terça-feira, 18 de junho de 2013

antes da meia-noite


Eu tinha que falar sobre este filme, o terceiro idealizado pelo diretor norte-americano Richard Linklater para mostrar o que é, afinal, este tal de relacionamento amoroso. O tempo real, quase sem cortes, que Linklater dá às cenas dessa (até agora) trilogia também está presente nos diálogos, extremamente próximos da nossa habitual existência.

Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy) se conheceram em Viena (Antes do Amanhecer, 1995). Apaixonados, passaram a madrugada juntos e prometeram um encontro em seis meses. O desfecho só foi conhecido nove anos depois, em Paris (Antes do Pôr-do-Sol, 2004). Agora, após outros nove anos, na Grécia, temos outro ato do casal (Antes da Meia-Noite, 2013). Aliás, as locações são sempre fantásticas.

Nos dois primeiros filmes havia o encontro e reencontro. Ambos inesperados e repletos de discussões filosóficas e divagações sobre objetivos e crenças. Já ‘Antes da Meia-Noite’ traz à tona arrependimentos e a ameaça da rotina. Casados, têm duas filhas gêmeas. Jesse tem ainda o filho do casamento anterior. Em férias na casa de amigos, eles aproveitam para fazer o que mais sabem: conversar.

O agradável bate-papo e o resgate das aspirações que um dia tiveram são mostrados dentro do carro, à beira mar e no percurso ao hotel no qual vão passar a noite, longe das crianças e dos colegas. Memorável a cena em que Celine, após uma discussão, sai do quarto. Jesse, desconsolado, olha para o chá que ela havia preparado. Para as duas taças de vinho, praticamente intocadas, que ele serviu. Para a cama na qual estavam agarrados poucos minutos antes. Era como se estivesse olhando para todos os momentos que tiveram: a vida em comum que ele não quer perder. Indicado para quem sonha e não tem pressa em chegar a alguma conclusão. Como disse Jesse, “É preciso estar um pouco iludido para manter a motivação.” E que venham mais nove anos.

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