quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

senhor ibrahim e as flores corão


"Senhor Ibrahim e as Flores do Corão", do belga Éric-Emmanuel Schmitt, é uma belo conto sobre a amizade entre duas pessoas solitárias: Moïse e Monsieur Ibrahim. Eu o li para meu curso de francês, no original. Oui!! Oui!! \o/ A seguir, um resumo da leitura.

Moïse tem onze anos e mora com o pai. A relação entre eles é distante. O pai não conversa com o filho. A mãe abandonou a família quando ele ainda era pequeno. Levou com ela Popol, o irmão que ele nunca conheceu. Mas que a todo momento o pai compara com Moïse. Popol parece ser melhor em tudo. Contudo, quanto mais a história avança, mais ficamos na dúvida se esse irmão é mesmo real ou imaginário.

Monsieur Ibrahim tem uma armazém que vende de tudo um pouco. Misterioso, sempre diz que sabe somente o que está no seu Corão. E com isso ele tem resposta para todas as questões. "Momo, pas de réponse, c'est une réponse". Adorei essa frase.

A história começa com Moïse no prostíbulo. Para entrar diz que acabou de completar dezesseis anos. Logo depois, vai para a loja de Monsieur Ibrahim. Como o dinheiro é escasso, ele passa a roubar algumas mercadorias. Monsieur Ibrahim percebe, mas não diz nada. Até o dia em que Brigitte Bardot entra na loja e compra uma água por um preço exorbitante. Isso choca Moïse. Em sua defesa, Monsieur Ibrahim diz a Moïse que sabe de seus furtos. Foi aí que se tornaram amigos.

Moïse tem com o novo amigo o que não tem com o pai: compreensão, atenção, companhia. Ele ensina várias coisas para Moïse, como guardar dinheiro e, o mais importante, a sorrir.

Enquanto isso, seu pai tem seus próprios problemas. Ele acaba de ser demitido e resolve abandonar a casa. Deixa uma carta de despedida, algum dinheiro e uma lista com quatro nomes.

Moïse decide fingir que ele não foi embora. Não diz a ninguém o que aconteceu. Nem mesmo para Monsieur Ibrahim. Inclusive, continua a cozinhar para duas pessoas. Mas isso não dura muito tempo. Logo a polícia bate na sua porta com a notícia: seu pai havia se suicidado. Por um instante ele não sabe o que é pior: ter um pai que o deixou, mas que pode voltar, ou um pai suicida.

É Monsieur Ibrahim quem vai lhe ajudar. Ele lhe explica que seu pai nunca superou os traumas dos campos de concentração (a história se passa na década de 60). Os avós de Moïse foram torturados e mortos. Ele deveria pensar nisso antes de julgar a atitude do pai.

Nesse meio tempo, a mãe de Moïse reaparece. Mas, mais uma vez, o garoto prefere fingir. Desta vez, finge que ele não é ele. Diz para a mãe que é Mohammed, alguém que conheceu Moïse. Interessante que ambos vão manter esse fingimento até o fim. Talvez seja uma boa maneira para lidarmos com o que nos constrange. E, pelo menos, para eles, essa atitude não é nociva.

Monsieur Ibrahim adota Moïse e, juntos, viajam pela Europa e pelo Oriente Médio de carro. O destino final seria a terra natal de Monsieur Ibrahim. Mas um acidente causa outra perda a Moïse. Monsieur Ibrahim está morto.

Ele deixa tudo para Moïse, que praticamente se torna o novo Monsieur Ibrahim. Ah, sobre o nome do livro: dentro do Corão de Monsieur Ibrahim havia duas flores. Lembranças que dizem tudo o que precisamos saber :-)

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