segunda-feira, 23 de junho de 2014

te pego na saída

Este é o segundo volume das memórias de Fabrício Carpinejar. Mais que sua autobiografia, é o retrato da infância de todos aqueles que hoje têm entre 30 e 45 anos. Aliás, acredito que esta seja a proposta do autor. O texto é bem conciso e não segue a linha tempo. São as lembranças que ditam a ordem em que os capítulos estão dispostos. Destaco alguns episódios de ‘Te pego na saída’. Um deles é a doce narrativa sob o título ‘Encadernado pela imaginação’. Ao contrário das outras crianças da escola, ele não tinha cadernos de capa dura. Os seus eram de brochura, cuidadosamente encapados pela mãe, durante a madrugada, na véspera do início das aulas. Envergonhado, cobria-os com a mão para que os demais não os vissem. O que poderia ser motivo de chacota, hoje é poesia. E como não deve ter se sentido a criança que cria grande expectativa em torno de sua primeira festa de aniversário para, no fim, ninguém aparecer? O episódio me remeteu ao protagonista de 'O oceano no fim do caminho', de Neil Gaiman. Outro ponto com o qual me identifiquei foi a história do abacateiro, que morre para dar lugar ao novo quarto da casa. Só quem já teve uma árvore vai entender. Quase fechando suas lembranças, Carpinejar fala sobre os irmãos caçulas: os mais apegados à família e os que estão sempre ali, prontos a ajudar. Talvez por minha irmã mais nova ser assim, fiquei contagiada pelo o que foi colocado.  

Na resenha que escrevi sobre o primeiro livro da série, ‘Não atravesso a rua sozinho’, dou mais detalhes sobre essa coletânea, muito bem chamada de 'Vida em pedaços'. Imperdível para os nostálgicos de plantão.

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