domingo, 3 de fevereiro de 2013

o velho e o mar

'O Velho e o Mar' fala de Santiago, velho e experiente pescador que há 84 dias está sem fisgar um peixe. Mora sozinho numa cabana e vive de sonhos antigos da África e seus leões, notícias de beisebol, jantar que só existe em sua imaginação e da esperança de voltar a se dar bem no mar.

Sua maré de azar faz com que seu único companheiro de pescaria, o jovem aprendiz Manolin, seja impedido de acompanhá-lo. Seus pais querem que ele ajude pescadores mais sortudos. Mas isso não faz com que o garoto deixe de cuidar de Santiago, por quem tem sincera admiração.

No 85º dia, o velho encara mais uma vez as águas. Como companhia tem as andorinhas, os peixes voadores e sua própria voz. Conversa com um e outro. Pede conselhos e segue as pistas dos pássaros. Até que consegue fisgar o maior peixe de toda a sua vida. Mas o animal é resistente. Resta saber se vencerá a vontade de triunfar do pescador. Enquanto isso, viajamos com o protagonista, seus temores, dores e desvaneios.

Os pescadores ganham dinheiro com peixes presos aos seus anzóis ou redes. Pode ser que muitos sejam indiferentes à dor e ao desejo de viver do animal. Todavia não é assim para Santiago. Sentimos o pesar com que mata os peixes. Para ele, seres valiosos, não pelo que vão lhe render, mas pela beleza, elegância e conduta. Tanto que o trecho mais bonito narra o dia em que ele pescou um casal de espardates, "foi a coisa mais triste que vi desde que passei a pescá-los." O macho sempre deixa a fêmea se alimentar antes. Por isso, ela foi a primeira a morder a isca e a ser arremessada para dentro do barco. No mar, o macho ficou desesperado. Rodava a embarcação e saltava no ar a procura de sua parceira. Até que entendeu a armadilha. "E voltou a mergulhar nas profundezas, com as asas brancas, as barbatanas peitorais, completamente abertas. E ficou imóvel nessa posição. Era lindo, lembrava-se o velho pescador. E assim permanecera durante muito tempo, de barbatanas abertas, numa posição majestosa e sofrida."

Santiago diz que o homem não é digno da carne de peixe. "Só consegui ser melhor do que ele por uma traição e ele não me desejava nenhum mal." O que é verdade. O egoísmo quase sempre vem disfarçado de uma (suposta) necessidade maior. No caso dele, a luta pela sobrevivência.

Os animais fazem parte da biografia de Ernest Hemingway, que gostava de narrar caçadas, touradas e pescarias. "O velho e o mar" foi o último livro publicado enquanto ainda estava vivo, e contribuiu para que ganhasse o Nobel de Literatura em 1954. Tem como cenário Cuba e o Mar do Caribe, herança dos 22 anos em que o autor esteve por lá. Sinceramente, ao contrário de outras pessoas que leram e aprovaram o livro, ele não me trouxe reflexões profundas sobre o otimismo e a vida. Nem sei se esse é o seu objetivo. Em 2000, a adaptação do romance pelo russo Aleksandr Petrov ganhou o Oscar de melhor curta de animação.




"Por que será que os velhos acordam tão cedo? Será para terem um dia mais comprido?"

"O homem não vale lá muito comparado aos grandes pássaros e animais. Eu por mim gostaria muito mais de ser aquele peixe lá embaixo na escuridão do mar."


"Não compreendo estas coisas", pensou ele. "Mas é bom que não tenhamos de tentar matar a lua, o sol ou as estrelas. Já é ruim o bastante viver no mar e ter de matar os nossos verdadeiros irmãos."



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