quinta-feira, 21 de junho de 2012

mudam-se os tempos

Gosto muito de comprar livros. Embora não consiga ler todos os títulos que adquiro, sempre dou uma passada pela estante para, aleatoriamente, abrir um deles e ler algum trecho que possa acalmar o corpo e o espírito. Ou que sirva de inspiração, apenas.

E foi assim que reencontrei os sonetos de Camões no livro “Lírica, Redondilhas e Sonetos”, da Biblioteca da Folha. Li com atenção, sobretudo, aquele que fala sobre mudança e que confirma meus sentimentos. Aliás, os livros têm essa obrigação: falar o que queremos e precisamos ouvir.

Estava a pensar sobre mudanças. Ao rever alguém depois de uma década sem contato, o que eu gostaria de dizer? Que pouco mudou na minha trajetória? Ou que houve uma reviravolta e que hoje sou outra pessoa? Nem pouco nem tanto, talvez. Mas, com certeza, ficaria feliz ao surpreender meu interlocutor com novidades, a começar pelos cabelos. Dizia o poeta português: “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. Até mesmo a mudança muda, ele enfatiza. Penso que fugir do novo é entregar-se ao marasmo do destino. Como bem destacou o também poeta e dramaturgo russo Vladimir Maiakovski, “melhor morrer de vodca que de tédio.”

Vou pensar, mais um pouco, no tema e no que mudou na minha vida nos últimos dez anos. Quem sabe não tenha muito a contar. Assim, espero.

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
     Muda-se o ser, muda-se a confiança;
     Todo o mundo é composto de mudança,
     Tomando sempre novas qualidades.
 Continuamente vemos novidades,
     Diferentes em tudo da esperança;
     Do mal ficam as mágoas na lembrança.
     E do bem, se algum houve, as saudades.
 O tempo cobre o chão de verde manto,
     Que já coberto foi de neve fria,
     E em mim converte em choro o doce canto.
 E, afora este mudar-se cada dia,
     Outra mudança faz de mor espanto,
     Que não se muda já como soía."
Mude

Vídeo que vi em 2003. Até as imagens dele mudaram. Confesso preferir a versão anterior. Pois é, nem sempre as mudanças agradam ;-)

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