domingo, 13 de julho de 2025

guardiã de histórias


"É claro que toda biblioteca tem fantasma. Todo mundo sabe que fantasmas gostam de ler."

A Guardiã de histórias, de Sally Page, é Janice, dedicada faxineira que tem como hábito ouvir as conversas dos outros e guardar suas histórias. São narrativas que dão sentido à sua própria vida, que é bem desprovida de emoções. Ela vive com o marido, que a trata como empregada e não demonstra o mínimo de carinho.

Mas Janice tem um segredo, que vem das violências que presenciou quando criança. Algo com que nenhuma criança deveria ter que lidar. Quem vai descobrir esse passado e fazê-la contar o que aconteceu, até como forma de libertação, é a Sra. B., uma ex-espiã britânica de noventa anos. Ela também enfrenta suas próprias questões, já que o filho quer que deixe a casa onde mora para ir para um asilo. Ele pensa no dinheiro que vai receber com a venda do imóvel, e não no bem-estar da mãe.

Ao longo da narrativa, vamos conhecendo as histórias das pessoas que contratam Janice para limpar suas casas, como a Sra. B. Acompanhamos a relação entre uma mãe e seu filho adolescente, que desde a morte do pai não se entendem. Há o famoso cantor de ópera, que será essencial para a retomada de Janice. Além de colecionar fragmentos das vidas alheias, Janice também dá apelidos a todos que encontra, como a Sra. Sim-Sim-Sim e o Sr. Não-Não-Agora. Mas quem rouba seu coração e será o primeiro com quem ela vai estabelecer um diálogo sincero será Decius, um cachorro.

Já faz um tempo que li este livro e confesso que muitos detalhes me escapam. Portanto, nada tão inesquecível. Lembro, contudo, que muitas vezes me cansava da narrativa arrastada. Ainda assim, recomendo para todos que precisam entender que tudo aquilo que nos faz mal pode e deve ser rompido.

"Há um bom tempo eu percebi que, se eu der ouvidos às poucas pessoas que gritam comigo, estou dando a elas mais importância do que merecem. Suas palavras vão ficar na minha cabeça, me deixar chateado e as vozes estrondosas continuarão soando, mesmo depois que a gritaria acabar. Então, em vez disso, eu presto atenção nas vozes baixas, que são a maioria das pessoas."

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