sexta-feira, 28 de outubro de 2011

ame o que é seu

Acabei de ler "Ame o que é seu", de Emily Giffin. Um romance sobre romance açucarado. Rápido e fácil de ler. Assim como deve ser todo chick-lit. Sou fã desse gênero desde "Melancia", de Marian Keyes. Dizem que toda leitura tem seu momento. Pode ser que se eu não estivesse passando por uma situação parecida com a da protagonista do livro, o efeito chick-lit não tivesse caído no meu gosto.
                                                                                                                          
Enfim, desde então não resisto a uma capa bonita e aos dilemas de mulheres tidas como modernas e independentes apresentados nesses best-sellers, como casar ou ser independente? Ter filhos ou angariar uma promoção no trabalho? Questões que eu já havia sugerido num texto sobre Comprometida, de Elizabeth Gilbert.

"Ame o que é seu" traz as inúmeras dúvidas femininas logo na contracapa: "Sempre que houver escolha, haverá dúvida." A fotógrafa Ellen está na casa dos trinta e tem o que a maioria das mulheres nesta idade sonha em ter: marido bonito, bem sucedido e apaixonado, apartamento descolado, reconhecimento profissional, uma amiga leal e a perspectiva de muitas coisas boas pela frente.

Só que um reencontro casual com um ex-grande amor, num cruzamento movimentado de Nova York, faz com que ela se pergunte se não estaria acomodada com a sua "situação". Ora, do que ela está reclamando? Por ter se casado e deixado outras preferências de lado? Ou por não ter tentando, mais uma vez, ficar com Leo, que a abandonou há oito anos e em quem não para de pensar após o fatídico esbarrão?

Ouvindo antigas trilhas sonoras e tomando um café com creme, ela relembra a intensidade do relacionamento que tinham e como terminou, sem ela entender direito o porquê. Relembra, ainda, a depressão após levar o fora e como conheceu Andy, o seu marido. Importante ressaltar: todo chick-lit traz a dor de ter sido abandonada e apresenta, seja de forma detalhada, como em Melancia, ou num rápido flashback, o ritual pós-rompimento: desleixo na aparência, baldes de sorvetes sempre à mão, vontade imensa de ficar trancada no quarto e, finalmente, um novo amor. Sabe aquela máxima “amor com amor se cura”? Pois ela se aplica perfeitamente a esses livros.

Seguem os dilemas de Ellen: atender ou não as ligações de Leo? Aceitar ou não as propostas de trabalho que ele oferece? Dizer ou não ao Andy o que está acontecendo? Mudar ou não para uma mansão em Atlanta, cidade natal do marido? Abandonar o que parecia ser uma vida perfeita? Tudo é questão de escolha. E tudo pode ser diferente dependendo da opção assinalada. Em determinados momentos, podemos ficar com raiva da garota que parece ter tirado a sorte grande e que está prestes a dispensá-la. Mas nada muito profundo, assim como também não é profunda a leitura. Bom passatempo para refletirmos de maneira fugaz sobre nossas próprias paranóias.

"A palavra acomodação ecoa na minha cabeça, ferindo o meu coração e me enchendo de incertezas. É uma palavra que venho evitando por meses, mesmo nos pensamentos mais íntimos. Mas de repente eu não posso mais evitá-la. De certa forma, ela é o cerne sombrio de toda a questão, o medo de ter me acostumado ao Andy. De que eu deveria ter resistido a esse tipo de amor. De que eu deveria ter acreditado que o Leo um dia voltaria para mim."



quarta-feira, 26 de outubro de 2011

na pior em paris e londres

George Orwell, no fim da década de vinte, resolveu experimentar a pobreza européia. De sua aventura surgiu “Na Pior em Paris e Londres”. No melhor estilo do jornalismo literário, ele nos conta os pormenores de suas noites e dias convivendo com os amigos que vai conhecendo ao longo da jornada miserável.

Esqueçam as imagens dos pontos turísticos dessas cidades, aqui somos jogados para os porões sujos de restaurantes e quartos frios de albergues. Um dos meus trechos favoritos é quando o autor compara os restaurantes baratos com os chiques. No primeiro, o cozinheiro tira a comida da panela com uma colher e, sem muito trato, a despeja no prato. Já nos restaurantes sofisticados, a comida é cuidadosamente arrumada, cada alimento combinando com o outro e, sempre que preciso, o chef dá o toque final: lambe os dedos para, com eles, dar a ajeitadinha final. Tudo tem que ficar perfeito.

A penúria do autor e de seus companheiros também é gritante. Não são raras as ocasiões em que eles têm que vender, ou melhor, penhorar a própria roupa para garantir um pedaço de pão que servirá de jantar durante a semana. Apesar das brigas, havia cumplicidade quando a coisa apertava. Dividiam os casacos e as migalhas. Com humor e certa indignação, o texto descreve as dificuldades dos moradores de rua, que não podem ficar mais que duas noites no mesmo albergue – hospedaria para os sem-tetos. Para piorar, quem fosse surpreendido dormindo na rua, seria preso. Que fique claro: a pessoa não podia deitar e dormir nas ruas e bancos. Mas podia sentar-se e “descansar”. É quando alguém teve a ideia de, por uns míseros centavos, estender um varal à frente dos bancos das praças. A pessoa sentava, apoiava os braços na corda e tirava poucos minutos de cochilo dos justos e injustiçados, antes que o suporte fosse brutalmente recolhido.

O mais próximo de trabalho digno que conseguiam era de lavador de pratos em hotéis e restaurantes, ou plongeur, como o autor descreve. Trabalhavam mais de quinze horas por dia. Ao fim do expediente só dava tempo para um rápido drinque, quando havia dinheiro sobrando, e um sono de menos de quatro horas. Logo, estavam de volta ao batente. Orwell chega a dizer que eles eram escravos modernos. Embora sejam assalariados, não eram mais livres do que se tivessem sido comprados e vendidos. Ainda assim, é o que os homens da rua almejavam, pois era a garantia de comida, cigarro e um teto – imundo, porém estável. Uma vez no emprego, logo se acomodavam e ligavam o piloto automático da função: lavar pratos, quebrar pratos, dar uma geral no chão, limpar o suor com o guardanapo, fingir que não vê a sujeira no chão, roubar leite e um pouco de comida, lavar mais pratos.

Sem se prender somente à sua experiência, o escritor jornalista recorre às memórias e aos relatos dos companheiros, como o artista de rua Bozo. Após ser soldado na França e na Índia, conseguiu um bom emprego em Paris como pintor de paredes e ficou noivo de uma garota por quem era apaixonado.  Entretanto, como tudo é trágico para essas pessoas desafortunadas, ela teve sua vida interrompida por um ônibus, que a esmagou. Assim, o pobre – literalmente – pintor ficou sozinho e desiludido. Buscou amparo nas bebidas e, entre uma embriaguês e outra, caiu de um andaime na obra em que trabalhava e teve o pé triturado. Sem emprego e com a insignificante indenização do empregador, passou a morar na rua e a sobreviver com as pinturas nas calçadas. Bozo traçava imagens com giz colorido, as pessoas olhavam, poucas davam moedas e, ao fim do expediente, ele apagava tudo e seguia em busca do próximo lugar para dormir. Era exceção. Não se importava com a pobreza e valorizava seu ofício. “Sou o que eles chamam de grafiteiro sério. Não desenho com giz em quadro-negro, como alguns por aí, uso cores apropriadas, as mesmas dos pintores. São caras para danar, especialmente os vermelhos.”

A higiene, por motivos óbvios, fica em segundo lugar. A relação com mulheres, que são poucas neste ambiente, também é rara e quase não chega a ser desejada. Quem nesta situação vai querer se deparar com uma mulher? E a vergonha e autoestima, afinal? Aliás, o orgulho está impregnado. O livro mostra como difícil, para os mendigos, manifestar gratidão.

O livro é instigante. Você quer saber como eles vão conseguir a próxima refeição. O que eles vão vender desta vez? Detalhe: o volume foi recusado por várias editoras e é o primeiro a trazer o pseudônimo George Orwell, cujo nome verdadeiro é Eric Arthur Blair. Orwell ficou conhecido por "1984", que traz a figura do Grande Irmão (Big Brother), e "Revolução dos Bichos". 

Ao que parece, ele superou o medo e repulsa que sentia pelos mendigos após tornar-se um deles. Talvez essas emoções sejam mais fáceis de serem contornadas que a indiferença e desinteresse, sentimentos que temos em relação aos nossos desabrigados e que fazem deles seres quase que invisíveis.

“A questão que levanto é por que essa vida continua, para que ela serve e quem quer que ela continue, e por quê.”


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

o que você prefere?


Por favor, você pode ler esta mensagem?

Favor ler esta mensagem.

Solicito que você leia esta mensagem.

É impreterível que você leia esta mensagem até as 14h.


Qual das quatro sentenças acima lhe parece mais simpática? E qual está mais presente nas suas conversas diárias com os colegas de trabalho?

Pois bem. É comum observarmos em empresas e mesmo nas nossas relações com vendedores, empregadas domésticas, recepcionistas e demais profissionais que, diariamente, nos atendem, certa atitude impositiva.  Parece que todos estão lá para nos servir. Ora, pagamos pelos serviços, somos chefes, estamos num cargo melhor, somos os clientes. Enfim, somos mais e melhores, não é mesmo? Não, não é mesmo.

São muitos os que gostam de dar ordens. Querem ser autoritários e estar, sempre, certos. A tolerância é baixa. Não admitem erros, sugestões, críticas e um tempo maior que o piscar de olho para que suas prioridades sejam resolvidas. Claro que há exagero nessa afirmação. Mas, dessa forma, fica mais fácil identificar certos comportamentos. Contudo, não significa aceitar maus serviços e descasos.  

Todavia, custa muito começar uma frase, na qual vamos solicitar algo, com um singelo “por favor, você pode me ajudar?” Tudo bem que estamos pagando para fulano fazer isso, antes que alguém o diga, mas qual a dificuldade em ser gentil?

A revista Vida Simples lançou uma campanha bem bacana: “O Dia da Gentileza”. Três de outubro foi um convite aos leitores e seguidores das redes sociais a observaram com atenção os aspectos do cotidiano e a forma com que se relacionam com o outro. Foi, ainda, um atrativo para que as pessoas postassem frases ou descrevessem comportamentos gentis que tiveram ou receberam. As respostas foram desde emprestar um cantinho do guarda-chuva e demonstrar carinho gratuito até triplicar a paciência com a mocinha do telemarketing e, simplesmente, agradecer. Sim, o “obrigado” igualmente se tornou raro. São posturas que afetam o mundo inteiro, já que há até um movimento internacional em prol da gentileza, o World Kindness Movement, celebrado em 13 de novembro.

Em compensação, outra expressão passou a ser sinônimo de gente importante, o “não tenho tempo”. Frequentemente, ouvimos “agora não posso”, “agora não dá”, “ando muito ocupada, ocupado”, o que, em outras palavras, significa “você não é importante para mim agora, não é minha prioridade”, “antes de lhe ouvir, tenho que atualizar minhas redes sociais, checar minhas cinco contas de e-mail e dar uma olhada no resumo das novelas.” Para mim, duas coisas são broxantes: chegar super empolgada para falar com alguém e ver uma palma de mão aberta em minha direção dizendo “espere”. Outra é deparar-me com e-mails corporativos mal educados. Concordo, vocês estão certos. Não há tempo a perder, tudo tem que estar pronto antes mesmo de ser solicitado e desculpe-me se esqueci de algo.

Dias ruins todos têm, mas viver assim pode afastar boas pessoas de nosso convívio. Além de tornar tudo mais penoso. Por enquanto, prefiro o aforismo da escritora ruandesa Immaculée Ilibagiza: “se você precisar escolher entre estar certo ou ser gentil, escolha ser gentil."

Fica como reflexão, isto é, se você tiver um tempinho ;-)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

syngué sabour – pedra-de-paciência

Recitar por noventa e nove vezes, ou uma volta no terço, cada um dos noventa e nove nomes de Alá. Cada dia, um nome diferente. No décimo sexto dia de oração, o nome é Al-Qahhâr, o Dominador. E é neste ponto, “em algum lugar no Afeganistão ou alhures”, que encontramos a mulher que cuida de seu homem.

Ele sobreviveu após levar um tiro na nuca. Era considerado um herói por lutar pelos ideais de seu povo, por uma jihad, que o autor chama de guerra santa. Mas, após ser atingido e ficar inválido, é abandonado pela mãe, pelos irmãos e pelos companheiros. Restam-lhe a mulher e suas duas filhas.

Apenas a respiração, sempre no mesmo ritmo, indica que há vida naquele corpo estático e fraco. Os olhos estão abertos, mas nunca piscam. Não lacrimejam. Cabe à mulher a tarefa de pingar de tempos em tempos duas gotas de colírio em cada um deles. “Uma, duas. Uma, duas”. Cabe a ela, da mesma forma, a missão de manter o soro entrando na medida exata em suas veias, dar-lhe banho e, claro, orar para que ele “volte”, seguindo as orientações do mulá.

Presa no ritual conjugal, a mulher se dispersa e, aos poucos, para de proclamar por noventa e nove vezes cada um dos noventa e nove nomes de Alá. Irrita-se por não ter tido a oportunidade de fugir. Irrita-se porque o homem não se recupera. Irrita-se por ele ainda manter-se vivo. Irrita-se por ele nunca a ter ouvido. Ela conheceu o marido somente três anos após o casamento. Como estava em combate, ele foi representado por uma foto e por seu kandjar (em persa, facão) durante a cerimônia. Foi com esses objetos que ela, verdadeiramente, casou-se. Três anos é, igualmente, o tempo que passaram juntos durante os dez anos em que estão casados. Afinal, sempre preferiu a batalha.

Este é primeiro romance de Atiq Rahimi - afegão que saiu de seu país e se refugiou na França na década de oitenta - escrito em francês. Seus textos, como Terra e Cinzas, trazem a guerra e as lembranças tristes de uma vida que é empurrada e estipulada. A obra foi escrita em memória de uma poetiza afegã assassinada pelo marido e, em 2008, conquistou o Prêmio Goncourt, considerado o mais importante para a literatura francesa. Pode-se dizer que é uma doce vingança feminina contra as opressões de certos homens. Em sua ira, a protagonista dispara na direção do marido, que jaz imóvel na cama como uma pedra, todos os seus segredos: lembranças da infância, ressentimentos, desejos delirantes, pensamentos obscenos. Alguns desses segredos podem, inclusive, ferir a honra de seu homem. Ele torna-se sua syngué sabour. Na cultura persa, é o nome que dão à pedra mágica para a qual podemos contar todos os segredos. Até que chega um momento em que ela explode. Quando isso acontece, a pessoa que fez a confissão fica livre de seus tormentos. Al-Sabour também é o último nome de Deus, o Paciente.

“Isso mesmo, é você, é você minha syngué sabour! Vou lhe dizer tudo, minha syngué sabour, tudo, tudo. Até que eu me liberte dos meus sofrimentos, das minhas infelicidades. Até que você, que você...” Ela não conclui a frase.

Syngué sabour, a pedra-de-paciência é um daqueles raros livros que lemos de uma só vez e que tem um desfecho sem ponto final. Seria tudo uma alucinação de quem por tanto tempo teve que cultivar o silêncio? Ou um grande segredo realmente consegue fazer uma pedra despertar e, em seguida, explodir tudo ao seu redor?


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

libertação animal

O paradoxo na relação dos animais com os seres humanos      


No prefácio à primeira edição do seu livro “Libertação Animal”, em 1975, o filósofo australiano Peter Singer chama a atenção para a "tirania de animais humanos sobre animais não-humanos". Para ele, "a dor e o sofrimento dessa prática são apenas comparáveis aos que resultaram de séculos de violência de seres humanos brancos sobre seres humanos negros. A luta contra ela é tão importante quanto qualquer uma das disputas morais e sociais que vêm sendo travadas em anos recentes." Trata-se de uma afirmação que abre uma série de discussões entre aqueles que veem os animais como seres que têm sentimentos, e que por isso merecem ser respeitados, e os que creem que os bichos são seres inferiores e que devem servir ao homem. No meio do debate, temos quem defende os animais; mas somente até a próxima refeição.

Com efeito, condenamos a tortura de alguns animais. Cachorros, gatos, cavalos e animais selvagens, quando vítimas de maus-tratos, podem virar notícia. A sociedade ocidental repudia o hábito de coreanos de comer carne canina. Touradas, rodeios e farra do boi são alvos fáceis de protestos que atraem a atenção dos veículos de comunicação.

Por outro lado, os animais nunca estiveram tão presos às necessidades dos seres humanos.  Matéria de capa sobre vegetarianismo, publicada em abril de 2002, na revista Superinteressante da editora Abril, traz a vaca como um ser onipresente. O texto elenca todos os produtos oriundos desse animal morto. São materiais de couro, seda, filmes fotográficos e até extintores de incêndio, que trazem substâncias retiradas dos pés dos bois. Seu sangue também é sugado e transformado em tintura, e sua gordura pode ter como fim o pneu do carro que os defensores utilizam para ir às manifestações. Enfim, de acordo com a matéria é praticamente impossível, mesmo para os vegetarianos, viver sem digerir ou utilizar restos mortais dos bichos, em especial dos bovinos.

O tema estimulou Singer, que se debruça sobre questões éticas, a escrever o manifesto “Libertação Animal”. Lá, ele analisa, filosoficamente, esse paradoxo e propõe um movimento que coloque fim no preconceito do ser humano em relação às outras espécies. O principal argumento é que os animais não existem para servir aos homens. A superioridade que o ser humano pensa ter em relação aos outros seres é definida pelo autor como especismo, termo que compara ao racismo - preconceito aos indivíduos de outras raças - e ao sexismo - a discriminação sexual com as mulheres. Os animais devem ter os mesmos direitos concedidos aos seres humanos, uma vez que também sentem dor - física e psicológica. A crueldade com os animais não pode ser eticamente justificada, o que se constitui numa boa razão para reverter as práticas que as perpetuam. Pensamento que tem raiz no utilitarismo, do qual Singer é seguidor: proporcionar prazer, evitar a dor.

A manifestação teve grande repercussão no mundo inteiro.  O livro chegou ao Brasil em 2004, pela editora Lugano. Ganhou outra versão em 2010 pela WMF Martins Fontes, com novo prefácio e alguns acréscimos.

Em trinta e seis anos de proliferação dos seus argumentos em prol dos animais, é possível enumerar conquistas dos quais ativistas se orgulham, mas que ainda estão longe da utopia de Peter Singer, que é a total independência dos bichos.

 “Eu adoro animais”, ela começou.
 “Tenho um cachorro e dois gatos, e eles se dão às mil maravilhas. Conhecem a Sra. Scott? Ela dirige um pequeno hospital para animais de estimação doentes...”
e continuou a falar sem parar. Parou enquanto o chá era servido, pegou um sanduíche de presunto e perguntou-nos que animais de estimação tínhamos.