terça-feira, 15 de agosto de 2017

nossas noites


"Resolvi que não vou ficar preocupado
com o que as pessoas pensam."


Terminei de "Nossas noites", de Kent Haruf já faz um tempo. Mas só agora consegui escrever sobre ele. É lindo. Leitura fofa que traz o amor na velhice. Addie tem 70 anos e um dia vai até a casa de seu vizinho, Louis, que tem a mesma idade, com um convite: "o que você acharia da ideia de ir à minha casa de vez em quando para dormir comigo?" O velhinho, que não é tão velhinho assim, se assusta com a ousadia da mulher. Ela se adianta e diz que não é nada sobre sexo e tal. Apenas sente-se sozinha. “Estou falando de ter uma companhia para atravessar a noite, para esquentar a cama. De nós nos deitarmos na cama juntos e você ficar para passar a noite. As noites são a pior parte. Você não acha?”

Louis fica tenso. Nem sabe direito o que dizer da proposta da vizinha que, embora conheça há anos, quase não teve contato.

Addie vai embora dizendo que as portas estarão abertas caso ele aceite. A noite chega e, ainda em transe, ele se arruma, separa uma muda de roupa e vai. “Cortou as unhas das mãos e dos pés e, quando escureceu, saiu pela porta dos fundos e foi caminhando pela viela atrás das casas, carregando um saco de papel com seu pijama e sua escova de dentes.”

A partir daí acompanhamos a rotina do casal recém formado. Eles fazem coisas simples, como andar pela cidade, ir ao mercado. Vez ou outra vão ao teatro ou fazem uma viagem rápida até a cidade mais próxima. E, principalmente, conversam. Falam sobre tudo. Sabe quando vemos alguma coisa interessante e queremos logo comentar com quem gostamos? Pois a relação entre eles permite ter esse alguém. Junta-se a eles o neto de seis anos de Addie. A esposa de seu filho saiu de casa e ele tem que deixar a criança com a avó para poder trabalhar. A narrativa é tão gostosa que é como se nós estivéssemos fazendo todos os passeios, piqueniques e tendo as mesmas pequenas aventuras. Mas, em paralelo, terão que lidar com preconceitos e críticas. Eu acreditava que o fim seria meio piegas, mas não. Mostra que ainda temos um longo caminho a percorrer até que possamos ser, de fato, felizes. “É uma coisa nova, não é?, disse ela. Mas é um tipo bom de coisa nova, eu acho.”

A Netflix já anunciou o filme baseado no livro. Vejam o trailer

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