quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

o bosque das ilusões perdidas




"Talvez tudo volte a ser o que era dantes. Mas será que o passado pode reviver?"

Sabe quando você se sente aliviado por terminar algo árduo? Pois foi assim que me senti ao ver o final de "O bosque das ilusões perdidas", único livro do francês Alain-Fournier. O autor morreu durante a primeira guerra mundial com um tiro, mas seu corpo só foi encontrado muito tempo depois, na década de 90.


Apesar de ser um clássico da literatura francesa, não me convenceu. Por várias vezes pensei em deixá-lo de lado e aproveitar melhor o meu tempo, mas depois de semanas com ele, resolvi terminar a leitura. 

O que me chamou a atenção foi o título na versão brasileira, que nada tem a ver com o original, "Le grand Meaulnes". Eu logo imaginei uma história gostosa, tendo como cenário um bosque e muita neblina. De fato, há o bosque. Só.

O livro traz as memórias da adolescência e início da vida adulta de François Seurel. Ele mora na escola em que seu pai leciona. Num belo dia, chega Augustin Meaulnes, adolescente que se acha a pessoa mais especial do mundo. Além de frequentar o curso, passa a dividir o quarto com François. Surge, então, a amizade entre os dois. Nem sei se posso dizer que são amigos, pois acredito que o laço seja muito maior por parte de François. 

Enfim, sua chegada mexe com os demais alunos, que veem nele o aventureiro que gostariam de ser. Todos disputam sua atenção e ele sabe disso. Tanto que vira e mexe faz algo para reforçar que é o diferentão. Até que rouba uma carruagem e desaparece por dias. O pobre do cavalo acaba voltando sozinho. Enquanto isso, o rapaz vai parar em uma mansão durante a pré-festa de um casamento, que acaba não acontecendo, já que a noiva foge. Lá conhece uma moça por quem se apaixona. Na verdade, ele se apaixonou muito mais pelo cenário do que pela moça isoladamente. No final isso fica bem claro. Mas durante a confusão do fim da festa, volta para casa sem guardar o caminho para aquela fábrica de sonhos e ilusões (talvez daí venha o título da nossa versão do livro). Sua obsessão para descobrir como retornar àquele lugar passa a ser de todos da turma.

E é isso. Nas últimas páginas até me empolguei um pouco, mas logo voltou a ficar entendiante. E o François também é um chato, sempre no rastro de Meaulnes. O fascínio que tem pelo protagonista me lembrou outros dois livros, um que odiei e outro que gostei mais ou menos: "On the road", de Jack Kerouac, e "O Grande Gabtsy", de F. Scott Fitzgerald. O que salvou um pouco a impressão que tive de Meaulnes foi o trecho em que defende um cavalo que estava amarrado. O que não apagou a imagem dele chicoteando outra égua em passagem anterior. Tem duas versões cinematográficas: 1967 e 2006. Talvez elas sejam válidas pelo francês ;-)

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