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domingo, 23 de outubro de 2022

a pequena ilha da escócia



"Não está exatamente feliz, porém acha que não está triste, 
pois todo mundo é assim, não é?"


Sempre compro meus chick-lits de acordo com lugares que gostaria de estar. Foi assim com "A pequena ilha da Escócia", da escocesa Jenny Colgan. Logo na abertura do romance, ela comenta sobre os motivos que a levaram a escrever algo que mostrasse seu país. Apesar de ter viajado para vários lugares do mundo - muitos dos quais retratados em seus livros - Colgan pouco conhecia da sua própria terra natal, até retornar à Escócia após anos vivendo fora. Por ter nascido e crescido no sul, ainda não conhecia as Terras Altas e as ilhas ao norte, o que se propôs a fazer, encantando-se loucamente com tudo o que viu. Ela cita alguns lugares: Lewis, Harris, Bute, Órcades e Shetland.

Foi assim que criou a encantadora Mure, ilha fictícia bem ao norte da Escócia. Curiosa que sou, logo fui buscar as referências que a autora havia dado e não tenho dúvidas que trata-se de Shetland. Até pesquisei como chegar lá. Vontade de ir não falta.

"Mure é um lugar fictício, mas espero que transmita a essência e a atmosfera daquelas ilhas incríveis bem ao norte, que são tão estranhas, lindas e maravilhosas para mim - embora, claro, para as pessoas de pronúncia musical quem moram lá sejam apenas lar".

Shetland, uma das ilhas escocesa que inspirou a criação de Mure.
Imagino Flora percorrendo o caminho de areia

Fiquei me imaginando num lugar tão distante, tão frio, tão aconchegante e tão encantador. Ela tem tudo o que imagino para minhas férias. Só não aprovei a forma com que tratam e transportam as ovelhas, que viajam de lá para cá conforme os interesses comerciais envolvidos. Este não é o tema central do livro, mas me chamou a atenção.

"Ovelhas e vacas eram o principal interesse da família: ovelhas eram bichinhos robustos não muito bons de comer, mas que produziam lã resistente e macia que ia para tecelagens das outras ilhas e do continente, criando malhas, cobertores e tartãs de alta qualidade, e as vacas eram ótimas produtoras de leite."

Há ainda um cachorro, Bramble, que toda vez que seguia a protagonista pelas montanhas me deixava com o coração na mão. E se ele se perder? E se não voltar? E se se machucar? Claro que ele se machucou. Mas adianto que fica bem.

"O cachorro não a esquecera. Ele estava feliz além da conta por vê-la, pulando sem parar, fazendo um pouco de xixi no chão e dando o melhor de si para envolvê-la em sua alegria."

A história gira em torno de Flora Mackenzie, que saiu da pequena ilha para morar e trabalhar em Londres num grande escritório de advocacia. Lá, passa despercebida pelo board e nutre uma paixão platônica pelo chefe imediato, o Joel. Arrogante, mulherengo e ambicioso, o advogado nunca notou a moça, até o dia em que um importante cliente chega e pede que seu caso seja tratado diretamente por ela. Motivo: precisa de alguém que entenda a população de Mure e que o ajude a impedir que turbinas eólicas sejam colocadas na frente do hotel que pretende abrir.

A partir daí, a vida meio que sem sentido de Flora muda completamente. Primeiro, suas pernas ficam bambas ao ser vista pelo chefe. Depois, fica transtornada com o fato de que terá que retornar para casa. Algo que ainda não sabemos a fez sair de lá e, aparentemente, ser odiada pelos moradores da ilha.

Contudo, ela não tem outra alternativa a não ser atender a demanda da qual foi encarregada. E lá se vai. Voo de Londres até Inverness e um avião pequeno até sua ilha. Claro que todas a reconhecem, surgem questionamentos, silêncio do pai. Logo descobrimos que sua mãe morreu há pouco tempo e que ainda há muita dor e mal entendidos. Mas nada que justifique o temor dela em voltar. Exagero da autora. Aos poucos, vai se adaptando, reencontra o gosto pela culinária a partir do livro de receitas da mãe e vai (re)conquistando todos. Como parte do job que recebeu, tem que abrir um negócio para ajudar o cliente. Obviamente a escolha é por um café: Delícias de Verão, que faz sucesso com suas tortas, bolos, pães. Joel também vai para Mure e, apesar de inicialmente sentir-se totalmente descolado com seu terno caro, logo vai cedendo à beleza local. Aqui vale ressaltar que a região é muito bem descrita. A história começa no verão com seus dias permanentes lá no norte e termina com a aurora boreal e início do outono. Se há clichês? Todos possíveis, mas valeu pela viagem. Mure, me aguarde ;-)

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