sexta-feira, 21 de setembro de 2012
mania de explicação
Página do poético livro “Mania de Explicação”, de Adriana Falcão com ilustração de Mariana Massarani.
Veja outros trechos tirados da imaginação da menina que buscava explicação para tudo:
“Dificuldade é a parte que vem antes do sucesso.”
“Sentimento é a língua que o coração usa quando quer mandar algum recado.”
“Angústia é um nó muito apertado bem no meio do seu sossego.”
“Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.”
Sentenças bem esclarecedoras. As crianças ficarão satisfeitas (e os adultos também).
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
E eu descobri o Pinterest, rede social que compartilha desejos, gostos, paixões. Tudo por meio de “achados” na internet. O resultado é um painel inspirador repleto de imagens que aquecem os olhos. O nome vem da combinação das palavras pin (alfinete) com interest (interesse). A ideia é justamente essa: “pregar” na tela tudo o que lhe atrai.
Vale conferir. Abaixo o retrato tirado hoje dos meus “pins”, com destaque para momentos de leitura. Que tal montar o seu também?
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
diário bizarro, e econômico, de bordo
Ao entrar no avião começa a aventura: disputa por um lugar no compartimento de bagagem de mão. Ganha quem ficar parado por mais tempo no corredor impedindo a passagem dos outros passageiros.
Assim que o embarque é encerrado e as portas ficam “no automático”, começa o troca-troca. Afinal, as pessoas querem ficar perto dos amigos, parentes, papagaios ou simplesmente encher o saco de quem assiste à cena. Coitado do japonês que topou trocar de lugar com uma das passageiras da CVC. Ficou ao lado de um cara que deve sofrer de incontinência urinária. Levantava para ir ao banheiro de meia em meia hora. E como o japonês estava no corredor, não teve sossego. Abençoada seja a serenidade oriental.
Passado algum tempo da decolagem, aparecem os pés descalços, ou melhor, com meias. Desde as coloridas até as meias finas que não cobrem os dedos (aquele modelo sinistro usados com sandálias). Há ainda as fornecidas no kit do voo, as velhas, as sujas e as com odor característico de quem não teve a preocupação de tomar uma boa ducha antes da viagem.
Logo todos já estão novamente acomodados nas poltronas embrulhados com os cobertores cedidos pela companhia aérea. Fones de ouvidos conectados e dedos a cutucar o vizinho da frente enquanto ficam a desvendar tudo o que o recurso multimídia do avião oferece. E viva o touch screen.
A primeira refeição se aproxima. Hora de descer a bandejinha e aguardar atentamente a sua vez.
Saciada a fome, inicia-se a saga do banheiro. De posse do kit com escova e creme dental, todos vão para a fila ao mesmo tempo.
Apagam-se asluzes e vemos os zumbis. Pessoas a zanzar de um lado para outro com suas meias pelos corredores. O andar é vagaroso, sonolento e elas geralmente mantêm o cabelo amassado. Há ainda aqueles que ficam com a bunda na sua cara a fim de prevenir a trombose.
Chega uma hora em que o silêncio reina. Todos dormem. Hora de aproveitar ao máximo esse momento para focar no destino e esquecer tudo o que está acontecendo.
Depois de um sono mal dormido nas desconfortáveis poltronas, temos a infelicidade de sermos acordados pela senhora que abriu uma fresta da janela, clareando repentinamente todo o ambiente.
O despertar é geral. Então, água daqui. Um suco ali. E lá vão os comissários de bordo servir a todos que acendem a luz para chamá-los.
Crianças, crianças. Sempre há. Desta vez, palma para elas. Em especial para os três irmãos ingleses que se comportaram muito bem. O mais novinho era uma graça e a única vez que tentou se expressar de forma mais ruidosa, teve seu som abafado pelo sinal universal do silêncio emitido pela irmã do meio: psiu. Ingleses, amo vocês.
Para terminar, tem a espertinha que tenta ser a primeira a retirar sua mala do tal compartimento. Antes mesmo de o avião aterrissar. Só escutamos um sonoro e raivoso som vindo de uma das comissárias: “SENHORA, SENTA!” Tarde demais para dar uma bronca nos passageiros, já chegamos.
Assim que o embarque é encerrado e as portas ficam “no automático”, começa o troca-troca. Afinal, as pessoas querem ficar perto dos amigos, parentes, papagaios ou simplesmente encher o saco de quem assiste à cena. Coitado do japonês que topou trocar de lugar com uma das passageiras da CVC. Ficou ao lado de um cara que deve sofrer de incontinência urinária. Levantava para ir ao banheiro de meia em meia hora. E como o japonês estava no corredor, não teve sossego. Abençoada seja a serenidade oriental.
Passado algum tempo da decolagem, aparecem os pés descalços, ou melhor, com meias. Desde as coloridas até as meias finas que não cobrem os dedos (aquele modelo sinistro usados com sandálias). Há ainda as fornecidas no kit do voo, as velhas, as sujas e as com odor característico de quem não teve a preocupação de tomar uma boa ducha antes da viagem.
Logo todos já estão novamente acomodados nas poltronas embrulhados com os cobertores cedidos pela companhia aérea. Fones de ouvidos conectados e dedos a cutucar o vizinho da frente enquanto ficam a desvendar tudo o que o recurso multimídia do avião oferece. E viva o touch screen.
A primeira refeição se aproxima. Hora de descer a bandejinha e aguardar atentamente a sua vez.
Saciada a fome, inicia-se a saga do banheiro. De posse do kit com escova e creme dental, todos vão para a fila ao mesmo tempo.
Apagam-se asluzes e vemos os zumbis. Pessoas a zanzar de um lado para outro com suas meias pelos corredores. O andar é vagaroso, sonolento e elas geralmente mantêm o cabelo amassado. Há ainda aqueles que ficam com a bunda na sua cara a fim de prevenir a trombose.
Chega uma hora em que o silêncio reina. Todos dormem. Hora de aproveitar ao máximo esse momento para focar no destino e esquecer tudo o que está acontecendo.
Depois de um sono mal dormido nas desconfortáveis poltronas, temos a infelicidade de sermos acordados pela senhora que abriu uma fresta da janela, clareando repentinamente todo o ambiente.
O despertar é geral. Então, água daqui. Um suco ali. E lá vão os comissários de bordo servir a todos que acendem a luz para chamá-los.
Crianças, crianças. Sempre há. Desta vez, palma para elas. Em especial para os três irmãos ingleses que se comportaram muito bem. O mais novinho era uma graça e a única vez que tentou se expressar de forma mais ruidosa, teve seu som abafado pelo sinal universal do silêncio emitido pela irmã do meio: psiu. Ingleses, amo vocês.
Para terminar, tem a espertinha que tenta ser a primeira a retirar sua mala do tal compartimento. Antes mesmo de o avião aterrissar. Só escutamos um sonoro e raivoso som vindo de uma das comissárias: “SENHORA, SENTA!” Tarde demais para dar uma bronca nos passageiros, já chegamos.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
cinquenta tons de cinza
Minha deusa interior está a me amaldiçoar. Tudo porque resisti às inúmeras "minha deusa interior isso, minha deusa interior aquilo", faladas a todo momento por Anastacia em "Cinquenta tons de cinza", da britânica E. L. James. Digo que resisti porque fui até a última página do livro na esperança de um desfecho revelador, o que não aconteceu.
Tão irritante quanto a tal deusa de Anastacia é o "não morda os lábios" de Christian Grey. E dessa forma a história segue, com diálogos repetitivos e cansativos que permeiam a relação de um rico empresário com uma recém-formada em Literatura. Ah, claro, há também muitas passagens de sexo. Com direito a tapas, beijos e pulsos amarrados com a gravata da capa, já que o protagonista bonitão é sadomasoquista.
Definitivamente, nada erótico ou sensual, apenas explícito. Feministas que ameaçaram queimar os exemplares do livro, não percam tempo dando mais atenção a esse best-seller. Com certeza, ele não fere a dignidade de ninguém. É apenas um livro que, utilizando uma frase feita, deixa muito a desejar. "Estamos aqui para satisfazer", diria ironicamente Christian. Perdeu, querido, vou passar longe dos outros dois títulos da dita trilogia.
Tão irritante quanto a tal deusa de Anastacia é o "não morda os lábios" de Christian Grey. E dessa forma a história segue, com diálogos repetitivos e cansativos que permeiam a relação de um rico empresário com uma recém-formada em Literatura. Ah, claro, há também muitas passagens de sexo. Com direito a tapas, beijos e pulsos amarrados com a gravata da capa, já que o protagonista bonitão é sadomasoquista.
Definitivamente, nada erótico ou sensual, apenas explícito. Feministas que ameaçaram queimar os exemplares do livro, não percam tempo dando mais atenção a esse best-seller. Com certeza, ele não fere a dignidade de ninguém. É apenas um livro que, utilizando uma frase feita, deixa muito a desejar. "Estamos aqui para satisfazer", diria ironicamente Christian. Perdeu, querido, vou passar longe dos outros dois títulos da dita trilogia.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
café da manhã com leitura
Essa dica é para quem está próximo da Avenida Paulista, em São Paulo. Que tal tomar café da manhã especial antes do trabalho? Tempo necessário para terminar mais um capítulo do livro, ler o jornal, atualizar o blog ou simplesmente relaxar. Aqui estão cinco sugestões que combinam ambiente tranquilo com opções típicas do desjejum. Bom dia :-)
Pain de France
Dentro da Aliança Francesa, na Ministro Rocha de Azevedo, fica uma das unidades da rede. Vale por ser um lugar que remete aos cafés europeus, principalmente pela gostosa área externa. Peça o chá com flores e frutas e aprecie o sossego da boa leitura. www.paindefrance.com.br
Athenas Restaurante
Há várias opções para o café da manhã no cardápio. Na dúvida, fique com o combinado especial que dá direito a excelente salada de frutas, suco de laranja, tostex, chá ou café. Boa música ao fundo e cenário matinal que destoa da agitação do restaurante-bar-café à noite. Aconchegue-se numa mesa com poltrona e aproveite. www.athenasrestaurante.com.br
Starbucks
A sugestão é a unidade que fica na esquina da Augusta com a Alameda Jaú. No andar de baixo, há o confortável espaço com poltronas, sofás, mesas. É só sentar e aproveitar a leitura ao lado do copo grande de chai latte de canela com leite de soja. Dica: a não ser que goste de bebida muito doce, peça para eles não adoçarem seu chá. www.starbucks.com.br
Paris 6
Bistrô que oferece buffet completo de café da manhã. Só senti falta de chá e frutas. Mas a simpática música francesa ao fundo compensou. Sem contar que você se sente, de fato, em Paris. Curta esse momento “fora” de São Paulo e fique com mais vontade ainda de transitar pelos mesmos lugares que Jesse e Celine no adorável “Antes do pôr-do-sol”, de Richard Linklater. www.paris6.com.br
Fran´s Café
Fiquei encantada com o chai (chá) de frutas vermelhas com pedaços de maçã, abacaxi e cravo da Índia servido na agradável e amplo espaço da Haddock Lobo. Delícia que me acompanhou no início da leitura de “A visita cruel do tempo”, de Jeniffer Egan. www.franscafe.com.br
Pain de France
Dentro da Aliança Francesa, na Ministro Rocha de Azevedo, fica uma das unidades da rede. Vale por ser um lugar que remete aos cafés europeus, principalmente pela gostosa área externa. Peça o chá com flores e frutas e aprecie o sossego da boa leitura. www.paindefrance.com.br
Athenas Restaurante
Há várias opções para o café da manhã no cardápio. Na dúvida, fique com o combinado especial que dá direito a excelente salada de frutas, suco de laranja, tostex, chá ou café. Boa música ao fundo e cenário matinal que destoa da agitação do restaurante-bar-café à noite. Aconchegue-se numa mesa com poltrona e aproveite. www.athenasrestaurante.com.br
Starbucks
A sugestão é a unidade que fica na esquina da Augusta com a Alameda Jaú. No andar de baixo, há o confortável espaço com poltronas, sofás, mesas. É só sentar e aproveitar a leitura ao lado do copo grande de chai latte de canela com leite de soja. Dica: a não ser que goste de bebida muito doce, peça para eles não adoçarem seu chá. www.starbucks.com.br
Paris 6
Bistrô que oferece buffet completo de café da manhã. Só senti falta de chá e frutas. Mas a simpática música francesa ao fundo compensou. Sem contar que você se sente, de fato, em Paris. Curta esse momento “fora” de São Paulo e fique com mais vontade ainda de transitar pelos mesmos lugares que Jesse e Celine no adorável “Antes do pôr-do-sol”, de Richard Linklater. www.paris6.com.br
Fiquei encantada com o chai (chá) de frutas vermelhas com pedaços de maçã, abacaxi e cravo da Índia servido na agradável e amplo espaço da Haddock Lobo. Delícia que me acompanhou no início da leitura de “A visita cruel do tempo”, de Jeniffer Egan. www.franscafe.com.br
terça-feira, 11 de setembro de 2012
give me five
No fim de cada dia, os voluntários que atuaram nos jogos paraolímpicos de Londres formavam uma fila para saudar as pessoas, em especial as crianças que saíam do conglomerado olímpico. Era o momento “high-five”, saudação na qual as mãos abertas de duas pessoas se tocam. O gesto representa vitória e mostra que tudo deu certo. Ou seja, missão cumprida. É o nosso “toca aqui” após o resultado positivo.
E foi com um grande “high-five” que o Brasil deixou Londres. Ao todo foram 43 medalhas: 21 de ouro, 14 de prata e 8 de bronze. E a meta alcançada: sétimo lugar no ranking.
Para não esquecer
Na disputa dos 800 metros de cadeira de rodas, o venezuelano Jesus Aguilar caiu a poucos metros da linha da chegada. Sem desistir, levantou e terminou a prova. O público foi ao delírio.
O chinês que sem os dois braços nada de costas. Detalhe para a largada. Nessa modalidade os atletas partem de dentro da piscina, segurando a borda com as mãos antes do tiro. E quando não há braços? Bem, largam com a ajuda do técnico, que segura a ponta de uma toalha, enquanto a outra fica firme na boca do atleta até o momento da disparada.
Euforia da torcedora britânica que nas provas da natação sabia o nome de todos. Gritava, batia palmas, saudava e comemorava cada vitória e recorde mundial. Ela representou muito bem o fervor inglês presente em todas as disputas. A arquibanca ensaiou até a famosa “ola” durante as provas de atletismo.
O torcedor-tenor que cantou em alto e bom som o hino da Itália durante a cerimônia de premiação da atleta Martina Caironi. Contagiou a plateia que o acompanhou com palmas.
O Parque Olímpico esteve sempre cheio. Quem viu a Olimpíada disse que não havia nenhuma diferença. Apesar da multidão, ouro para a organização e respeito do público.
Jogadores brasileiros do Futebol de 5 ficam de joelho durante a disputa de pênaltis contra a Argentina nas semifinais. O Brasil levou a melhor e ainda conquistou o ouro na final contra a França. Quem nunca assistiu a uma partida, vale conferir. Está ainda na memória o sorriso dos jogadores ao ouvirem os brasileiros que os saudavam enquanto deixavam o campo.
Delícia abrir os jornais ingleses e ver nossos atletas em evidência. Aliás, a imprensa esteve com ótima cobertura dos jogos, com direito a charges e primeira página para os ídolos britânicos, como a nadadora Eleanor Simmonds. Esperamos o mesmo daqui a quatro anos no Brasil. A publicidade britânica também merece medalha com os anúncios espalhados pelo metrô, Parque Olímpico, jornais.
Aliás, lá não havia paratletas. Apenas atletas. Fica a dica.
As luzes e cores do Estádio Olímpico à noite vão deixar saudades. Assim como a vista de Londres lá do alto da London Eye. Cheers!
E foi com um grande “high-five” que o Brasil deixou Londres. Ao todo foram 43 medalhas: 21 de ouro, 14 de prata e 8 de bronze. E a meta alcançada: sétimo lugar no ranking.
Na disputa dos 800 metros de cadeira de rodas, o venezuelano Jesus Aguilar caiu a poucos metros da linha da chegada. Sem desistir, levantou e terminou a prova. O público foi ao delírio.
O chinês que sem os dois braços nada de costas. Detalhe para a largada. Nessa modalidade os atletas partem de dentro da piscina, segurando a borda com as mãos antes do tiro. E quando não há braços? Bem, largam com a ajuda do técnico, que segura a ponta de uma toalha, enquanto a outra fica firme na boca do atleta até o momento da disparada.
Euforia da torcedora britânica que nas provas da natação sabia o nome de todos. Gritava, batia palmas, saudava e comemorava cada vitória e recorde mundial. Ela representou muito bem o fervor inglês presente em todas as disputas. A arquibanca ensaiou até a famosa “ola” durante as provas de atletismo.
O torcedor-tenor que cantou em alto e bom som o hino da Itália durante a cerimônia de premiação da atleta Martina Caironi. Contagiou a plateia que o acompanhou com palmas.
O Parque Olímpico esteve sempre cheio. Quem viu a Olimpíada disse que não havia nenhuma diferença. Apesar da multidão, ouro para a organização e respeito do público.
Jogadores brasileiros do Futebol de 5 ficam de joelho durante a disputa de pênaltis contra a Argentina nas semifinais. O Brasil levou a melhor e ainda conquistou o ouro na final contra a França. Quem nunca assistiu a uma partida, vale conferir. Está ainda na memória o sorriso dos jogadores ao ouvirem os brasileiros que os saudavam enquanto deixavam o campo.
Delícia abrir os jornais ingleses e ver nossos atletas em evidência. Aliás, a imprensa esteve com ótima cobertura dos jogos, com direito a charges e primeira página para os ídolos britânicos, como a nadadora Eleanor Simmonds. Esperamos o mesmo daqui a quatro anos no Brasil. A publicidade britânica também merece medalha com os anúncios espalhados pelo metrô, Parque Olímpico, jornais.
Aliás, lá não havia paratletas. Apenas atletas. Fica a dica.
As luzes e cores do Estádio Olímpico à noite vão deixar saudades. Assim como a vista de Londres lá do alto da London Eye. Cheers!
domingo, 26 de agosto de 2012
a estrela curiosa
Você sabe como se faz uma estrela? É fácil: "pegue um pouco de pó de Lua, misture com farinha de astros, incendeie com fogo do Sol e mexa com muito carinho!" Pronto. Agora é só moldar as estrelinhas e entregá-las às fadas que vão pendurá-las no céu com fios invisíveis. Essa receita está no livro "A estrela curiosa", de Walcyr Carrasco, autor de teatro, novelas, minisséries e também escritor de livros infantis. Mas como cada estrela tem sua própria personalidade (e até características físicas distintas), uma delas nasce com incrível inquietação. Fica a balançar seu fio invisível de um lado para outro. Tudo para não perder de vista o que acontece ao seu redor. Balança tanto que o fio não resiste e arrebenta. E a estrelinha cai, cai e cai. Valeu a pena tanta curiosidade? Pode ser que sim. As crianças que tiveram contato com o livro aprovaram o desfecho interplanetário, muito bem ilustrado por Eduardo Burato.E essa que vos escreve ainda está aqui a refletir sobre a origem dos cometas, estrelas cadentes e sonhos cósmicos.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
história pra boi casar
Era uma vez um boi que queria casar. Mas ele morava numa fazenda que não permitia essa união. Dizia-se que o fazendeiro não era nada casamenteiro. Então, o boi fugiu para terras que permitiam o amor. Esse é o enredo de “História para boi casar”, de Alessandra Roscoe, homenagem às cantigas e histórias contadas na infância.
Lá encontramos personagens bem conhecidos, como o sapo que não lava o pé, a borboletinha que faz chocolate para a madrinha, a dona barata com as sete saias de filó. Todos entusiasmados com a festa de casamento do boi. Aliás:
“O boi não tinha cara preta
Nem fazia careta.
Ele se apaixonou
E só sossegou no dia em que se casou.”
Atenção especial às belas ilustrações de Mariana Zanetti, que dão movimento especial ao texto. Com reverência ao ritmo da festa popular brasileira Bumba-meu-boi, a história também é contada e cantada num CD que acompanha o livro.
“Boi, boi, boi, boi da cara amarela
Que fugiu pra casar com a vaca,
Aquela que pulou a janela.”
“O sapo foi convidado
E até lavou o pé
Pra se livrar do chulé
(mas que chulé!).”
domingo, 5 de agosto de 2012
e começa a 22ª bienal internacional do livro de são paulo
Tenho ótimas recordações da minha infância relacionadas à Bienal. Principalmente na época em que as livrarias não eram megastores e a Bienal do Livro era o único local, além das bibliotecas, no qual se podia tocar, ver e sentir os livros. Estavam todos lá à nossa disposição para uma breve leitura ou apenas para a efetiva contemplação.
Para mim, bienal era - e de certa forma ainda é - sinônimo de livro. “Vai começar a Bienal”, significa, “vai começar a grande exposição dos livros.”
Neste ponto, chamo a atenção para a exposição, de fato. Ontem (05) li a entrevista que o autor de livros infantis Ilan Brenman deu ao Estadão, e que reforça a importância do suporte dado ao texto. Lá ele comenta sobre o valor do projeto gráfico do livro, sobretudo para as crianças. São como obras de arte. E como portal de novidades, a Bienal explora isso muito bem. Traz livros que chamam a atenção para formatos inusitados, para as ilustrações, para cores e, consequente, para o conteúdo. Os estandes são verdadeiros convites à leitura. Mesmo com a proliferação dos e-books e o encantamento que a tecnologia traz, acredito que nada substitui a experiência sensorial que o livro pode proporcionar. Que tal explorar este momento?
“Livros transformam o mundo, livros transformam pessoas” é o tema deste ano. São 480 expositores e a expectativa de 800 mil visitantes.
De 9 a 19 de Agosto de 2012
Pavilhão de Exposições do Anhembi
Av. Olavo Fontoura, 1.209 - Santana - São Paulo - SP
Das 10h às 22h. No dia 19 de agosto, das 10h às 20h, com entrada até as 18h
O evento também traz programação especial que mescla a literatura com diversão, negócios, gastronomia e cultura. Mais informações: www.bienaldolivrosp.com.br.
Para mim, bienal era - e de certa forma ainda é - sinônimo de livro. “Vai começar a Bienal”, significa, “vai começar a grande exposição dos livros.”
Neste ponto, chamo a atenção para a exposição, de fato. Ontem (05) li a entrevista que o autor de livros infantis Ilan Brenman deu ao Estadão, e que reforça a importância do suporte dado ao texto. Lá ele comenta sobre o valor do projeto gráfico do livro, sobretudo para as crianças. São como obras de arte. E como portal de novidades, a Bienal explora isso muito bem. Traz livros que chamam a atenção para formatos inusitados, para as ilustrações, para cores e, consequente, para o conteúdo. Os estandes são verdadeiros convites à leitura. Mesmo com a proliferação dos e-books e o encantamento que a tecnologia traz, acredito que nada substitui a experiência sensorial que o livro pode proporcionar. Que tal explorar este momento?
“Livros transformam o mundo, livros transformam pessoas” é o tema deste ano. São 480 expositores e a expectativa de 800 mil visitantes.
De 9 a 19 de Agosto de 2012
Pavilhão de Exposições do Anhembi
Av. Olavo Fontoura, 1.209 - Santana - São Paulo - SP
Das 10h às 22h. No dia 19 de agosto, das 10h às 20h, com entrada até as 18h
O evento também traz programação especial que mescla a literatura com diversão, negócios, gastronomia e cultura. Mais informações: www.bienaldolivrosp.com.br.
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Foto tirada durante a Bienal de 2010. No painel, campanha da Imprensa Oficial |
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
on the road
Motivada pelo lançamento do filme de Walter Salles, “Na estrada”, finalmente li o livro que o inspirou: “On the Road”, de Jack Kerouac, publicado em 1957. Queria terminá-lo antes da estreia nos cinemas, mas não deu. Os inúmeros “Iuuupi! Vamos lá!”, “Sim! Sim!”, “Claro! Claro! Claro!” de Dean Moriarty, o garoto-rebelde-cheio-de-problemas-aventureiro, travavam a todo instante minha leitura. Pode ser que eu o tenha lido tarde demais. Mas o fato é que tanta agitação da geração beat me cansou um pouco, apesar de o ritmo da escrita ser contagiante.
Parece que estou, de fato, ouvindo Sal Paradise (ou Kerouac, já que o livro traz suas experiências) a narrar a história com a pegada do jazz. Admiro o espírito aventureiro dos garotos norte-americanos da década de quarenta, mas vejo certa tristeza e melancolia na voz de todos os personagens. Suas peripécias são tentativas, muitas vezes frustradas, de fugir da realidade que não condiz com os sonhos. No caso de Sal, reflete ainda a dor causada pela morte do pai, o que somente a versão completa da obra, publicada anos mais tarde, apresenta. E o refúgio passa a ser a admiração por Dean, o cara desprendido que tudo pode e tudo faz.
Rodar os Estados Unidos de carona em carona, roubar cigarros, carros, esconder-se nas drogas, ter sempre uma pessoa a quem recorrer quando precisa de mais dinheiro e uma cama. É assim que Dean leva a vida. E é da mesma forma que as pessoas com quem cruza colocam, também, o pé na estrada no seu rastro.
Lá pelas tantas, a mulher de um amigo – cansada de tantas andanças – o define muito bem: “Você não tem a menor consideração por ninguém, a não ser por você mesmo e por suas malditas diversões. Só pensa no que tem pendurado entre as pernas e em quanto dinheiro poderá arrancar das pessoas que te cercam antes de simplesmente largá-las na mão. E não é só, o pior é que você nem mesmo se importa com isso. Nunca passa pela sua cabeça que a vida é coisa séria e que existem pessoas tentando fazer algo decente em vez de apenas ficar agindo feito estúpidos o tempo todo.”
“Sim! Sim!”, diria Dear Moriarty, sem captar uma palavra sequer, o que me deixa entediada. Não sei se quero ver o filme na sequência. Depois de tantas viagens repetitivas, vou dar um descanso para os “beats”. Pelo menos por ora.
Recomendo a leitura do texto de Ignácio de Loyola Brandão em sua coluna no Estadão. Lá ele fala sobre o “mítico rolo em que Jack Kerouac escreveu 'On The Road'”.
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