terça-feira, 31 de janeiro de 2012

coração partido

Penso que todas as situações são propícias para uma boa leitura. Separei dois títulos para quem terminou recentemente um relacionamento e quer, tão somente, algo que mostre que a dor vai passar.

Melancia, de Marian Keyes


Aqui você vai chorar de rir - e não de tristeza - com as trapalhadas de Claire, que é abandonada pelo marido minutos após o nascimento da filha do casal. Sentindo-se gorda (o vestido que veste logo no início da trama faz com que ela pareça uma melancia), feia e rejeitada, ela enfrenta uma verdadeira viagem ao fundo do poço. De volta à casa dos pais na Irlanda, assume o papel de renegada e entrega-se à depressão, à bebida e ao confronto com a família. Contudo, tudo isso ainda é muito pouco para tirar seu senso de humor. Lá pelas tantas, ela descobre que o ex não vale tantas lágrimas assim.

Lição: amor com amor se cura. Principalmente se o sucessor é o elegante e belo Adam. Você vai perceber que sofrer por amor pode ser bom, como me disse uma amiga, que afirma curtir essa angústia. E quando tudo acabar, a única coisa a lamentar é o tempo perdido chorando na cama e os quilos a mais por conta dos potes de sorvete. Os diálogos podem ser clichês, mas não deixam de mostrar os dilemas femininos como eles realmente são. Frívolos demais, talvez. Mas não para quem os vive.


“Vejamos então. O que devo contar-lhe? Bem, meu nome é Claire, tenho 29 anos e, como disse, tive meu primeiro filho há dois dias (uma menina, com quase três quilos, lindíssima) e meu marido (contei que o nome dele é James?) me comunicou, há cerca de vinte e quatro horas, que vem tendo um caso, já há seis meses — saca essa —, não é nem a sua secretária ou outra mulher charmosa do seu trabalho, mas com uma mulher casada que mora no apartamento dois andares abaixo do nosso. Incrível como isso soa suburbano! E não apenas tem um caso, mas quer divorciar-se de mim.”

“Patético, eu sei, mas o casamento é isso. Acaba com o nosso senso de autonomia pessoal! Mas nem sempre fui assim. Antigamente, eu tinha força de vontade, era independente. Agora tudo isso parece que foi há muito, muitíssimo tempo.”
 
Outros livros da autora também recomendados para momentos de crise sentimental: “Sushi” e “Um bestseller para chamar de meu”. Cada um deles com três protagonistas. Embora elas sejam diferentes em seus estilos, sofrem do mesmo mal: homens, profissão e homens. Divertimento garantido. Dica para acompanhar a leitura, baseada nas protagonistas de alguns dos livros citatos: essa fase pode ficar mais amena com uma taça de vinho e alguns sacos de batatas fritas. Boa leitura.

Ensaios de amor, de Alain de Botton



No livro, Alain de Botton apresenta todas a etapas de um relacionamento que vai desde a primeira vez em que o casal se encontra num voo de Paris a Londres. Passa pelas expectativa de quem vai tomar a iniciativa. Pelo calor e nervosismo dos primeiros encontros. Pelas buscas por pistas que podem revelar o outro está sentindo, suas intenções. E chega até o momento em que os defeitos começam a aparecer e a relação a esfriar.

A narração fica por conta do homem, que não hesita em abrir seu coração para os leitores. Quem estiver passando por uma situação parecida, irá se identificar com os momentos em que ele prefere a escuridão e o silêncio de um quarto, enquanto todos parecem estar se divertindo lá fora. Os que estão vivendo um grande amor também vão encontrar ali algumas respostas para as tais pistas que tanto buscam. Misto de romance e ensaio, o livro nos dá uma bela reflexão filosófica sobre o amor, ora aparando-se em Nietzsche, ora em Goethe e até em Freud. Tudo com gráficos cômicos e equações matemáticas sobre a chance de tudo dar certo. Aliás, humor aliado ao conhecimento é o forte de Alain de Botton.

“O desejo havia me transformado em um caçador implacável em busca de pistas, paranóico romântico, lendo significados em tudo. Mesmo assim, fosse qual fosse minha impaciência com os rituais da sedução, eu estava consciente de que o mistério dava a Chloe um encanto especial."

“Nos apaixonamos porque desejamos escapar de nós mesmos com alguém que é tão bonito, inteligente e interessante quanto somos feios, estúpidos e chatos. Mas, se um ser tão perfeito um dia se virasse e decidisse que nos amaria? Só podemos ficar um tanto chocados: como pode ele ser tão maravilhosos como havíamos esperado quando tem o mau gosto de aprovar alguém como nós?”

Há outro livro de Botton que trata sobre o amor, “Movimento Romântico”. O ponto de vista, desta vez é da mulher. Tal e qual “Ensaios...” dita sobre esse sentimento cheio de controvérsias: com começo, meio, fim e um novo começo.

No mais, é muito melhor sofrer com um bom livro por perto. Fica a dica.


O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli



Um comentário:

  1. Em situações como essas, o jeito é aproveitar o coração partido para distrair a mente...ocupá-la e se distrair um pouco, enquanto o tempo se encarrega do resto...

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