sexta-feira, 29 de maio de 2015

a resposta

Não gosto de livros com a capa do filme. Por isso, e também porque já tinha um pilha de leitura, quase devolvi este livro para a pessoa que o havia me emprestado. Ele ficou algumas semanas comigo e nada. Mas com a insistência da dona em questão, abri a primeira página e, praticamente, li tudo de uma tacada só. “A resposta”, de Kathryn Stockett, é incrível. Fiquei presa na história mesmo depois de ter lido a última palavra. Tanto que corri para ver o filme no qual ele é baseado, “Histórias cruzadas”, que é muito bom também. Em inglês, ambos, levam o mesmo nome “The help”, que talvez não tenha sido um título tão atrativo para o português. Fala basicamente sobre o preconceito contra negros nos Estados Unidos, especialmente em Mississipi, entre 1962 e 1963. Aliás, tenho que rever o filme “Mississipi em chamas”, que ficou na minha cabeça enquanto lia, e que trata do mesmo tema. Antes dos agradecimentos, Stockett nos conta sua relação com as domésticas e, então, sentimos uma tentativa de autobiografia e homenagem à sua baba negra.

Apesar de tratar de racismo, a narrativa é divertida. São três pontos de vistas: a da mocinha que não aceita o preconceito, Skeeter, e das empregadas 'de cor' Aibileen e Minny. Damos muitas risadas quando ouvimos as vozes das duas últimas. Elas contam com humor o dia a dia de suas patroas: o que fazem para pertencer à sociedade, o disfarce das menos afortunadas para se sentirem incluídas. Ao mesmo tempo, falam da segregação que existia (existe). Escolas de negros e brancos. Hospitais de brancos e negros. Lugares marcados nos ônibus. E para tornar tudo ainda mais difícil, o tal incentivo de uma das mulheres brancas para a construção de banheiros 
destinados exclusivamente às empregadas, na área externa da casa. Aí eu me pergunto? Isso ainda não existe? Banheiro social, banheiro de empregada... Elevadores separados, mesmo com aquela indicação clássica de que “ninguém pode ser discriminado no mesmo”? Ocorre que, ao contrário de lá, aqui não há prisão ou morte para quem burlar a regra, implícita, mas ainda sim regra.

Já a parte da Skeeter é mais serena e reservada. Embora ela tenha a tendência a apoiar os direitos civis, ela mantém as aparências na comunidade. Participa dos grupos de bridge, é editora do jornal da liga que cuida dos interesses locais, namora e vai a festas e jantares com as amigas. Mas sonha em ser escritora ou uma grande jornalista. E isso a leva, a partir da menção feita por Aibileen sobre seu filho, a querer escrever sobre as domésticas. Para tanto, vai contar com a ajuda da dupla. 


Claro que Martir Luther King é citado, assim como seu famoso discurso proferido em agosto de 63. Ri muito quando uma das doméstica diz que tem um cara na TV falando que ‘tem um sonho’. A morte de Kennedy, três meses depois, também aparece comovendo os personagens brancos. Não vou contar mais nada porque vale muito, muito mesmo, ler este livro.

Li durante os dias mais frios de maio deste ano, que coincidiram com minhas férias. Uma delícia, já que, na história, o verão do sul norte-americano fazia todos derreterem. Se eu tivesse lido num dia quente infernal do nosso verão, talvez tivesse desistido para não sentir ainda mais calor. Confesso que isso fez com que eu gostasse mais da história. Detalhes bobos que vão me fazer lembrar desses dias mais tarde.

A outra capa

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