domingo, 5 de abril de 2015

sejamos todos feministas

Acabei de ler interessante crônica de Verissimo que diz "O feto começa feminino, depois é que são acrescentados os atributos, digamos assim, masculinos. Por isso, os homens têm mamilos, e não sabem o que fazer com eles. Quer dizer: a história biológica do ser humano é exatamente inversa à do seu principal mito da criação, em que a mulher sai de dentro do homem. O mito é não apenas um desmentido do fato, e do feito, como uma apropriação masculina de um feito feminino."

E li isso justamente quando estava me preparando para escrever algo sobre o texto "Sejamos todos feministas", da escritora argelina Chimamanda Ngozi Adichie. Trata-se, na verdade, da transcrição do discurso que ela fez na conferência anual sobre a África, TEDxEuston, em 2012. Eu adquiri o ebook gratuitamente na loja do Kobo, mas vi esta semana a versão impressa na livraria. 

Chimamanda espera quebrar os estereótipos em torno do feminismo, que transformam as feministas em mulheres que não querem se casar, não são vaidosas e vivem infelizes agarradas a seus ideais. “Decidi me tornar uma feminista feliz e africana que não odeia homens, e que gosta de usar batom e salto alto para si mesma, e não para os homens”, diz ao ser a todo momento encorajada a desistir daquilo em que acredita. Para tanto, ela nos conta experiências pessoais, sobretudo as que viveu, e ainda vive, em seu país de origem, a Argélia, na qual uma mulher não pode ser vista sozinha nas ruas. Hoje ela mora nos Estados Unidos, mas isso não significa que esteja imune ao machismo. Ele está presente em toda a cultura ocidental. E não é diferente aqui no Brasil. Se por acaso você acha que as mulheres têm direitos iguais, pare e pense, qual a sua opinião sobre uma mulher que aos 40 anos ainda não se casou. Pronto. Não precisa fingir. É apenas reflexo da cultura em que fomos criados.

Isso foi apenas um exemplo, dentre inúmeros outros que poderia citar. Mas opiniões radicais existem em todas as esferas. Já vi algumas feministas que chegam a endossar estereótipos, como os citados acima. "Não devemos os usar saltos", ouvi uma vez. Assim como também já estive em uma sala em que um homem resolveu debater o assunto e foi convidado a se calar. "Somente uma mulher pode ser feminista. Homem não sente o que sentimos, o que o desabilita a defender a causa", disseram da plateia. Não aceitam, enfim, que "we should all be feminists".

Gosto quando Chimamanda comenta o mal que o machismo faz também aos meninos, quando os obrigam a ter comportamentos que reforçam o conceito de que homem tem que ser forte. Mais do ler o ensaio, veja a palestra dela. De maneira simples, elegante e simpática, ela nos conquista. Até mesmo a popstar Beyocé já se aproveitou de trechos para um hit.

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