
"Canoas e Marolas", de João Gilberto Noll, fala sobre a preguiça. Faz parte da coleção Plenos Pecados da editora Objetiva. São sete livro que trazem os vícios capitais: inveja, luxúria, avareza, preguiça, ira, soberba e gula. Dela, eu havia lido apenas o divertidíssimo "A Casa dos Budas Ditosos" (luxúria), de João Ubaldo Ribeiro.
Quando recebi a indicação do livro, fiquei animada. A preguiça é, na minha opinião, a grande destruidora de sonhos. As pessoas deixam de fazer o que gostariam porque é difícil agir. Cansa. Elas têm que persistir, suar. Com o marasmo em alta, resta dizer que são vítimas da sociedade. Que, infelizmente, não tiveram oportunidades. Papo-furado. Preguiça. Preguiça. Preguiça.
Com um tema tão bacana, por que João Gilberto Noll foi escrever algo tão ruim? Adoraria ler algo que instigasse, cutucasse, que eu pudesse citar.
"O que eu queria mesmo era saber contar uma história limpa para contar. Fico aqui resmungando e resmundando e ninguém me ouve e ninguém me acorre", diz João em seus últimos momentos. Pois é. Desse jeito fica complicado mesmo. Ou teria sido justamente esta a intenção do autor? Se sim, uma pena.
"Aliás, naquele momento já não sabia mais se iria mesmo ao encontro dela ou ficaria enfim por ali com o garoto à beira do rio, tentando alguns expedientes para nosso sustento, pequenos furtos talvez; por enquanto não, por enquanto ainda tinha algum dinheiro, e esse seria usado entre aquelas matilhas de vira-latas que viviam por ali; jogaria um osso ou outro às vezes e eles me protegeriam quando fosse necessário me proteger; então eu gritaria pega esfola fere mata come até!"
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