terça-feira, 11 de agosto de 2015

uma curva no tempo



Terminei a leitura anestesiada. Realmente o livro tomou um rumo que eu não esperava. Foi surpreendente e me deixou a pensar sobre algo que sempre tive curiosidade, mas que não vou falar aqui ou estragarei a surpresa da história. 

Uma curva no tempo”, primeiro romance da inglesa Dani Atkins, nos traz a vida de Rachel Wiltshire, que se desdobra em duas após trágico acidente no jantar de despedida com seus amigos de infância, antes de todos irem para a universidade. 

Passam-se cinco anos e Rachel mora em Londres, em cima de uma lavanderia, sozinha, tem um emprego que nunca sonhou, uma feia cicatriz no rosto e o remorso pela morte de um dos melhores amigos, Jimmy, na fatídica noite. Seu pai está com câncer e tudo mais parece o inferno. Voltar à cidade natal para o casamento de sua amiga Sarah a faz reviver todos aqueles instantes angustiantes que a arruinaram. Reencontra a velha turma, o ex-namorado e o túmulo do amigo. E é exatamente no cemitério que sua vida dá outra reviravolta. Desta vez para melhor. Após forte dor de cabeça, ela acorda no hospital e percebe que sua vida é totalmente o oposto do que ela se lembra.


Seu pai está curado, aliás, ele estranha quando ela questiona sobre a quimioterapia. Ela é jornalista, bem-sucedida, noiva do namorado de infância e, o melhor de tudo, Jimmy está vivo. Tudo é muito estranho. O diagnóstico é amnésia. Mas o rumo da história nos leva a inúmeras hipóteses. Cheguei até a cogitar algo parecido com os planos paralelos de ‘1Q84’, do japonês Haruki Murakami. Ou algo bem clichê, estilo comédia romântica que volta no tempo e tal. Enfim, tudo é possível. Inclusive, a própria protagonista sugere algumas teorias. Mas é bem interessante acompanhar a caminhada dela para descobrir o que está acontecendo. Sobretudo porque ela consegue dizer endereços, telefones e até históricos das pessoas que fazem parte de sua outra vida.

Logo de cara, lembrei do filme “Como se fosse a primeira vez”, no qual a mocinha ficou presa em um único dia de sua vida, mas lá a falta de memória de curto prazo é explícita e o dilema é como fazer com que ela não sofra com o problema que tem. O mesmo acontece no suspense “Antes de dormir”. Enfim, a memória é um tema bem interessante e amplamente explorado. Gostei muito do livro, embora eu tenha que confessar que nas primeiras páginas imaginei estar lidando com um livro YA. A linguagem é bem simples. Pode ser lido em poucas horas. Mas isso não o torna menos interessante. O fim é lindo e me deixou a pensar sobre a importância das coisas simples e da rotina. O que fica é isso, apenas.

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