terça-feira, 1 de maio de 2018

uma loja em paris





"Nós, os homens, somos em geral seres que vivem paralisados pelo medo. Essa é a principal barreira que nos impede de ser felizes."

"Uma loja em Paris", do espanhol Màxim Huerta é bem difícil de engolir. A vida é cheia de coincidências. Vira e mexe tropeçamos em uma. Mas ter todas as coincidências do mundo em uma única história é demais.

Teresa é uma dondoca. Perdeu os pais cedo e foi criada pela tia, irmã gêmea da mãe. A relação entre elas é bem tensa, sobretudo porque Teresa não aceita o lado impositivo da tia, que quer lhe dar a melhor educação e que ela seja criada de acordo com seus princípios. Algo intolerante para uma garota de nove anos, que sofre a perda do amor materno. E assim ela cresce, amargurada, frustrada e sempre sentindo-se subjugada pela sua tutora. O problema é que ela não se mexe. Só reclama e vai levando a vida de forma letárgica. Pouco se interessa pelos negócios da família, apesar de usufruir, e muito bem, dos benefícios financeiros que eles trazem: mora bem, faz cursos, viaja, tem tudo que o dinheiro pode comprar. Poderíamos nos perguntar: por que essa moça é tão infeliz? Mas o ser humano não é tão facilmente classificado. E há muitos dilemas internos que quem está de fora não consegue entender. 

Independentemente de qualquer coisa, não gosto de Teresa. Ela não conquistou minha simpatia. Enfim, um belo dia, após mais um dia sem fazer nada, ela para em um antiquário e encontra algo que vai mudar seu destino. Trata-se de uma placa de uma loja parisiense. Ah! Teresa é espanhola e mora em Madrid. Ela se encanta e leva o objeto para casa. A partir daí coisas estranhas começam a acontecer, como sentir arrepios, ventos fortes, música tocando do nada. Parece que estamos diante do sobrenatural, mas não. Felizmente. Não que eu fuja deste tipo de história, mas não era exatamente o que buscava quando comprei o livro. O que eu queria era sentir Paris. Vivenciar um pouco essa cidade por meio da literatura. Simples assim. Voltando, essa placa tem o nome de uma mulher, Alice. Resultado: Teresa larga tudo e parte para a França em busca de seu rastro.

Chegando lá, como é rica, compra a tal loja da qual a placa fazia parte. Compra também um apartamento e passa a investigar essa misteriosa mulher, que parece estar em todas as partes. Os capítulos passam a ser intercalados entre os descobrimentos de Teresa e a vida de Alice, que viveu na década de 20. Aí, sim, senti Paris e tudo fica mais interessante. A parte de Alice, claro. Conhecemos bairros boêmios da cidade, bares, restaurantes, galerias, ruas. Enfim, a vida artística da época. Alguns personagens são verdadeiros, como Coco Chanel. E, segundo autora, muitos dos lugares também. Deu até vontade de conhecer alguns deles. Descubro que estive muito perto de tudo isso na minha última viagem. Ainda assim, tudo caminhou para um final fraco, fraco. Algumas coisas que acontecem, sem me preocupar com spoiler: Teresa tinha um namorado francês. Um dia ele some. Ela (como sempre) sofre. Na França, anos depois, quando está atrás de Alice, ela encontra um homem que vai ajudá-la na investigação. Este cara tem um filho. Adivinhem que é! E quem é a avó deste cara? Um doce para quem descobrir. Rá! Não aguentei. Sem contar que o texto é repleto de reticências. Tenho pavor desta pontuação usada de modo exagerado. Enfraquece qualquer narrativa. E quando ela já é fraca, piora tudo.

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