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sábado, 18 de dezembro de 2021

o natal de poirot


"Acredito que o presente importa, não o passado! O passado deve terminar. Acredito que, se buscamos manter o passado vivo, terminamos por distorcê-lo. Nós o vemos em termos exagerados, com uma falsa perspectiva."

Agatha Christie foi a autora que mais li na minha adolescência. Eu devorava seus livros. Naquela época sempre pronunciava o nome do detetive belga de acordo com a grafia para o português: PO I RO T. Confesso que mesmo agora, quando sei que é “poarrô”, continuo lendo como antes.

Porque é a cara dele. Acho que combino mais e pronto. Sem delongas.

Ainda não tinha lido “O Natal de Poirot” e escolhi esse romance para abrir minha maratona natalina. Foi uma ótima escolha, embora eu tenha matado (sem trocadilhos) o assassino logo no começo. Para mim, estava na cara.

Véspera de Natal, Simeon Lee, milionário que nunca foi próximo da família, resolve reunir todos os filhos e agregados para que possam passar as festas juntos. O estranhamento é imediato, inclusive do único filho que mora com ele, e do qual também não é lá muito chegado. Resultado, logo estão em sua mansão, além de Alfred e sua esposa que já moram lá, o melancólico David com a cônjuge, o aventureiro Harry, que há anos não dava suas caras, e o político George, também acompanhado. Surgem ainda para as comemorações a neta Pilar, filha da filha do magnata, que fugiu com um espanhol e morreu há anos, e Stephen, que se diz filho de um amigo de Lee da época em que fez fortuna na África. Obviamente, todos têm seus motivos para odiar o anfitrião. Até que, após um grito estridente, ele é encontrado morto em seu quarto, no meio de um rio de sangue. Tanto que uma das personagens recorre à frase de Macbeth, de Shakespeare, para traduzir a cena que vê: “Mas quem pensaria que o velho tinha tanto sangue em si?” Ainda temos na casa o mordomo (claarooo), um valete e dois detetives. O nosso Hercule Poirot está de férias e acaba sendo chamado para resolver o caso. E resolve. Mas, como disse antes, infelizmente, não consegui duvidar de ninguém, mesmo com todas as supostas provas. Talvez tenham sido os anos de leitura de Agatha. Talvez as lições anteriores de Poirot. Só sei que a resposta estava ali. Bem ali. Desde o começo. Leiam e me digam.

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