamento. O que foi impossível com “A irmã da pérola”, quarto volume da série “As sete irmãs”. Nele, temos a história de Ceci. Já a achava meio sem graça antes. Conhecer seu ponto de vista só aumentou minha aversão pela personagem. Para piorar, ela vai para o lugar mais quente da Austrália. Até agora estou sentindo calor.

      Essa série fala de seis irmãs suíças que são adotadas por Pa Salt, homem misterioso até mesmo para elas. Embora tenha sido próximo das filhas, ninguém sabe o que faz e como conquistou sua fortuna. Quando morre, deixa uma pista para cada uma delas dizendo de onde vieram. A primeira foi adotada no Rio de Janeiro (outro lugar quente, mas parte dos fatos acontecem na França). A segunda veio da Noruega. A terceira, do interior inglês. Em posse de suas coordenadas, todas partem para descobrir suas origens. A sétima é uma incógnita. Não faz (ainda) parte do time. Vale comentar que todas levam nome de estrelas da Constelação das Plêiades.

      Ceci, a quarta irmã, vai para os recantos australianos. Lá descobre que tem sangue aborígene e nos seus ancestrais descobre o amor pela a arte, o que justifica suas próprias aptidões. Não me convenci nem um pouco. Ceci era grudada em Estrela, a terceira irmã. Quando esta parte para a Inglaterra em busca de seu passado, fica completamente desorientada. Proximidade que fazia mal a ambas. A separação permite que Ceci entre em contato com outras pessoas e que encontre outro motivo para viver. Antes de partir para a Austrália, faz uma parada na Indonésia e acaba se envolvendo com um fugitivo. Caso totalmente desnecessário no contexto. Ai, Lucinda! Andou pisando na bola. Na Austrália, ela se depara com relatos sobre seus antepassados: Kitty McBride e os gêmeos Drummond e Andrew. Ela veio da fria Escócia, e a todo momento parece sentir falta do frescor de seu país.
      “Enquanto escrevia uma carta para a família, quase podia sentir o ar nebuloso e gelado, e visualizar a enorme árvore de Natal na Princess Street, enfeitada com minúsculas luzes que balançavam e dançavam com a brisa”. Eles vieram da Alemanha. Todos em busca de oportunidades no novo mundo. Kitty veio como dama de companhia da tia dos irmãos, já muito bem estabelecidos e donos de vários negócios, dentre eles o de pérolas. Até que foi gostoso acompanhar a história deles. Mas isso não chegou a salvar o livro. Com exceção de um trecho ou outro, fiquei bem decepcionada. Uma pena.

      Trechos


      “Kitty voltou ao convés, fascinada com o gado que ainda estava sendo desembarcado. Os animais pareciam magros e desnorteados enquanto desciam aos tropeços pela prancha. – Tão longe dos campos verdes e frescos de casa – sussurrou para si mesma.”

      “Tudo está planejado antes mesmo de respirarmos pela primeira vez.”

      “Então pensei que não era nunca dos grandes momentos que eu me lembrava; eram sempre as pequenas coisas, escolhidas aleatoriamente por alguma alquimia estranha, que ficavam no meu álbum de fotografias mental.”

      quinta-feira, 16 de novembro de 2017

      a lista dos meus desejos


      Jocelyne está com quase cinquenta anos. Tem dois filhos e é casada com Jocelyn. Havia uma chance em um milhão de ela se casar com alguém que tinha a versão masculina do seu nome. E isso aconteceu. Temos, assim, o casal Jo e Jo no romance “A lista dos meus desejos”, do francês Grégoire Delacourt. Pelo que ela nos conta, a vida do casal é simples. Eu diria que morna. Sem sal. Mas vão tocando. Ela é uma pessoa com baixa autoestima. Se acha feia e sem atrativos. Tem um armarinho e, contrariando todas suas expectativas, fica famosa nas redes sociais com um blog sobre tricôs, o “dedosdeouro”. Mais uma chance em um milhão do sucesso ter acontecido. É cercada por bons amigos, entre eles duas irmãs gêmeas que estão sempre apostando a sorte na loteria. Por influência delas, Jocelyne acaba jogando uma única vez. E ganha. A partir daí tem que lidar com o dilema que surge: como trocar a passividade de seus dias pelas mudanças que o dinheiro pode trazer. Pensa nos filhos. O rapaz ambicioso. A filha mais ligada em artes e movimentos sociais. Pensa no marido e nos poucos e bons momentos que passam juntos. Enquanto fica ali, meio que paralisada e sem saber se vai descontar o cheque de dezoito milhões de euros que recebeu, é surpreendida por algo que vai machucá-la profundamente. Só posso dizer que fiquei com muita raiva. Mas estamos diante de um livro previsível, que vai tentar nos dar uma lição de moral. Bem ou mal, até que gostei. Será que diante de tudo isso eu hesitaria em descontar o cheque? Hmm, sei não ;-)

      quarta-feira, 15 de novembro de 2017

      anexos


      Anexos, da norte-americana Rainbow Rowell, foi escrito em 2011, mas se passa entre 1999 e 2000. Pega justamente a época do bug do milênio. Quem se lembra? Y2K, problema previsto para acontecer em todos os sistemas informatizados do mundo. Isso mobilizou praticamente todos os profissionais de TI. No fim, nada aconteceu. O enredo é bem interessante, apesar de bobo. Isso mesmo, não nos deixa nenhuma reflexão. Não ‘agrega valor’, como as ‘pessoas de negócios’ gostam de dizer (aliás, odeio este termo, apenas o citei aqui para reforçar todo o desprezo que tenho por ele. Rá!). Enfim, ainda sim, a leitura é divertida. Principalmente pelo formato do livro. Boa parte são trocas de e-mails entre duas amigas, Beth e Jeniffer, que trabalham na redação de um jornal. Elas são hilárias. Tudo começa com a presença no útero que uma delas diz estar sentindo. Apenas para exemplificar o nível das conversas, aspectos do dia a dia contatos com bom humor. E todo o bate-papo é acompanhado por Lincoln, o rapaz da segurança da informação. Toda empresa tem o seu Lincoln. Eles são responsáveis por vigiar os e-mails e garantir que nenhuma mensagem com teor proibido circule pelo ambiente empresarial. E lá está ele trabalhando durante a madrugada, período mais propício para exercer sua atividade, quando se depara com as mensagens das duas. Todas contendo as palavras da lista negra. O que ele faz? Nada. Fica curioso para saber os desfechos das histórias e não manda o sinal de alerta que deveria ter mandado. O interesse vai aumentando cada vez mais até que, quando percebe, está apaixonado por uma delas. O mais engraçado é que ele passa a ser assunto das discussões das duas. Final bonitinho, esperado. Sessão da tarde. Leitura rápida, ideal para uma ponte aérea, por exemplo.


      “O prédio não fica completamente vazio, disse ele. Tem gente trabalhando na redação.

      Você conversa com eles?

      Não, leio seus e-mails.”

      segunda-feira, 13 de novembro de 2017

      chá de sumiço


      “Não é a situação ideal. Mas precisamos fazer
      o melhor com as coisas que temos.”

      E eis que leio mais um livro da irlandesa Marian Keyes, minha escritora chick-lit preferida. Mais um da hilária família Walsh. Os livros dessa autora são divertidos, nos deixam de bom humor e são ótimos para os momentos em que estamos para baixo. Eu costumo recomendar “Melancia”, o primeiro dela que li, para quem sofre de dores de amor. Aqui temos Helen Walsh, a caçula. Como nas histórias de todas as outras irmãs, a sua não começa muito bem. Detetive particular sem nenhum trabalho, acabou de perder o apartamento e teve que voltar para a casa dos pais. Tem um namorado lindo, mas com três filhos - um que a odeia - e uma ex-mulher que está sempre por perto. No meio de tudo, surge seu ex-namorado, com quem teve um caso mal resolvido, e lhe oferece um caso: investigar o sumiço de um cantor de um banda que fez sucesso no passado e que está prestes a fazer um show nostálgico. Como o cara sumiu, os outros membros estão desesperados porque essa é a única chance que eles têm para resolver seus próprios problemas pessoais. Helen aceita, mas durante suas investigações têm que lidar com uma crise de depressão. Em muitos momentos, tudo o que ela quer é sumir do mapa também. Guardada as devidas proporções, alguns trechos me lembraram “A redoma de vidro”, de Sylvia Plath. A mesma angústia da personagem lá, aqui estão reproduzidas. Claro que com o toque de humor peculiar à Marian. Chorei de rir com as divagações da nossa heroína narradora. A autora aproveita para ironizar, e ridicularizar, as bandas adolescentes. Do sucesso no passado para a decadência de seus integrantes no presente. Mesmo desengonçados e fora de forma, tentando fazer os passinhos ensaiados e usando as roupinhas que os destacaram. Fiquei imaginado como estão hoje os ‘meninos’ de bandas como New Kids on The Block, Menudos, Backstreet Boys. Pensando bem, não me interessa. Por outro lado, quero muito ler os outros livros da família Walsh. Sem contar, que dá para viajar para Irlanda com essas leituras :-)

      “Há sempre um fundo de verdade em tudo o que as pessoas dizem, mesmo que elas não saibam disso.”

      “Vou ter todo o tempo do mundo para cozinhar depois de morrer” (esta frase me representa)

      terça-feira, 15 de agosto de 2017

      nossas noites


      "Resolvi que não vou ficar preocupado
      com o que as pessoas pensam."


      Terminei de "Nossas noites", de Kent Haruf já faz um tempo. Mas só agora consegui escrever sobre ele. É lindo. Leitura fofa que traz o amor na velhice. Addie tem 70 anos e um dia vai até a casa de seu vizinho, Louis, que tem a mesma idade, com um convite: "o que você acharia da ideia de ir à minha casa de vez em quando para dormir comigo?" O velhinho, que não é tão velhinho assim, se assusta com a ousadia da mulher. Ela se adianta e diz que não é nada sobre sexo e tal. Apenas sente-se sozinha. “Estou falando de ter uma companhia para atravessar a noite, para esquentar a cama. De nós nos deitarmos na cama juntos e você ficar para passar a noite. As noites são a pior parte. Você não acha?”

      Louis fica tenso. Nem sabe direito o que dizer da proposta da vizinha que, embora conheça há anos, quase não teve contato.

      Addie vai embora dizendo que as portas estarão abertas caso ele aceite. A noite chega e, ainda em transe, ele se arruma, separa uma muda de roupa e vai. “Cortou as unhas das mãos e dos pés e, quando escureceu, saiu pela porta dos fundos e foi caminhando pela viela atrás das casas, carregando um saco de papel com seu pijama e sua escova de dentes.”

      A partir daí acompanhamos a rotina do casal recém formado. Eles fazem coisas simples, como andar pela cidade, ir ao mercado. Vez ou outra vão ao teatro ou fazem uma viagem rápida até a cidade mais próxima. E, principalmente, conversam. Falam sobre tudo. Sabe quando vemos alguma coisa interessante e queremos logo comentar com quem gostamos? Pois a relação entre eles permite ter esse alguém. Junta-se a eles o neto de seis anos de Addie. A esposa de seu filho saiu de casa e ele tem que deixar a criança com a avó para poder trabalhar. A narrativa é tão gostosa que é como se nós estivéssemos fazendo todos os passeios, piqueniques e tendo as mesmas pequenas aventuras. Mas, em paralelo, terão que lidar com preconceitos e críticas. Eu acreditava que o fim seria meio piegas, mas não. Mostra que ainda temos um longo caminho a percorrer até que possamos ser, de fato, felizes. “É uma coisa nova, não é?, disse ela. Mas é um tipo bom de coisa nova, eu acho.”

      A Netflix já anunciou o filme baseado no livro. Vejam o trailer