segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

pequena abelha

La pelas tantas, Abelhinha olha pela janela do quarto e vê espaços vazios entre os quarteirões. Isso significa que Abuja, capital do seu país, a Nigéria, ainda estava em construção. Resolveu ir atrás de histórias que coubessem nesses quadrados intactos.

Não como as que imaginava ao ter que contar suas aventuras às meninas de sua aldeia, que fariam muitas perguntas sobre as manias estranhas das inglesas, e que ela não saberia como responder. Nem como as que fantasiava toda vez que entrava num ambiente novo. Estava sempre procurando um objeto com o qual poderia se matar, caso os homens aparecessem. Os homens que temia eram da indústria de petróleo. Ela tinha visto coisas que não poderia ver e teve que fugir para o Reino Unido. As moças mais velhas alertaram “para sobreviver, precisa ter boa aparência ou tem que falar direito.” Ela optou pelo inglês correto da rainha e acreditou que poderia dar certo.

Em seu próprio mundo, Sarah também tinha suas preocupações. As pautas da sua revista, as aventuras de seu Batman de quatro anos, a estufa a ser construída e os próprios dilemas de mulheres casadas, bem-sucedidas profissionalmente e que sempre pensam ter feito a escolha errada. Talvez precisasse de férias. De um tempo. E foi assim que tudo começou, pelo menos para ela.

Essas são as duas protagonistas de “Pequena Abelha”, de Chris Cleave. Mais um best-seller com data marcada para ir aos cinemas. Pena que descobri a atriz que interpretará Sarah antes mesmo do início da leitura. Assim não pude deixar minha imaginação viajar tanto quanto a de Abelhinha. Li o livro já visualizando a personagem. Essa informação está na capa, assim como várias críticas positivas e a promessa de uma história especial.

Sarah e Abelhinha se encontram e se reencontram. Ora na voz de uma, ora na de outra, ouvimos relatos que mostram que ninguém é tão bom assim e que todos precisam de ajuda. “Pequena Abelha” vale cada linha lida, inclusive pela denúncia, mesmo que leve, das regras nos centros de detenção de imigrantes ilegais. Pode ser que você tenha que voltar algumas páginas em certos momentos para ter certeza se os fatos são realmente coerentes ou se foi realmente aquilo que leu. O desfecho não chega a ser surpreendente, contudo não poderia ser melhor. Boa e fácil leitura para o início do ano.

“Você não é daqui.” “Mas, por favor, o que isso significa? O que significa ‘ser daqui’?”

Mesmo que você não tenha vontade de ler o livro, fica a dica: tome cuidado com os presentes que recebe. Eles poderão ficar em suas mãos por toda a vida. Último comentário: os editores brasileiros foram felizes ao não darem à nossa edição o título original, “The Other Hand”.




Um comentário:

  1. Li esse livro logo que foi lançado. Cheguei a fazer pequena nota no face (acho). O exercício de duas narradoras é interessante. But... agonia demais, não Katinha?

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