terça-feira, 3 de julho de 2012

é tudo tão simples

“É tudo tão simples”, da jornalista Danuza Leão, é de chorar de rir. Sem contar que me identifiquei muito com suas afirmações, o que tornou a leitura ainda mais agradável.

O livro traz dicas de moda, viagem, etiqueta, o que ter no armário, na bolsa e, principalmente, como lidar com as pessoas e não ser incomodada. Sempre a partir de suas próprias experiências. Como faz questão de enfatizar, já passou por várias fases: com muito dinheiro, com pouco dinheiro, sem dinheiro. Já foi modelo, morou na Europa, foi casada, teve filhos, netos (ou melhor, filhos dos filhos), enfim, uma vida bem agitada. E agora quer é sossego.

Por isso, foge de eventos sociais. "Às vezes recebo um convite, não quero ir e fico me remoendo achando que vou fazer a maior falta, que todo mundo vai notar e a dona da casa vai ficar tristíssima, mas, pelo que me contam no dia seguinte, percebo que não fiz a menor falta. Como a gente se acha importante." Pois é.

Na mesma linha, se não puder pagar um hotel, por mais modesto que seja, prefere ficar em casa a ter que se hospedar na casa dos outros. Também não gosta de hóspedes. "Só em caso de calamidade pública."

Aliás, sobre amizade ela é bem categórica ao afirmar que o que segura a relação são os assuntos em comuns. Assim, grávidas só devem sair com grávidas, casais com casais e solteiros com solteiros. Ou um ou outro vai ficar entediado. E "ao contrário do que se diz, amigos existem na hora em que a vida está péssima. Mas se ficar tudo maravilhoso, prepare-se para momentos de grande solidão. Costuma ser difícil suportar o sucesso dos outros."

Ainda sobre viver em sociedade, cuidado com algumas perguntas capciosas: "Você está grávida? (Não está, ela apenas engordou.)", "Vocês terminaram? Quem largou quem? (Oh, perguntas.)", "O que você viu neste cara/nesta mulher? (Aí, só cortando relações.)"

Apesar de ser voltado para o público feminino, o livro tem alguns conselhos para os homens. Por favor, ajudem a divulgar pelo menos esse: "Cuidado com o que diz; o 'eu te telefono' é capaz de levar certas mulheres à loucura, e, se você não tem nenhuma intenção de ligar, fique no 'a gente se vê', ela vai entender." Sim, sim, sim.

E por falar em amor, "cada um deve cuidar e fazer o que gosta e ser tolerante com o que outro gosta." E se levar o fora, "por mais que esteja sofrendo, tem algumas obrigações: não fazer cara de triste, não esticar a conversa, não discutir a relação, e mesmo que sejam quatro da manhã, dizer que tem hora no cabeleireiro e sair rapidinho." Existem outros, afinal.

Sobre direitos e deveres na família, a avó tem o dever de chorar quando nascem os netos e o direito de tomar um gim logo depois. Já a mãe tem o direito de esperar uma ligação, nem que rápida, dos filhos. E o dever de lembrá-los do seu aniversário. Isso diminuiu a expectativa no caso de eles esquecerem. Cabe à sogra adorar genros e noras "no exercício do cargo", mas sem nenhum direito adicional. Para os filhos, fica o recado: "deixe seus pais namorarem bastante."

No mais, uma mulher pode tudo: chorar, rir, desmaiar. Só não pode coçar as costas. Imagino a cena. Ela tem razão. Assim como está certa quando sugere para sempre vestirmos calcinhas decentes e bonitas durante as viagens. Se formos submetidas a uma revista mais rigorosa, por exemplo, não vai pegar bem estarmos de fio dental. Ou vai?

Trechos:

"Não perca seu tempo comprando (ou guardando) aquele vestido porque um dia vai emagrecer. Sabe quando isso vai acontecer? Provavelmente nunca, e a cada vez que olhar para aquela roupa de quando era um palito vai cair em profunda depressão."

"Se puder, vá passar 15 dias em Paris sozinha, e só conte na véspera, para que nenhuma amiga resolva ir também."

"Procure estar por dentro dos acontecimentos, para não ficar out numa conversa; leia pelo menos um jornal por dia."

Você não deve: "fazer parte de um grupo de pessoas muito mais velhas ou mais jovens, para não ficar descompensada."

Você deve: "nunca dar más notícias; como tem gente que adora, deixe essa função para elas, tem gente que fica com raiva de quem levou a má notícia."

"Não precisa dizer, mas outro dia eu vi um homem de unhas pintadas com esmalte incolor, quase desmaiei."

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