segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

história do novo sobrenome

As capas dos livros desta série são maravilhosas

Todos deveriam ter acesso à escola. Principalmente quem a valoriza. Infelizmente, não é o que acontece. E não foi o que aconteceu com Lila Cerullo. Ela era uma aluna brilhante e prometia um futuro promissor. No entanto, mesmo com o apelo da professora, o pai não permitiu que ela continuasse os estudos após a conclusão do ensino fundamental.

O resultado: ela casou-se aos dezesseis anos na tentativa de substituir a paixão que tinha pelos livros por um marido e por uma vida luxuosa. Tudo isso acompanhamos em "Amiga genial", o primeiro livro da série napolitana de Elena Ferrante.

Em "História do novo sobrenome" temos o resultado dessa sequência de fatos: um marido violento, que a espancava a todo momento. O pior é que todos viam, pais, irmão, sogra, cunhados, amigos. E ninguém fazia nada. Pelo contrário, davam razão a ele. Afinal, Lila era teimosa, queria tudo do seu jeito, não prestava. Mas nem isso a deixa para baixo, a garota segue buscando outros motivos para se destacar e entrega-se aos negócios da família.

Paralelamente, acompanhamos Lenu, a narradora dessa envolvente história, e seu desenvolvimento acadêmico. Apesar das dificuldades, da falta de dinheiro, ela prosseguiu com os estudos. Sempre achou que não era digna das boas notas que recebia. Sentia-se inferior por pertencer a um meio no qual a gritaria, os espancamentos e o dialeto ditavam as regras. Isso nunca vai sair de mim, pensa a todo instante. Talvez seja esse o motivo de não haver detalhes de sua vida na faculdade. Ela apenas faz um resumo do que se passa. O foco de seu relato é reservado para o bairro, em Nápoles, no qual cresceu e no qual, de certa forma, sempre habitará. Muito interessante acompanhar o desenrolar de todos os personagens secundários que ela nos apresenta.

A disputa silenciosa entre as duas amigas continua. Lila querendo provar que mesmo sem ter ido à escola pode ter uma vida boa, nem que seja na aparência. E Lenu, ao mesmo tempo em que quer bem a amiga, torcendo para que as coisas desandem. 

Ambas, porém, sempre se lembrarão da última férias de verão que passaram juntas, quando tinham dezessete anos. Cada uma estava lá por seus motivos. Lila porque disseram ao marido que banhos do mar ajudam a engravidar. Lenu para encontrar Nino, por quem era secretamente apaixonada. Para uma será o apogeu da paixão. Para outra uma grande desilusão. Para as duas, um momento que ditará definitivamente o futuro.

Ischia: férias inesquecíveis
Não dá para falar muito sobre o livro. Só lendo e acompanhando. É o tipo de leitura que não traz grandes acontecimentos. Não tem muita ação. Mas que atrai pelo desenvolvimento das personagens e pela passagem do tempo. Sem nos darmos conta, envelhecemos e deixamos para trás sonhos, amigos, lugares. Vou entrar no terceiro volume com saudades da infância e adolescência das duas, abordadas no primeiro livro. E, também, do verão que passaram juntas, no segundo.

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