segunda-feira, 17 de setembro de 2012

diário bizarro, e econômico, de bordo

Ao entrar no avião começa a aventura: disputa por um lugar no compartimento de bagagem de mão. Ganha quem ficar parado por mais tempo no corredor impedindo a passagem dos outros passageiros.

Assim que o embarque é encerrado e as portas ficam “no automático”, começa o troca-troca. Afinal, as pessoas querem ficar perto dos amigos, parentes, papagaios ou simplesmente encher o saco de quem assiste à cena. Coitado do japonês que topou trocar de lugar com uma das passageiras da CVC. Ficou ao lado de um cara que deve sofrer de incontinência urinária. Levantava para ir ao banheiro de meia em meia hora. E como o japonês estava no corredor, não teve sossego. Abençoada seja a serenidade oriental.

Passado algum tempo da decolagem, aparecem os pés descalços, ou melhor, com meias. Desde as coloridas até as meias finas que não cobrem os dedos (aquele modelo sinistro usados com sandálias). Há ainda as fornecidas no kit do voo, as velhas, as sujas e as com odor característico de quem não teve a preocupação de tomar uma boa ducha antes da viagem.

Logo todos já estão novamente acomodados nas poltronas embrulhados com os cobertores cedidos pela companhia aérea. Fones de ouvidos conectados e dedos a cutucar o vizinho da frente enquanto ficam a desvendar tudo o que o recurso multimídia do avião oferece. E viva o touch screen.

A primeira refeição se aproxima. Hora de descer a bandejinha e aguardar atentamente a sua vez.

Saciada a fome, inicia-se a saga do banheiro. De posse do kit com escova e creme dental, todos vão para a fila ao mesmo tempo.

Apagam-se asluzes e vemos os zumbis. Pessoas a zanzar de um lado para outro com suas meias pelos corredores. O andar é vagaroso, sonolento e elas geralmente mantêm o cabelo amassado. Há ainda aqueles que ficam com a bunda na sua cara a fim de prevenir a trombose.

Chega uma hora em que o silêncio reina. Todos dormem. Hora de aproveitar ao máximo esse momento para focar no destino e esquecer tudo o que está acontecendo.

Depois de um sono mal dormido nas desconfortáveis poltronas, temos a infelicidade de sermos acordados pela senhora que abriu uma fresta da janela, clareando repentinamente todo o ambiente.

O despertar é geral. Então, água daqui. Um suco ali. E lá vão os comissários de bordo servir a todos que acendem a luz para chamá-los.

Crianças, crianças. Sempre há. Desta vez, palma para elas. Em especial para os três irmãos ingleses que se comportaram muito bem. O mais novinho era uma graça e a única vez que tentou se expressar de forma mais ruidosa, teve seu som abafado pelo sinal universal do silêncio emitido pela irmã do meio: psiu. Ingleses, amo vocês.

Para terminar, tem a espertinha que tenta ser a primeira a retirar sua mala do tal compartimento. Antes mesmo de o avião aterrissar. Só escutamos um sonoro e raivoso som vindo de uma das comissárias: “SENHORA, SENTA!” Tarde demais para dar uma bronca nos passageiros, já chegamos.


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