quinta-feira, 26 de novembro de 2015

a estrela mais brilhante do céu


Saí da “Escuridão total sem estrelas”, de Stephen King, direto para “A estrela mais brilhante do céu”, da irlandesa Marian Keyes, minha autora preferida de chick-lit. Mas este livro foge um pouco das outras histórias dela. Claro que os estão presentes elementos habituais desse tipo de literatura (mulheres com a vida confusa em busca do amor), mas com uma pegada diferente.

A versão que eu li
Logo no começo somos apresentados a uma espécie de espírito ou seja lá o que for. Eu li a versão original, em inglês, portanto não sabia exatamente o gênero do narrador. Fui conferir a versão brasileira e lá há gênero. Uma pena. Principalmente quando avançamos na história e descobrimos do que realmente se trata.

Enfim, este espírito chega a um prédio no centro de Dublin. Lá terá que escolher uma pessoa. Aos poucos, passa a vigiar pensamentos, atitudes e até mesmo o passado de cada um dos moradores e daqueles com os quais se relacionam. Parece uma novela com vários núcleos e com personagens bem diversos: mulher solteira na crise dos quarenta, homem workaholic, moça boazinha, moço bonzinho (mas ambos depressivos), imigrantes sonhadores, cara sedutor, mulher mal humorada, velha vidente e até um cachorro chamado Rancor, que tem seus próprios pensamentos amargos em relação ao filho da dona. Todos acabam se encontrando e se desencontrando durante a trama.

Apesar de não se passar durante o Natal, é um bom livro para essa época. Leve, divertido e com uma mensagem bacana no final.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

escuridão total sem estrelas


Quando eu era criança/adolescente costumava ler a coluna, de contos curtíssimos, de Voltaire de Souza (pseudônimo de Marcelo Coelho) no Notícias Populares. Aquele jornal que “se espremer sai sangue”, como diziam, e que teve sua última edição em 2001, depois de quase quarenta anos nas bancas. Há um livro que relembra toda a história do periódico, “Nada mais que a verdade”, escrito por Celso de Campos Jr., Denis Moreira, Giancarlo Lepiani e Maik Rene Lima, e que merece uma resenha. Mas voltemos aos textos de Voltaire de Souza. Outro dia me deparei com um deles no jornal Agora São Paulo. Estava lá o mesmo espírito irônico. Mas não tão ‘violento’ quanto antes. A lembrança veio por conta do que encontrei em “Escuridão total sem estrelas”, coletânea de quatro contos de Stephen King. Eu buscava algo para me deixar com medo. Mas medo do sobrenatural, de assombração. E o que vi foi o fundo do poço do ser humano. Até temos um toque mais fantástico no terceiro conto, no mais o que predomina é a violência. Tanto que se espremer, jorra sangue para todo lado. Aliás, nunca vi tanto sangue em um livro.

No primeiro conto, “1922”, tem que ter estomago para aguentar as passagens em que uma mulher é brutalmente morta pelo marido. O pior é que ele acaba envolvendo o filho. Mostra em detalhes como o homem fica cego pela ganância e pela inflexibilidade. Como lemos tudo sob o ponto de vista do assassino, a esposa é tratada como fútil e egoísta. Nunca saberemos os motivos dela, que foi calada com requintes de crueldade. Se antes eu já não gostava de palhaço, agora menos. Não posso mais ver um palhaço que lembro desse conto. Final inesperado e que me lembrou “A metamorfose”, de Franz Kafka. Fiquei com pena dos ratos que apareciam aqui e ali e que tanto atormentaram o protagonista em suas alucinações. Esses animais são sempre vistos como coisa ruim e quase sempre representados de forma a aterrorizar as pessoas. Também muito me comoveu uma vaca que teve uma de suas tetas arrancadas por um desses bichinhos. Será mesmo? Depois que vocês lerem “1922”, entenderão minha dúvida. Recordo-me, agora, de outros dois ratinhos, simpáticos e que todos gostam: o ‘cozinheiro’ do filme Ratatouille e o famoso Mickey Mouse. Daria uma boa análise. 

Na sequência, temos “Gigante do volante”. Aqui eu fiquei com raiva, mas com muita raiva da protagonista. Ela é escritora e vai dar uma palestra em uma cidadezinha nos Estados Unidos. Na volta, por indicação da anfitriã, pega um atalho e acaba sendo estuprada e espancada. Mas ela consegue escapar e tem a oportunidade de denunciar o fdp. Mas não. Ela se cala! Fica pensando que não pegaria bem aparecer nos jornais como vítima dessa violência. Contudo, planeja sozinha sua própria vingança. Só que tudo começa a dar errado. E aí é só tensão. Xinguei muito a Tess, esse é o nome dela. Seus conselheiros são seu gato e o GPS, com quem bate altos papos. Não vou falar mais nada para não estragar a leitura. Apesar do ódio que senti, gostei da história.

O terceiro é o mais curto, “Extensão justa”. Neste há uma pegada mais sobrenatural, direto do inferno. David tem câncer terminal e uma vida mais ou menos. Não casou com seu primeiro amor, seu emprego não é o de seus sonhos, seus filhos não são os melhores da escola, a casa é simples. Enfim, até aí nada diferente da maioria da população. Contudo, a doença o deixou ainda mais deprimido. Até que ele encontra um vendedor ambulante que promete a cura para tudo. Inclusive para o câncer e suas frustrações pessoais. Basta ele indicar alguém que ele tenha muita raiva (ou muita inveja, no caso dele). Depois desse episódio, as coisas começam a melhorar. Rapidamente e muito. Chega a ser piegas a forma com que a trama segue. Terminei não acreditando no que lia. O mais fraco dos contos.

Por fim, “O bom casamento”. Na minha opinião, o melhor. Principalmente pela forma com que King vai nos envolvendo na história. Começa falando sobre casamento, as pequenas coisas do dia a dia, o quanto cada um conhece de seu cônjuge, os momentos felizes, os planos feitos juntos. Detalhes que fazem a relação ser boa (ou não). E é assim com Darcy, casada há anos com Bob. Com ele, construiu uma bela casa, tem dois filhos, o rapaz está tendo sucesso em sua empresa, a moça está prestes a se casar. Darcy está com 46 anos. Bob com 49. Ela pensa que sabe tudo sobre o marido. Apenas pensa. Por causa de duas pilhas para o controle remoto da TV, ela descobre um esconderijo e um segredo que vai destruir qualquer boa lembrança que ela possa vir a ter. 

No posfácio, Stephen King nos conta um pouco sobre o processo criativo para essas histórias. Fotos, reportagens e viagem pelas estradas norte-americanas lhe serviram como inspiração para o livro que já se tornou o meu favorito dele.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

aconteceu em paris

Capa feia, edição cheia de erros
Nunca neguei. Adoro um chick lit, estilo literário do qual fazem parte os livros que trazem a hilária Bridget Jones, criada pela inglesa Helen Fielding. Também estão dentro os engraçados romances da irlandesa Marian Keyes. "Sex and the city", de Candace Bushnell, e um dos meus favoritos, "Can you keep a secret", de Sophie Kinsella. Assim, entre uma leitura e outra, sem nenhuma vergonha, encaixo um desses livros, que aqui são conhecidos como ‘literatura de mulherzinha’. As histórias são muito parecidas: protagonistas atrapalhadas. Tudo que fazem dá errado. Estão sempre metidas em alguma confusão e têm na cola um gato apaixonado. O final feliz é regra e esperado. Apesar da previsibilidade, nos proporcionam bons momentos de entretenimento. São ótimos para quando bate a tristeza ou quando queremos apenas dar boas risadas. E, sim, também nos ajudam a refletir sobre a vida, de certa forma ;-)


:-(
Fazendo uma rápida pesquisa em blogs literários (busquei por 'livros para morrer de rir’), cheguei até “Aconteceu em Paris”, da escocesa Molly Hopkins. Comprei a versão digital, abri um vinho e me preparei para dar gargalhadas. Mas a péssima edição brasileira, da Nova Conceito (caramba, editora!), me deixou de mau-humor. Há erros grotescos de português, como o que compartilhei no meu instagram (imagem ao lado). 'Voltei a se sentar' é triste, não? Não sou a perfeição em língua portuguesa, mas entendo que esta deva ser a pretensão das editoras que ganham dinheiro vendendo livros. É o mínimo, considerando o preço das publicações por aqui e sabendo que contam com vários revisores.

Tudo isso me deixou com raiva da Evie Dexter, a protagonista. Bobinha e sem graça, embora a intenção fosse justamente ser divertida. Desanimei e interrompi a leitura. Mas como tinha dado uma boa grana pelo e-book, terminei o romance. Até que me diverti com as aventuras dela por Paris. Na verdade, só me animei mesmo quando ela fez um tour pela Escócia. Faltou dizer que é publicitária, perde o emprego e consegue outro em uma agência de turismo. Seu primeiro trabalho é levar um grupo de quarenta pessoas para um fim de semana em Paris. Logo de cara, interessa-se pelo motorista de ônibus, o bonitão Rob. Na mesma noite vai para a cama com ele. E por aí vai. Enfim, mas eles acabam nas montanhas escocesas, um dos lugares mais lindos que já visitei. Daí não consegui mais largar o livro e as descrições das paisagens. Aliás, muito poucas, mas suficientes para eu ter vontade de voltar. Pronto. Mesmo essa edição ruim me fez sonhar. O que não me deixou menos decepcionada com a Nova Conceito. Sei que Evie continua suas aventuras em outro romance, “Aconteceu em Veneza”. Será que vale arriscar?