sexta-feira, 4 de julho de 2014

a vida do livreiro a. j. fikry

“A maior parte dos problemas das pessoas seria resolvida se dessem mais chances às coisas.” 

Eu me apaixonei pela cidadezinha de “A Vida do Livreiro A. J. Fikry”, romance da norte-americana Gabrielle Zevin. Fiquei com vontade de ficar lá, perdida neste lugarejo no qual só conseguimos chegar com dois trens e um barco. Isso quando não é inverno e as águas estão congeladas. E é neste fim de mundo que mora o livreiro do título. A esposa, que foi escritora, morreu num acidente de carro. Juntos abriram a Island Book, única livraria da remota Alice Island. Amargurado pela perda, tem fama de ranzinza. Logo no início, trata muito mal a representante que lhe traz as novidades do catálogo da editora para a qual trabalha. Despeja nela os tipos de livros dos quais foge. Ou seja, praticamente todos. Só se interessa por clássicos e bons contos. A coitada sai cambaleando. Mas tudo muda quando depois de beber até desmaiar, deixa à vista seu raro exemplar de ‘Tamerlane and other poems’, de Edgar Allan Poe. Embora não seja colecionador, o que detesta, conseguiu o livro em um destes ‘família vende tudo’. Guarda-o para quando decidir ter outra vida. Mas o livro some. A partir daí sua rotina e humor mudam. Ele faz amizade com o delegado Lambiase, ganha uma filha, a Maya, e passa a considerar Amelia, a maltratada representante, além dos títulos que ela apresenta. Fikry, mesmo quando é mal-humorado, nos rende boas risadas. Embora não seja pseudointelectual, finge ter lido os sete volumes de ‘Em busca do tempo perdido’, de Proust. Ele também gosta de correr. Em determinado momento, por não saber o que fazer com as chaves de casa na hora da corrida, resolve simplesmente deixar a porta aberta. Quem corre, vai entender o transtorno que esse objeto pode causar na hora do exercício. O livro é recheado de referências literárias, sobretudo de contos. A cada abertura de capítulo, nova sugestão, que sempre está associada ao momento dos personagens. Para ser lido sem interrupções, de preferência no inverno com tardes ensolaradas.

As capas nos Estados Unidos e na Inglaterra

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