terça-feira, 31 de janeiro de 2017

mr. mercedes




Ele vai matar o cachorro. E eu não vou conseguir continuar a leitura. Quando cheguei no capítulo "Isca envenenada" fechei o livro e respirei profundamente. Morte de animais mexem comigo. E era justamente isso que estava para acontecer. Depois de algum tempo, criei coragem para ver o que o autor tinha preparado. E... Bem, posso dizer que fiquei aliviada, embora para alguns o que veio foi bem pior.

Que livro! Stephen King caprichou neste romance policial. Quando eu era adolescente, devorava esse tipo de literatura. Em especial os de Agatha Christie. Depois de adulta, dei uma diminuída. Mas ainda é um dos meus favoritos. A leitura é rápida. Não sossego até que o criminoso seja descoberto. Na maioria das vezes, o ser mais improvável. Em "Mr. Mercedes" foi diferente. O criminoso, Brady Hartsfield, nos é apresentado logo de cara. Sabemos tudo o que passa na sua cabeça doentia. E, aos poucos, vamos conhecendo os motivos que fizeram dele um assassino. Nada que justifique, porém, seus crimes. Até o coitado do Brad Pitt ele quis matar. 

Quando li o primeiro capítulo, achei que estava diante dos personagens principais. Que nada. SK nos engana. O livro começa em um estacionamento que servirá para um feirão de empregos. É madrugada. Faz um frio danado. De um ônibus, salta um homem que caminha para a fila que começa a se formar. Na frente dele, uma mulher com um bebê, o que o deixa surpreso. Como ela teve coragem de trazer essa criança tão novinha? Ainda mais nessas condições, em que eles têm que passar a noite de pé para garantir, quem sabe, um trabalho. E o autor, ao longo desse trecho, vai nos dandos as pistas de que esses serão os últimos momentos deles. Logo em seguida uma Mercedes enfurecida passa por cima de todos.

Há uma passagem de tempo e somos apresentados ao detetive aposentado, Bill Hodges. Gordo e entendiado, ele passa as tardes sentado no sofá bebendo, comendo e assistindo aqueles programas que buscam resolver problemas (para não dizer barracos) familiares. Ao seu lado, um revólver que vira e mexe coloca na boca. O marasmo acaba quando recebe uma carta na qual o remetente diz ser o Assassino da Mercedes. Provocativa, tem o intuito de fazer com que o detetive se suicide. O que consegue é o oposto. O criminoso levanta Hodges que, por conta própria, inicia a caça ao bandido. Como já sabemos quem ele é, a emoção está nas suas estratégias para encurralar Brady, cujos atos acompanhamos passo a passo. Eletrizante. Nas últimas páginas tive que fechar novamente o livro. Não estava preparada para o iminente desfecho. Tem lá seus clichê, como um detetive meio loser que vai conquistando nossa admiração, a moça que vai ter um caso com ele, piadinhas para aliviar a tensão, companheiros de investigação (elementar, meu caro Watson). Mas é um grande livro. O primeiro da trilogia Bill Hodges. Atenção para a capa, que diz muito sobre a história.



Nenhum comentário:

Postar um comentário