domingo, 1 de abril de 2012

reconhecimento dentro das organizações

12º Mix Aberje de Comunicação Interna e Integrada

No último dia 23, participei do 12º Mix Aberje de Comunicação Interna e Integrada. O evento abordou mídias digitais, liderança, confiança, segurança no trabalho, engajamento, reconhecimento e diversidade. Comunicar é tornar comum. É partilhar. Por isso, divido com vocês um pouco do que apreendi e aprendi.

Começo pela última palestra. Ela foi feita pelo professor, consultor e filósofo Mário Sérgio Cortella, que trouxe à tona o “reconhecimento dentro das organizações”. 

A explanação foi marcada por frases e máximas. Uma delas veio direto da regra 34 de São Bento, que diz que é proibido resmungar. Cortella enfatiza que quem resmunga nunca faz. O resmungão, muito presente nas redes sociais, é um preguiçoso. Não passa de um pessimista cuja única atividade é sentar e esperar que tudo dê errado. “Precisamos pensar sobre isso quando falamos de valorização de pessoas, pois vivemos num ambiente no qual a comunicação é cínica.”

Aproveitando, lembra a origem da palavra cinismo, que vem do grego cachorro. Cinófilo é quem gosta de cachorro. E “Cinismo” é a doutrina criada pelos filósofos socráticos Antístenes de Atenas e Diógenes de Sínope. Para Diógenes, o homem só precisa de si mesmo, por isso, largou tudo e foi viver dentro de um barril, nu. Ele vivia como um cachorro (daí o cinismo), opondo-se às regras, ao materialismo e às convenções sociais. A principal frase dele é: “foi sem querer querendo”. Lembra algo? Isso mesmo, esta foi a inspiração para o seriado Chaves. Lá, ninguém tem animais de estimação, pois o próprio Chaves é o mascote dos moradores da vila.

A noção de tempo dos ocidentais, imediatistas por natureza, foi outro ponto abordado. O professor nos compara aos orientais e dá alguns exemplos. Para os chineses, é difícil entender o porquê de comemorarmos os dez anos da queda das torres gêmeas. Na China nada é celebrando antes de completar 500 anos. O mesmo vale para os hinduístas, que têm o pensamento reencarnacionista. Brinca ao falar sobre o plano de carreira deles: “deve ser mais ou menos assim: se não der certo nesta vida, dará na outra.”

Já aqui, temos a noção de apenas uma vida. Estamos aqui para aproveitá-la. Essa atitude impede a reflexão, aumenta a ansiedade e gera frustração. Também perdemos oportunidades importantes, que são deixadas de lado porque não damos tempo ao tempo. Cita uma frase do escritor francês François Rabelais que resume seu pensamento: “conheço muitos que não puderam quando deviam, porque não quiseram quando podiam.”

Como consequência nos acostumamos e aceitamos bem as pequenas mortes do dia a dia: as rupturas no ambiente familiar, nos negócios, nas amizades e até no lazer. A ganância acaba se confundindo com a ambição. Enquanto a segunda é saudável, uma vez que parte apenas do “quero mais”, a primeira pressupõe o egoísmo, ou seja, “quero só para mim”.

Todas essas colocações são feitas para embasar o tema de sua explanação: reconhecimento. Para ele, reconhecer alguém é mostrar a falta que a pessoa faz, seja por meio de ritos, lembranças ou mesmo da comunicação. Nas organizações, é o reconhecimento que vai determinar o desempenho do profissional e a felicidade no ambiente de trabalho. Aliás, ressalta que trabalho é algo que gostamos, é vida. O que é muito diferente de emprego, apenas uma fonte de renda. “Encontre no emprego o trabalho que quer ter”, aconselha. O trabalho cansa, mas não estressa. Cansaço pede um esforço intenso e é curado com o sono. Estresse é um esforço para fazer algo que você não sabe direito o que é, ou seja, vem de uma ausência de sentidos. E só é curado por meio da mudança.

Reconhecer é, portanto, o oposto de morte. Morrer é ser esquecido, tanto que no grego antigo, morrer e esquecer têm o mesmo significado. O que vemos hoje nas empresas são muitas mortes. Pessoas, metas, produtos. Tudo é facilmente substituído. O reconhecimento tem alto valor competitivo, ele dá vitalidade e proporciona realização de maneira sincera. Sentimos-nos importantes.

Pergunte-se: “se você não existisse, que falta faria?” E o que você faz para mudar isso? Para ser reconhecido, é preciso, antes, reconhecer.

Algumas frases para pensar:

• Sinceridade é necessária. Franqueza, não. Como vivemos em sociedade, temos que ser sempre sinceros, no entanto, não precisamos dizer exatamente tudo o que pensamos.

• Você só conhece alguém de verdade quando essa pessoa errou e, mesmo assim, não desistiu.

• A expressão “não sei” estimula a inteligência. Não enrole seu interlocutor. Se não sabe, aprendam juntos. Já dizia Millôr Fernandes, “se você não tem dúvidas, é porque está mal informado.”

• O chefe você obedece. O líder você segue.


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