sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

o coronel chabert

"Os sofrimentos morais, perto dos quais as dores físicas empalidecem, provocam no entanto menos piedade, porque ninguém os enxerga." 

Há dois anos e meio, eu li “Os enamoramentos”, de Javíer Marías, romance que traz discussões sobre a paixão, a morte, a traição e a impunidade. Nele, chamou-me a atenção as referências literárias, entre elas a novela "O Coronel Chabert", de Honoré de Balzac. Como sempre acontece comigo, eu me empolguei e saí para comprar o livro assim que surgiu na obra. Mas ele ficou parado na estante até o último fim de semana, quando em menos de uma hora eu dei conta da leitura. Apesar de ser entediante no começo, o que de certa forma remete ao trabalho dos funcionários do escritório de advocacia descrito, logo se mostra bem envolvente. 

Escrito em 1832, mostra a Paris desse século. Começa com aprendizes de advogados ironizando os clientes pobres, em especial o velho maltrapilho que tenta falar com o advogado Derville e sempre é despachado com uma desculpa esfarrapada. Quando finalmente consegue a audiência no meio da madrugada, único período que lhe oferecem, conta sua triste história. Ele é o Coronel Chabert, que serviu à Napoleão Bonaparte, mas que foi tido como morto durante uma batalha há dez anos. Na sequência, temos a descrição bem precisa e angustiante dos momentos que passou após o golpe que sofreu e como conseguiu sair da vala na qual foi enterrado junto com vários combatentes. A leitura vale muito por essa passagem. O coronel conta ainda que já havia relatado o fato a algumas pessoas, porém, sempre foi visto como louco. Inclusive, tentou contato com sua esposa, agora casada com outro homem, sendo por ela também repudiado. O advogado, que o havia recebido com indiferença, interessa-se pela narrativa e se dispõe a ajudá-lo a reaver seus bens herdado pela mulher. 

O mais interessante é o desdobramento da história. Fica claro como somos facilmente substituídos e esquecidos depois de mortos, conforme interesses particulares. Cruel é a atitude da esposa, que parte da sedução para a traição. E é justamente isso que o liga à obra de Marías. Lá, o autor espanhol, por meio de seus personagens e seus pontos de vista, faz a análise do livro de Balzac. Quando a protagonista pergunta o que aconteceu com Chabert, ouve: "O que aconteceu é o de menos. É um romance, e o que acontece neles não tem importância, a gente esquece, uma vez terminados. O interessante são as possibilidades e ideias que nos inoculam e trazem através de seus casos imaginários, nós os guardamos com mais nitidez do que os acontecimentos reais e os levamos mais a sério." Nesse romance, há um assassinato e permanece a dúvida entre denunciá-lo ou não. Nas última páginas há um grande diálogo sobre como uma denúncia isolada não muda o mundo, e que só vai destruir um núcleo que está, aparentemente, feliz. A justificativa é dada por meio dos pensamentos de Derville, de Balzac. E é o que pensam todos que se omitem e que fingem que não podem interromper o que consideram errado. Leiam. Reflitam.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

o verão e a cidade


Que delícia ter lido "O verão e a cidade" (2011), de Candance Bushnell. Ele conta os dois primeiros meses de Carrie Bradshaw em Nova York. O livro é a continuação de "Os diários de Carrie" (2010), que fala sobre sua adolescência e que não me deu vontade alguma de ler. Ambos vieram bem depois do livro, da mesma autora, que deu origem à série "Sex and the city" (o livro é de 1995 e a série estreou em 1998). Eu comecei a assistir pela última temporada, há dez anos.

Carrie está prestes a completar 18 anos. Seu sonho é ser uma escritora famosa. Para tanto, consegue com que o pai lhe deixe fazer um curso de escrita criativa em Nova York. Ao chegar na cidade, é assaltada e vai parar na casa de Samantha Jones, que a apresenta à badalação nova iorquina. Pronto. Esse foi o primeiro passo para a vida agitada que a esperava e que todos que assistiram a série conhecem. Lá ela é inserida na alta roda da cidade, que tem escritores, artistas, estilistas e muita gente que só quer saber de curtir as grandes festas. A década é de 80, embora eu tenha visto poucas referências a esta época no romance. 

Surgem romances, desapontamentos, fracassos, volta por cima. Carrie conhece Miranda e também Charlotte, lá nas últimas linhas. 

O livro é puro entretenimento. Mas dá uma boa vontade de passar pelas situações que a protagonista, que no fim sempre se dá bem.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

alice no país das maravilhas. alice através do espelho


"Sei quem eu era quando me levantei esta manhã, mas acho que já passei por várias mudanças desde então."

Sabe que nunca tinha lido “Alice no País das Maravilhas”, do inglês Lewis Carroll, na íntegra? Tinha lido versões infantis e visto o filme (lindo, lindo) da Disney. No fim do ano passado, comprei a edição que também traz “Alice através do espelho”. Por curiosidade, baixei o audio book no original (está disponível gratuitamente nas lojas). Vale a experiência e o sotaque britânico.

A história é bem conhecida. No primeiro romance, Alice, entediada com o calor (a-há!) e com seu livro sem figuras e diálogos segue um coelho e cai em sua toca. Lá, descobre um mundo encantado cheio de animais e objetos falantes. Todos, de alguma forma, lhe dando conselhos de forma maluca e divertida: gatos, lebres, lagartos, cartas de baralho. Tem ainda o chapeleiro cujo relógio parou e, por isso, a ‘hora do chá’ nunca termina. Tudo é um sonho e embarcamos nessa literatura nonsense que traz as dúvidas e os medos das crianças, assim como as pressões que elas sofrem, como, por exemplo, decorar um poema. É engraçado como Alice sempre endireita sua postura na hora de recitar um, e há vários nesses dois livros.


No segundo, Alice se põe a conversar com seus gatinhos e a pensar sobre o que tem atrás do espelho. Quando vê, já o atravessou e está diante de peças de xadrez. No meio de um jogo e casas que ela tem que pular até conseguir retornar para o outro lado. Enquanto isso, conversa com flores, animais, se divide entre a Rainha Vermelha e a Rainha Branca, que, aliás, foram muito exploradas em 2010 por Tim Burton no filme “Alice”, adaptação desses dois livros. Enquanto nos romances não há bem e mal, no filme o diretor optou por este caminho. Ficou bom, mas caiu num lugar-comum da luta dos bons contra os invejosos. E não apenas uma luta da pessoa contra suas próprias dúvidas e conjecturas, como é nas obras de Carroll.

A criança que está em nós identifica-se com os comentários de Alice, com sua percepção do mundo, com seus choros e também com a forma livre de preconceitos com que aprecia o que está ao seu redor. É estranho um animal falar, mas não é impossível. E já que ele está falando, por que não bater um papo? Ou entrar em uma casa sem ser convidada, sentar-se à mesa e exigir atenção. As coisas funcionam mais ou menos assim nesse universo onírico. 

Fiquei bem interessada em ler mais sobre o autor, e encontrei uma tese de doutorado que fala sobre psicanálise e educação utilizando "Alice": “O nonsense no País das Maravilhas: o que Alice ensina à educação”, de Juliana Radaelli. A autora traz alguns aspectos interessantes da personalidade de Lewis Carroll. Ele teve três irmãos e sete irmãs. Aos treze anos foi enviado a um colégio interno e o que mais o incomodou foi estar em um ambiente sem meninas. Ele parecia odiar os meninos. Tanto que há um menino no primeiro livro que é transformado em um porco (e mais uma vez isso não soa bizarro para a Alice). Há vários estudos sobre seu desejo pelas meninas, que vão desde o inocente olhar para a criança até desvios de desenvolvimento sexual. Para alguns, isso poderia ser explicado pela indecisão em relação à sua própria sexualidade. A história de Alice foi escrita para um menina em especial, Alice Liddell, filha de um chefe do colégio de cardeais. Enfim, recomendo a leitura da tese e, sobretudo, dos romances.

Frases de Alice

"Quem é você?" perguntou a Lagarta. Não era um começo de conversa muito animador. Alice respondeu, meio encabulada: "Eu... eu mal sei, Sir, neste exato momento... pelo menos sei quem eu era quando me levantei esta manhã, mas acho que já passei por várias mudanças desde então."

"Como gostaria que as criaturas não se ofendessem tão facilmente."

"Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para ir embora daqui?"
"Depende bastante de para onde quer ir", respondeu o Gato.
"Não me importa muito para onde", disse Alice
"Então não importa que caminho tome.", disse o Gato.

"Oh, é o amor, é o amor que faz o mundo girar. Alguém disse que ele gira quando cada um trata do que é da sua conta."

"Acho que entenderia isso melhor", disse Alice, muito polidamente, "se visse por escrito; assim ouvindo, não consigo acompanhar muito bem."

"Não, não! Primeiro as aventuras!" impacientou-se o Grifo. "Explicações tomam um tempo medonho."

"Está ouvindo a neve contra as vidraças, Kitty? Soa tão agradável e suave! Como se alguém estivesse beijando a janela toda do lado de fora. Será que a neve ama as árvores e os campos que beija tão docemente? Depois ela os agasalha, sabe, como um manto branco."

"Pois aqui, como vê, você tem de correr o mais que pode para continuar no mesmo lugar. Se quiser ir a alguma outra parte, tem de correr no mínimo duas vezes mais rápido."

"Ela está naquele estado de espírito", disse a Rainha Branca, "em que quer negar alguma coisa... só que não sabe o quê!"

"É tarde demais para corrigir", disse a Rainha Vermelha; "depois que se diz uma coisa, ela está dita, e você tem que arcar com as consequências."

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

a espuma dos dias


“Queria estar apaixonado – disse Colin. – Você queria estar apaixonado. Ele queria idem (estar apaixonado). Nós, vós, queríamos, queríeis estar. Eles queriam igualmente se apaixonar...”

Passado o estranhamento inicial, sobretudo com enguias saindo das torneiras do banheiro, atravessando abacaxis e indo direto para o prato, “A espuma dos dias”, de Boris Vian é bem delicado. Mas por causa das enguias (sim, fiquei tocada com a crueldade), abandonei a leitura por meses. Felizmente, a retomei. Pelo absurdo dos diálogos e das atitudes dos personagens, resolvi dar uma trilha sonora para ele: Amy Winehouse. Até que combinou. Se bem que agora vou mais de Björk.

Partindo de imagens surreais, o autor nos conta a história de amor de Colin e Chloé. Colin é jovem e rico. Não sabemos detalhes sobre sua fortuna. Ele não trabalha e apenas curte a vida e os pratos que seu novo cozinheiro, Nicolas, faz. Também se entretém com as parafernálias que cria, como o pianococktail, piano que faz coquetéis conforme a música que a pessoa toca. Bem interessante, diga-se de passagem. Tem ainda outra que adorei: na mesa, basta apertar um botão e as louças sujas desaparecerem por um cano.

Seu bicho de estimação é um camundongo que, do seu jeito, fala com as pessoas. Ele interage o tempo inteiro com os personagens e é muito querido por todos. Além dele, outros animais têm participação, como coelhos que comem cenouras de ferro e fazem coco metálicos que são remédios. Gosto, particularmente, dessa afirmação: “os tubarões são mais atacados pelos homens do que os homens pelos tubarões...”

Entre os momentos inusitados, uma mulher está na pista de esqui e, após a manobra da águia, bota um ovo. Nessa mesma pista, pessoas morrem a todo momento e são retiradas com rodos gigantes. Mortes coletivas parecem não comover os personagens. É como se algum objeto tivesse quebrado, apenas, o que não foge muito da realidade, se pensarmos bem. Mas quando a morte é de alguém próximo a percepção é diferente.

O livro foi escrito em 1947 e se passa em Paris. O melhor amigo de Colin é o engenheiro Chick, aficionado por Jean Sol Partre, sátira ao filósofo Jean-Paul Sartre. Dele, Chick adquire absolutamente tudo, desde livros – em suas diferentes edições –, revistas com seus artigos, roupas supostamente usadas por ele. O engraçado é que Partre vomita as informações, literalmente. “Partre tinha se levantado e apresentava ao público amostras de vômito empalhado. O mais bonito, de maçã crua e vinho tinto, obteve um franco sucesso.” Alguém diz que ele fica batendo papo com os amigos e que extrai um trecho aqui, outro ali para suas publicações. Pouca parte é o que ele realmente pensa.

Determinado dia, Chick aparece para almoçar e conta que está namorando. Colin decide que também está na hora de se apaixonar. Juntos vão para uma festa e ele conhece Chloé. Na mesma hora decide que a moça será sua esposa. Casam-se numa cerimônia para lá de absurda, com padres caindo de paraquedas. Na lua de mel, ela adoece. Uma espécie de flor cresce em um de seus pulmões. Câncer? Não fica explícito. A doença, contudo, a consome e somente outras flores podem ajudar no tratamento. Resultado: todo o dinheiro de Colin vai para as floriculturas e ele tem que trabalhar. Há toda uma discussão em torno da utilidade do trabalho. Em paralelo, acompanhamos o romance de Chick e Alise e o de Nicolas com Isis.

Cena do filme de 2010
Aparentemente, a história pode parecer absurda. Todavia, parecem representar o que estamos sentimos. Por exemplo, quando estão felizes, tudo é claro, amplo, colorido, eles vão para as nuvens, e é exatamente essa a representação que temos no texto. Quando a coisa não está bem, os ambientes em que estão encolhem, tudo fica escuro, insuportável, sujo. Até o ratinho se desespera e entra na faxina, coitado! Principalmente na primeira parte do livro, para mim foi inevitável não associar o que estava lendo com o filme “2001 – uma odisseia no espaço”. Pelo ar retrô, pelas situações bizarras.

Assisti ao filme baseado no livro tão logo terminei a última linha. Tanto que agora as imagens se confundem na minha cabeça. A adaptação, guardada as restrições inerentes à escrita, foi bem fiel. Apenas o fim do livro, que lembrou Tom & Jerry, não aparece. O cinema deu outro fechamento, também bonito. Ainda assim, fico com a obra literária.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

jane eyre


“Gosto de um dia como hoje, desse céu de chumbo. Gosto da severidade e imobilidade do mundo sob esse frio.”

Se tem uma lição que tirei de “Jane Eyre” foi: nem sempre a razão é o melhor caminho. Eu já me deixei levar pela razão e hoje me arrependo. E foi o que aconteceu com Jane Eyre em determinado trecho de sua vida. O livro é escrito em primeira pessoa, como se fosse um diálogo entre ela e o leitor, ao qual ela sempre se dirige. Pensando melhor, ela não se arrepende por ter feito usado a razão, apenas se deixou guardou a emoção para outro momento. Tal atitude foi necessária para reafirmar seus propósitos e postura.

Escrito por Charlotte Brontë em 1847, é uma autobiografia ficcional que conta a trajetória de Jane desde que tinha dez anos. O escrito também tem um pé no feminismo, pois evidencia o papel forte da mulher e sua capacidade de tomar decisões e de agir por conta própria, sem se deixar levar pelas opiniões masculinas. Isso numa época em que a submissão feminina era esperada. Tudo que Jane faz, desde pequena, é para mostrar que ela precisa ser respeitada.

Sua história é triste. Ficou órfã cedo e foi morar com o irmão da mãe. Mas seu tio também morre e ela acaba ficando sob os cuidados da esposa, que nunca aceitou a menina em sua casa. Seu estilo desafiador, atiça ainda mais a ira da tia. Ela é ainda alvo frequente das maldades dos primos, que têm idades próximas à sua. Logo, é enviada para um orfanato. Apesar da rigidez do local, lá consegue se estabelecer e, de certa forma, se expressar. O local, contudo, torna-se pequeno para seus sonhos quando chega aos dezoito anos. Ela anseia por conhecer novos lugares e viver outras experiências. Esse desejo a leva para uma grande propriedade no interior inglês, onde vai dar aulas para uma menina, protegida do dono da casa, Edward Fairfax Rochester. Claro que ela se apaixona por ele e vice-versa. Contudo, nada são flores. Na sequência, temos segredos, dilemas e muito sofrimento, alguns exagerados pela autora, como a passagem em que Jane foge e passa fome. Há ainda momentos de reflexão sobre a fé e a entrega para Deus, crítica aos missionários.

O livro, assim como a maioria dos que foram escrito nessa época, traz de forma bem forte a divisão entre rico e pobre, homem e mulher, desgraça e sorte, calor e frio, belo e feio. Jane e Edward são feios e isso é reforçado em toda narrativa. Por isso, foram 'feitos um para o outro'. É como se fosse um conto de fadas às avessas, inclusive o primeiro encontro se dá com o 'príncipe' caindo, literalmente, do cavalo. É uma leitura bem gostosa, texto direto, mas que nos remete exatamente à paisagem do interior inglês e à época em que foi escrita. Gostei de ver o companheirismo do cachorro bem destacado. Vale cada página.

Charlotte, Emily e Anne Brontë, conhecidas como as irmãs Brontë, adotaram pseudônimos masculinos para seus livros, na tentativa de evitar o preconceito em relação aos seus textos. A primeira publicação de “Jane Eyre” saiu como sendo de Currer Bell (sobrenome de marido de Charlotte). Emily e Anne adotoram o mesmo mesmo sobrenome, sendo Ellis e Acton, respectivamente. O único livro de Emily Brontë, “O Morro dos Ventos Uivantes” é um dos meus favoritos da vida, e traz os mesmos elementos de “Jane Eyre”. Todas morreram jovens.

Frases

“É infinitamente melhor aguentar um com paciência um castigo que só atinge você, do que cometer uma ação impensada cujas consequências atingiriam todas as pessoas de sua família.”

“Se as pessoas fossem sempre boas e obedientes com aqueles que são cruéis e injustos, os maus teriam tudo a seu modo. Nunca sentiriam medo e assim nunca mudariam, mas se tornariam cada dia piores.”

“É inútil dizer que os seres humanos devem contentar-se com a tranquilidade. Eles precisam de ação. E tem que buscá-la, se ela não vier ao seu encontro. Milhões são condenados a uma vida mais pacata que a minha, e milhões se revoltam em silêncio contra a sorte.”

“Se eu deixar que uma rajada de vento ou alguns pingos de chuva me afastem dessas tarefas tão simples, como poderei me preparar para o futuro a que aspiro.”

“Temia uma resposta que me atirasse ao desespero. Prolongar a dúvida era prolongar a esperança.”

Imagem da adaptação para o cinema de 2011

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

sonho #3

Eu tenho que ir para algum lugar, mas não consigo me arrumar. Esta noite o problema era tomar banho e dar um jeito no cabelo. O estranho é que ora eu já estava, mesmo ‘incompleta’, no local em que deveria estar. Ora ainda estava tentando me ajeitar: a casa estava cheia, o cabelo estava sujo, quando conseguia entrar no banheiro, faltava algo, como shampoo ou sabonete. Desesperador. Principalmente, porque não queria perder o compromisso. Sempre tinha alguém querendo me acompanhar, o que me deixava ainda mais atrasada. E quando estou no local em que deveria estar, parece que lá tudo dá errado. Teve até um carro dando ré dentro da casa. Tirando a preocupação de que o motorista poderia bater em algum lugar, o resto parecia normal. Adoro sonhar. Gosto mais ainda quando desperto, desse tipo de sonho que é bem frequente, e vejo que tudo pertence ao universo onírico. Ufa!
 
 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

o mundo real é muito menor que o mundo da imaginação

Hoje acordei pensando: “Cadê meu box ‘Sex and the city’ e o meu ‘O mágico de Oz' em blu-ray”.

Fiquei tensa. Levantei da cama e, mesmo atrasada, comecei a busca. Felizmente, tive sucesso e já estão em lugar conhecido. Às vezes, acontece. Do nada lembro de algo e não sossego até que encontre tal objeto, mesmo que eu tenha passado anos sem pensar nele.

Isso veio à tona, sobretudo, porque acabei de comprar um aparelho blu-ray, que ainda não tinha. E também porque coloquei algumas metas para o ano que se inicia: ver mais filmes, rever as séries favoritas, conhecer novas. Mergulhar na ficção.

Como diz o título do post, frase atribuída ao filósofo alemão Nietzsche, viva a imaginação. Sempre gostei de me desligar por alguns minutos do mundo, pensar e imaginar situações, diálogos, cenas. Ontem mesmo, durante o relaxamento do yoga (momento em que deveríamos esvaziar a mente), resolvi viajar por lugares que já estive. Reviver momentos e sensações já sentidas. E quem disse que não pode ser tudo tão 
real quanto antes, de alguma forma? Feliz 2016.

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Encontrei o aforismo em um artigo sobre Nietzsche para estressados, livro que compila 99 máximas do pensador. Não gosto dessas coletâneas, mas não deixam de trazer certa inspiração.