segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

o chamado do cuco


"O Assassinato de Roger Ackroyd", meu livro favorito de Agatha Christie, veio à tona logo nas primeiras páginas do romance policial "O chamado do Cuco", de Robert Galbraith, pseudônimo de J. K. Rowling. O que me trouxe tal associação não foi a história, mas o desfecho e o 'quemajudaquem'. Chega! Ou vira spoiler.

Lula Landry, famosa modelo, morre ao cair da sacada de seu luxuoso apartamento, em Londres. Enquanto todos, inclusive a polícia, aceitam a hipótese de suicídio, já que ela tinha seus desvios psicológicos, seu irmão parece não estar convencido e contrata um detetive para provar que Lula foi assassinada. O escolhido é Cormoran Strike, ex-militar grandalhão e peludo que perdeu uma perna no Afeganistão. Sua situação não é das melhores: está atolado em dívidas, recebe ameaças de morte do principal credor, acabou de perder a noiva, mora no escritório, só tem um cliente e secretárias temporárias. Mas é uma delas que vai ser essencial para ajudá-lo nas investigações, Robin Ellacott. Apesar de tudo, Strike mostra-se muito competente em seu trabalho. Sabe fazer as ligaçoes certas e tem influências que o levam a desvendar a morte da modelo. Cuco ou Cuckoo - no inglês fica mais bonito - é como seu estilista costumava chamá-la.

O romance só ganha fôlego depois da metade. Antes disso, a leitura é arrastada com detalhes cansativos. Confesso que deixei o livro de lado várias vezes. Felizmente, fui até o fim. Estava certa em relação ao que suspeitei desde o início. Apenas não poderia dizer quais foram os motivos, todos muito bem colocados por Strike no fim da trama, tal e qual todos os livros que trazem detetives, como o famoso Hercule Poirot. E Roger Ackroyd? Leiam um e outro e depois me digam ;-)

“Uma mentira só teria sentido se a verdade parecesse igualmente perigosa.”

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

15 livros e 15 viagens pelo mundo

Que tal viajar por meio dos livros? Aqui está uma relação de romances que, além de serem ótimos, ainda nos dão detalhes de lugares que merecem ser visitados. Enjoy :-)

Portugal



Trem noturno para Lisboa, de Pascal Mercier
Verdadeiro passeio pelas vielas de Lisboa junto com Gregorius, professor suíço que larga a aula pela metade e parte para Portugal, logo após ser seduzido pela beleza do sotaque lusitano.

As pequenas memórias, de José Saramago
A ideia que tenho das aldeias portuguesas foi reforçada (e confirmada) com a leitura da autobiografia da infância e adolescência de Saramago. 

Estados Unidos



O sofá laranja, de Fania Szydlow Benchimol
O livro traz cartas, confusas e nostálgicas, de uma mulher ao marido. Elas foram encontradas no outono de Nova York, em algum banco do Central Park.

Garota exemplar, de Gillian Flynn
O casal sai de Nova York para morar na cidade natal do marido, no centro-oeste norte-americano. Daí, a esposa desaparece e quem é o suspeito? Suspense e surpresas às margens do rio Mississipi.

Itália



Mil dias em Veneza e Mil dias na Toscana, de Marlena de Blasi
Os textos narram as aventuras da autora por essas duas regiões italianas. Na primeira encontra o marido que será o companheiro da segunda jornada. Dá vontade de se perder por lá. Com muito pão, azeite, alecrim e vinho.

Inglaterra


Charlotte Street, de Danny Wallace
É na famosa rua londrina que o personagem principal ajuda uma moça a entrar num taxi. Na empolgação, acaba ficando com a máquina fotográfica dela. O livro tem sabor de seriado. Poderia muito bem ser desmembrado em vários episódios na bela Londres.

A casa das orquídeas, de Lucinda Riley
Aqui a viagem é pelo interior inglês, seus condados e jardins bem cuidados. Aliás, foi isso que eu mais gostei no livro, que deve ser lido com uma taça de vinho rosé, a exemplo dos personagens.

Brasil



Nihonjin, Oscar Nakasato
Lindo romance que trata da imigração dos japoneses no Brasil. A história começa pelo interior de São Paulo e termina no bairro da Liberdade, na capital paulista. Comovente.

Primeiro romance de Hatoum. Tal qual os que vieram depois, traz imigrantes libaneses e como se adaptaram a Manaus e à floresta. A partir de várias vozes, acompanhamos a construção do passado da protagonista.

Japão



1q84, de Haruki Murakami
São três volumes aqui no Brasil. O último foi lançado há pouco tempo. O romance tem várias dimensões e nos instiga a pensar se realmente estamos aqui ou se aqui é ali (?). Acompanhamos os passos e devaneios de Tengo e Aomame em Tóquio. Ótimas referências literárias, musicais e históricas.

Chile



A contadora de filmes, de Hernán Rivera Letelier
O autor nos aproxima do deserto de Atacama, conhecido como o mais solitário do mundo. Fala sobre uma família apaixonada por cinema e como a carência de recursos fez com que eles assistissem aos filmes pela voz e gestos da caçula.

Pelo mundo


A viagem de théo, de Catherine Clément
Viagem pelas religiões e os países que melhor as representam. Excelente aula sobre história, cultura e, principalmente, sobre a origem das principais crenças. Passagens por Israel, Índia, Brasil, Itália, Egito, Japão etc.

O silêncio das montanhas, de Khaled Hosseini 
Aqui passamos pelo Afeganistão, Grécia, França e Estados Unidos. Mostra pessoas que por algum motivo tiveram que sair de seus países, com tradições muito distintas, e que subitamente se viram em outra cultura.

Travessuras da menina má, de Mario Vargas Llosa
Por meio do romance cheio de idas e vindas de Ricardo Somocurcio com sua ‘Chilenita’nós ganhamos uma brilhante viagem literária por Paris, Londres, Tóquio e pelo litoral peruano.

O tempo entre costuras, de María Dueñas
A narração é feita pela protagonista, Sira Quiroga, e passa pelos bastidores de dois grandes conflitos, a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial. Isso nos leva a passeios pela Espanha, Marrocos e Portugal. E com uma história fascinante que não dá para largar.


domingo, 15 de dezembro de 2013

o sofá laranja

 

Mais um livro que encontrei por acaso. A capa é interessante, o título inusitado. Vou direto ao primeiro capítulo. Ou melhor, à primeira carta. Pronto. Agora "O sofá laranja", primeiro romance da brasileira Fania Szydlow Benchimol está comigo. Eu o li em uma hora. O texto é rápido, com frases curtas, algumas rimas. São 23 cartas escritas por uma mulher, Susan, ao seu marido, Sam, entre 1 e 24 de janeiro de 2002. Por ser um dia cheio de recordações, ela pula o dia 14. Todas são encontradas juntas, amarradas com uma fita laranja, em um dos bancos do Central Park, no outono de Nova York.

Nelas, a remetente parece estar em transe, perdida em suas angústias e começa a escrever para esquecer. E assim fala sobre os momentos comuns dos dois. Sobre o que os une, como o sofá laranja que decora a sala, a metáfora do aconchego, da rotina e do que ambos construíram juntos. Mas não é do passado que ela tem saudades. "Tenho saudades do que não puder mais viver com você." Já imagina o que pode ter acontecido? Vá em frente e desfrute da leitura. Sem expectativas. Mas com a curiosidade que missivas alheias provocam.

Outono em Nova York, quando as cartas foram encontradas. Talvez em um desses bancos

sábado, 14 de dezembro de 2013

trem noturno para lisboa

Bela cena do filme inspirado no livro. O amor pelos livros move os protagonistas

Raimund Gregorius, ou Mundus, é professor de línguas clássicas em uma universidade na Suíça. Metódico, tem fama de nunca errar. Numa manhã chuvosa está a caminho da aula quando impede que uma mulher salte da ponte de Berna, cidade em que mora. Num ato de desespero, ela anota um número de telefone na testa do professor e pede que ele a deixe acompanhá-lo.

“Português”, diz ao ser questionada sobre qual idioma estava balbuciando. A estranha entra com Mundus na sala sob os olhares perplexos dos alunos. Fica por apenas alguns minutos e sai sem dizer nada. Pronto, é o que bastava para que fosse ele a se jogar da ponte. Não literalmente, porém. A sonoridade do idioma português, com o sotaque lusitano, não sai de sua cabeça. Desnorteado, abandona a aula em silêncio e vai para a livraria buscar livros nesse idioma. Depara-se com “Um ourives das palavras”, de Amadeu Inácio de Almeida Prado, médico português. Em poucas horas, vai descobrindo a nova língua e compreendendo as palavras de Prado. Fascinado com o que lê, vai a Lisboa na mesma noite, no tal “Trem noturno para Lisboa”, em busca de mais informações sobre o autor. Lá fica sabendo que o médico morreu há trinta anos, encontra várias pessoas que conviveram com ele, conhece a bela Lisboa e suas vielas, aprende sobre o regime de Salazar e o quanto o fascismo daquele país prejudicou a vida de muitos, em especial a de Prado.


O livro, repleto de reflexões, alterna a narração da primeira grande aventura de Gregorius – já que ele largou tudo sem dar satisfação a ninguém – com relatos de Prado, sempre em itálico. Ambos buscam encontrar o sentido da vida, algo que os motive a continuar por aqui. Ressentimento, nostalgia, solidão, vontade de aventurar-se e receio da ‘resistência’ dos outros estão bem presentes neles. Assim como o amor pelos livros.

“Trem noturno para Lisboa” foi para as telas. O roteiro cinematográfico difere da obra em que foi baseado em vários aspectos, sobretudo no desfecho. Contam a mesma história, mas o filme parece querer responder algumas perguntas que haviam ficado no ar, além de dar um final mais feliz e ‘resolvido’. Enfim, não deixa de ser bonito e merece ser visto, mesmo com todos os personagens falando em inglês. Mas o livro, de Pascal Mercier, pseudônimo do escritor e filósofo Peter Bieri, é mais completo, mais instigante e precisa ser apreciado no tempo de cada leitor. Sem pressa. Em determinado momento, Gregorius encontra uma moça que costuma pegar o trem mais lento (na Europa há a opção de trens velozes), pois nele é possível desfrutar mais da viagem, e é quando mais gosta de ler. Talvez nos falte esse momento de contemplação absoluta para encontrarmos também o que nos move. E em que ritmo isso deve acontecer.


Trechos do livro

"O 'o', que ela pronunciava surpreendentemente como um 'u', a sonoridade clara, estranhamente abafada do ê e o macio chiado no final soaram-lhe como uma melodia que, para ele, perdurou mais tempo do que na realidade, uma melodia que ele simplesmente adoraria ter escutado durante todo o resto do dia."

"Haveria um mistério sob a superfície da atividade humana? Ou seriam as pessoas exatamente como se revelam através de suas ações explícitas?"

"É um engodo achar que os momentos decisivos de uma vida, em que seus rumos habituais mudam para sempre, sejam necessariamente acompanhados de uma dramaticidade ruidosa e estridente, acompanhada de grandes surtos. (...) Na verdade, a dramaticidade de uma experiência decisiva para a vida é de natureza inacreditavelmente silenciosa."

"Às vezes, temos medo de alguma coisa apenas porque temos medo de outra."

"Havia pessoas que liam e havia as outras. Era fácil distinguir se alguém era leitor ou não. Não havia maior distinção entre as pessoas do que esta."

"Quem sente dores ou medo não pode esperar."

"Dizer alguma coisa para outra pessoa: como podemos esperar que aquilo possa surtir efeito? O fluxo de pensamentos, imagens e sentimentos que passa por nós tem uma força tal que seria um milagre se não inundasse simplesmente todas as palavras que outra pessoa nos diz, relegando-as ao esquecimento, a não ser que coincidentemente, muito coincidentemente, combinem com as nossas próprias palavras."

"Mas o que é um ser humano sem segredos? Sem pensamentos e desejos que apenas ele próprio conhece?"

"A imaginação, o nosso último santuário."

"Como seria levar uma vida que se proíbe qualquer expectativa ousada e imodesta, uma vida em que somente houvesse expectativas banais, como a espera pelo próximo ônibus?"
"Por que os vestígios do passado me entristessem, mesmo quando são vestígios de alguma coisa alegre?"

"Viver o momento: soa tão certo e tão belo. Mas quanto mais desejo isso, menos percebo o que significa."

"Como seria depois de ler a última frase? Sempre temera a última página, e a partir do meio do livro já o afligia periodicamente o pensamento de que teria de haver irremediavelmente uma última frase."

"Será que tudo o que fazemos é pelo medo que temos da solidão?"

"Eles riram e riram mais e mais, olharam um para o outro e sabiam que também estavam rindo sobre risos passados e sobre o fato de que se ri melhor daquilo que mais importa."

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

leitura dos momentos

Alguns registros dos meus momentos com os livros. Inspiração para outras leituras :-)

Minha estante. Sob outro ponto de vista, através do jardim na sacada

   
Meu cantinho indiano. É aqui que mais leio e que, por muitas vezes, sou surpreendida a divagar. Bem devagar ;-)



Leitura e café. Para uma leitura mais concentrada, quem sabe

Leitura e vinho. Bela combinação. Para relaxar e sonhar

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

mimos

Olhem o mimo que comprei para meus livros.
É uma bolsa de mão.


E uma capa :-)


E que venham muitos livros para usar essa 'proteção' ;-)

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

anúncios carentes de bichos abandonados por gente


 

Olhando as novidades na livraria, deparo-me com “Anúncios carentes de bichos abandonados por gente”, de Almir Correia, que diz tudo o que eu sempre quis dizer às crianças (e adultos). Não resisti. São vários poemas que mostram o abandono de animais. Cachorros, gatos, cavalos estão lá dando seus depoimentos e pedindo abrigo, carinho, amor. Ou apenas dizendo que existem e que estão por aí.

As ilustrações feitas Rubens Matuck são lindas e completam de forma emotiva o texto.

Logo no início, há o anúncio:

“Não pague 100
Não pague 50
Não pague 10
Eu estou aqui de graça
Cheio de lambidas amorosas
Junto aos seus pés.”


Um dos que mais gostei é o do cão velhinho, feio e sujo. Aquele bicho que ninguém quer perto.



“Sou feio
Velho
Sarnento
Ninguém me quer
Nem um momento
Passo pela vida
E ela não passa por mim
Sou trapo velho
Ou menos que isso
Sou nada
Sou eca
Sou ouriço
Sou aquele que não devia ter nascido
Mas estou aqui
Insistindo
Mendigando um amigo.”





Impossível não se emocionar. E fica a dica: NÃO COMPRE, ADOTE ;-)