domingo, 23 de novembro de 2014

timoleon vieta

O livro traz esta imagem várias vezes, 
 sempre com uma frase atribuída ao cão
'Por quê? Por quê?' Fiquei a perguntar a Dan Rhodes no fim da leitura do seu 'Timoleon Vieta volta para casa'. Se existe um livro do qual eu gostaria de mudar o desfecho, este é um deles. Mas para isso eu teria que mudar a humanidade.

Cockcroft é um inglês decadente que mora na Toscana. Ele vive dos direitos autorais dos jingles que compôs décadas antes. Está na casa dos sessenta anos e costuma hospedar rapazes bonitos em troca de favores sexuais. O problema é que ele se apega a eles e sofre a cada rompimento. E é o medo de ficar sozinho que o leva a cometer o ato mais cruel da sua vida. Ele também abriga o simpático Timoleon Vieta, cachorrinho preto com manchas brancas e caramelo. O livro começa dizendo que ele faz parte da melhor raça de cães, os vira-latas. Timoleon, que tem os olhos mais cativantes já vistos, apareceu durante um temporal na casa de Crockroft e por lá ficou, tornando-se seu melhor amigo e confidente. Durante cinco anos presencia vários casos amorosos do 'dono'. Como ele mesmo diz, os rapazes vão, o cachorro fica. Até que surge uma figura misteriosa que diz ser refugiado da Bósnia. O cachorro não o aprova. Mas com medo de perder seu Bósnio, Cockcroft acaba cedendo aos pedidos do novo companheiro, e abandona o cão nas ruas de Roma. 


Na tentativa de voltar para casa, e aqui temos certa analogia com 'Lassie volta para casa', de Eric Knight, o cão depara-se com diferentes pessoas. E nós passamos a conhecer a história de cada uma delas até o encontro com Timoleon. Tem a chinesinha que encontra o cão no velório do padastro. A moça do País de Gales que confessa seus amores perdidos nas fontes de Roma. A menina de Camboja que vê o cão pelas fotografias da irmã que se casou com um dentista francês. A muda que apaixona-se por um deliquente, entre outros. Na verdade, o cão é o motivo para os vários contos apresentados no romance. Podemos dizer que, em sua jornada, o cão que se apresenta como coadjuvante de outras vidas.





Confesso que a leitura me incomodou. Sobretudo pelo final. Fiquei pensando se não poderia ter sido diferente. Mas, afinal, o ser humano é mesmo assim: cruel, individualista e cheio de loucuras que machucam. Fica o exemplo do afeto dado pelo cachorro. Timoleon Vieta só aumentou o meu amor pelos bichos :-)








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