domingo, 26 de agosto de 2012

a estrela curiosa

Você sabe como se faz uma estrela? É fácil: "pegue um pouco de pó de Lua, misture com farinha de astros, incendeie com fogo do Sol e mexa com muito carinho!" Pronto. Agora é só moldar as estrelinhas e entregá-las às fadas que vão pendurá-las no céu com fios invisíveis. Essa receita está no livro "A estrela curiosa", de Walcyr Carrasco, autor de teatro, novelas, minisséries e também escritor de livros infantis. Mas como cada estrela tem sua própria personalidade (e até características físicas distintas), uma delas nasce com incrível inquietação. Fica a balançar seu fio invisível de um lado para outro. Tudo para não perder de vista o que acontece ao seu redor. Balança tanto que o fio não resiste e arrebenta. E a estrelinha cai, cai e cai. Valeu a pena tanta curiosidade? Pode ser que sim. As crianças que tiveram contato com o livro aprovaram o desfecho interplanetário, muito bem ilustrado por Eduardo Burato.E essa que vos escreve ainda está aqui a refletir sobre a origem dos cometas, estrelas cadentes e sonhos cósmicos.


terça-feira, 7 de agosto de 2012

história pra boi casar

Era uma vez um boi que queria casar. Mas ele morava numa fazenda que não permitia essa união. Dizia-se que o fazendeiro não era nada casamenteiro. Então, o boi fugiu para terras que permitiam o amor. Esse é o enredo de “História para boi casar”, de Alessandra Roscoe, homenagem às cantigas e histórias contadas na infância. 

Lá encontramos personagens bem conhecidos, como o sapo que não lava o pé, a borboletinha que faz chocolate para a madrinha, a dona barata com as sete saias de filó. Todos entusiasmados com a festa de casamento do boi. Aliás:

“O boi não tinha cara preta
Nem fazia careta.
Ele se apaixonou
E só sossegou no dia em que se casou.”

Atenção especial às belas ilustrações de Mariana Zanetti, que dão movimento especial ao texto. Com reverência ao ritmo da festa popular brasileira Bumba-meu-boi, a história também é contada e cantada num CD que acompanha o livro.  

“Boi, boi, boi, boi da cara amarela
Que fugiu pra casar com a vaca,
Aquela que pulou a janela.”

“O sapo foi convidado
E até lavou o pé
Pra se livrar do chulé
(mas que chulé!).”



domingo, 5 de agosto de 2012

e começa a 22ª bienal internacional do livro de são paulo

Tenho ótimas recordações da minha infância relacionadas à Bienal. Principalmente na época em que as livrarias não eram megastores e a Bienal do Livro era o único local, além das bibliotecas, no qual se podia tocar, ver e sentir os livros. Estavam todos lá à nossa disposição para uma breve leitura ou apenas para a efetiva contemplação.

Para mim, bienal era - e de certa forma ainda é - sinônimo de livro. “Vai começar a Bienal”, significa, “vai começar a grande exposição dos livros.”

Neste ponto, chamo a atenção para a exposição, de fato. Ontem (05) li a entrevista que o autor de livros infantis Ilan Brenman deu ao Estadão, e que reforça a importância do suporte dado ao texto. Lá ele comenta sobre o valor do projeto gráfico do livro, sobretudo para as crianças. São como obras de arte. E como portal de novidades, a Bienal explora isso muito bem. Traz livros que chamam a atenção para formatos inusitados, para as ilustrações, para cores e, consequente, para o conteúdo. Os estandes são verdadeiros convites à leitura. Mesmo com a proliferação dos e-books e o encantamento que a tecnologia traz, acredito que nada substitui a experiência sensorial que o livro pode proporcionar. Que tal explorar este momento?

Livros transformam o mundo, livros transformam pessoas” é o tema deste ano. São 480 expositores e a expectativa de 800 mil visitantes.

De 9 a 19 de Agosto de 2012
Pavilhão de Exposições do Anhembi
Av. Olavo Fontoura, 1.209 - Santana - São Paulo - SP
Das 10h às 22h. No dia 19 de agosto, das 10h às 20h, com entrada até as 18h

O evento também traz programação especial que mescla a literatura com diversão, negócios, gastronomia e cultura. Mais informações: www.bienaldolivrosp.com.br.


Foto tirada durante a Bienal de 2010. No painel, campanha da Imprensa Oficial

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

on the road

Motivada pelo lançamento do filme de Walter Salles, “Na estrada”, finalmente li o livro que o inspirou: “On the Road”, de Jack Kerouac, publicado em 1957. Queria terminá-lo antes da estreia nos cinemas, mas não deu. Os inúmeros “Iuuupi! Vamos lá!”, “Sim! Sim!”, “Claro! Claro! Claro!” de Dean Moriarty, o garoto-rebelde-cheio-de-problemas-aventureiro, travavam a todo instante minha leitura. Pode ser que eu o tenha lido tarde demais. Mas o fato é que tanta agitação da geração beat me cansou um pouco, apesar de o ritmo da escrita ser contagiante. 

Parece que estou, de fato, ouvindo Sal Paradise (ou Kerouac, já que o livro traz suas experiências) a narrar a história com a pegada do jazz. Admiro o espírito aventureiro dos garotos norte-americanos da década de quarenta, mas vejo certa tristeza e melancolia na voz de todos os personagens. Suas peripécias são tentativas, muitas vezes frustradas, de fugir da realidade que não condiz com os sonhos. No caso de Sal, reflete ainda a dor causada pela morte do pai, o que somente a versão completa da obra, publicada anos mais tarde, apresenta. E o refúgio passa a ser a admiração por Dean, o cara desprendido que tudo pode e tudo faz. 

Rodar os Estados Unidos de carona em carona, roubar cigarros, carros, esconder-se nas drogas, ter sempre uma pessoa a quem recorrer quando precisa de mais dinheiro e uma cama. É assim que Dean leva a vida. E é da mesma forma que as pessoas com quem cruza colocam, também, o pé na estrada no seu rastro. 

Lá pelas tantas, a mulher de um amigo – cansada de tantas andanças – o define muito bem: “Você não tem a menor consideração por ninguém, a não ser por você mesmo e por suas malditas diversões. Só pensa no que tem pendurado entre as pernas e em quanto dinheiro poderá arrancar das pessoas que te cercam antes de simplesmente largá-las na mão. E não é só, o pior é que você nem mesmo se importa com isso. Nunca passa pela sua cabeça que a vida é coisa séria e que existem pessoas tentando fazer algo decente em vez de apenas ficar agindo feito estúpidos o tempo todo.” 

Sim! Sim!”, diria Dear Moriarty, sem captar uma palavra sequer, o que me deixa entediada. Não sei se quero ver o filme na sequência. Depois de tantas viagens repetitivas, vou dar um descanso para os “beats”. Pelo menos por ora. 

Recomendo a leitura do texto de Ignácio de Loyola Brandão em sua coluna no Estadão. Lá ele fala sobre o “mítico rolo em que Jack Kerouac escreveu 'On The Road'”.